Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 19 de setembro de 2010

Insónias por ingestão excessiva de uns fornos


A submersão nas cristalinas ondas pétreas, rápidas ascensões ao tecto de um particular mundo, sentido nas entranhas, vulgarizado por uma paixão sempre tida. O expoente dos sentidos, a cada mergulho em poeirentas estradas, a cada vertiginosa descida pelos rápidos de uma corrente de nadas desenhados a quase vazias florestas de almas penadas... E uma ponta de orgulho a cada curva, incrementos numa estranha adoração que revê um tesouro em cada "bulharaco" ou em cada minúscula pedra, como se nunca os tivesse visto, ou lhes tivesse sentido a textura. Talvez se trate de uma precoce insanidade, causas muitas, causas tantas, de imensas que são. Seja, ou não, quem sabe, a fidedigna verdade mora no prazer que, a cada recanto, desperta os sentidos, numa profunda, mas fugaz absorção de elementos que fluem ao sabor de cada chilrear de pássaros que, inúmeras vezes, de tão familiares não sei identificar. Incongruências de uma mente que se expõe à ondulação de um seco mar, opiáceo que estimula navegações nunca tidas, inóspita ilha de xisto que nunca serviu de chamamento a Gama ou Cabral. Outros navegadores virão... À descoberta de ruínas, edifícios que existência nunca tiveram, detractores o dirão, maldizentes remunerados a betão e asfalto, vassouras de um alienado passado. Ou encapotadas formas de despovoar o que desertificado está. Sei lá, ou saberei o que já não sei, disso sabendo... Ou me calarei, apenas morrendo... Mas fica a agregação, de alfabéticos signos, contágios a quem lhes pretenda sugar mais que a pretensa decifração literal. Que dizia eu, que me perdi? Ah, memória minha que me trais! Estou por Salselas, ali mesmo ao lado onde a toponímia regista megalíticas contruções, antas as dizem, em cabeços de registos muitos. "Num fui ou q'iu dixo, foi o Snhô Padre, dissesti-jiu bós, q'Abade o pintastis lá prós lados de Baçal. Foi um home mim bô, q'bus-jiu digo ou"... Resta a volatilidade de neolíticas formas, ou invenções da trivialidade das lendas. E resta, também, exemplar único por terras estas, coisas de romanos que por aqui passaram e queremos ver esquecidos. Que isto de Conímbrigas e Bracaras Augustas é "lá pra baitcho, c'os gaijos que lubabum uas lostras do Aztericse e do lapouço que se pintchou no caldeiro num se debim ter astrebido pur aqui a mamar uas tchapadas nas bentas"... A insofismável verdade é que as terão levado, retribuindo a triplicar, que os Zoelas bem "s'amoutcharum", assim rezam a história e os cacos. Como rezam outras coisas mais, lá para Pinhovelo e Cortiços, Lamalonga e Argana, também. Fala a sigillata, brada a tegula, cantam as pedras da calçada, a XVII pintada, choram epigráficos fantasmas. E chorarão almas outras quando a voragem do tempo e a negligência dos homens não deixarem mais que laivos de nostalgia. Extensível a amontoados outros, contemporâneos estes, guardadores de memórias de um tempo em que a economia rural de Salselas e Vale da Porca era pintada a cal e resguardada a telha. Subsistem as herbáceas, quais guardiões de anunciados trilhos, placas esquecidas à espera da vilanagem, ou pacientemente aguardando a digestão pelo implacável. Haverá prioridades outras, ou diversos serão os caminhos. Mas dói, se dói, numa prolongada algia que imobiliza, como se as enzimas da saliva, ao invés de alívio, se tranfigurassem num veneno que vai corroendo esta transmontana alma. E era tão fácil albergar o muito que a essência da ancestralidade nos legou. Com tão pouco...

Sem comentários: