Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Encantos de Setembro (III) - Tertúlias na Interioridade Literária

Talvez se tratasse de uma alucinação... Uma daquelas aparições fantasmagóricas saídas de profundos e enraizados desejos, recônditos da alma onde persiste em morar a crença de que, na minha eterna "vila", reside algo mais que a útil banalidade, sempre útil banalidade, reforce-se, de manifestações banais ("pleonasme-se" um pouco, precioso auxiliar de composição, banalize-se a banalidade... banal)... Talvez se tratasse, ainda, e em alternativa, de um estarrecimento ocular por precoces deturpações dos periscópios da alma. Conduzi as extremidades de superiores membros ao par de componentes que filtram as cores do mundo, numa desesperada tentativa de me vincular à realidade. Esfreguei denodadamente, revolvendo pálpebras e pestanas, breve escuridão de irresponsabilidade, efémero acto de presentear os globos com alguma conjuntivite... Porém, de volta ao planeta, alucinação não era, e de metafísicas formas, nem sinal. Era real, intensamente real, pasme-se! Ali estava, bem à frente das "bistinhas c'a terra há-de cumer", um quadro de intrepidez, arrojo de um duo de almas a querer lançar sementes de abcedário na pretensão de inóspito solo. Talvez essas fossem as dores, algias de braços trémulos pela lavra, desconfortos de suor brotado de uma fonte de incerto porvir. Talvez os prazeres fossem outros, a adrenalina da incógnita, a inviolabilidade do querer. Na dúvida, ficou a agenda rasgada a traços de "TERTÚLIA" em folha de dia de aniversário da progenitora. Mais não fosse, a incomum tentativa não morreria sem assistência, sedentos genes loucos em busca de um oásis distinto de oásis outros que povoando vão terras onde cheira a prenúncio de morte. Mas isso são contas de ocultos rosários, sub-reptícias formas de ermar o que ermado nunca foi... No dia, lá estaria, orgulhoso de ver a minha terra num literário gemido. Grito de Ipiranga, diria, num assomo de inusitada coragem, desvairadas melancolias livrescas, dirão os mais atentos a qualquer sinopse de brejeiro sentir. "Anyway"... Viradas as folhas do calendário, assentados arraiais no macedense primo do de Belém, encantamentos pela pureza do desbravar de trechos, inquietantes formas de encarar o público por uma magnífica decifradora de vocábulos da alma, sorriso aberto, escudo incapaz de disfarçar o excesso de nervosismo, deliciosos enganos geradores de arrepios, uma voz que ecoou pelo âmago de macedense sentir, inesquecível gravação neste xisto interior de uma privacidade que só eu sinto e não partilho. Desfilem as ideias, prestem-se auditivos sensores ao entorpecimento da palavra, mágicos torpores, diria, num acervo de vozes e retratos de distinto sentir. Cale-se a poesia que a prosa vai falar. Silencie-se esta, honra à crónica seja dada. Escute-se, agora, a chama de indecifráveis, vezes muitas, poéticas chamas. Clamem as letras históricas pelo seu heróico lugar, deixem-se fundir, também, na ficção de romanceadas histórias, ou verta a sabedoria de acumulada vivência por macedenses ruas. Inebriem-se os sentidos, somente, portas escancaradas ao pingue-pongue entre a veterana escrita e o imberbe escrever. Permissão seja dada ao deambular por entre prismas de tons de unicidade, verdades muitas, verdades outras, cúmplices seres que aram a pena, miscelânea de ingredientes de uma estranha confecção, pastelaria dos sentidos, bolo da alma. Aconteceu, irremediavelmente aconteceu, algures onde o setentrião se cruza com o sol nascente, parando, escutando e olhando, talvez tenha finado o enterro, ou tenha belzebu deixado de lhe querer assistir. Ou tenha o futuro renascido das cinzas, milagre das têmporas de algum padroeiro ibérico, Martim de Macedo, quiçá, segredos desvendados, de queimados fontanários ou do primeiro da de Borgonha. Desviou-se o tiro, a bruma o cegou, a noite dos tempos lhe serviu de aconchego. Ausentou-se o fresco sabor da marmelada fresca, descansos de época, da cafeína, também. No final, sei e sinto que persistem chávenas de negro líquido, em "solo" pedido do lado de lá da fronteira, "cargado" de preferência, transmontana paixão de irreprimível sentir. Como alguém que serve de cavalgadura ao "Cavaleiro" terá dito, num sentido mas breve adeus, ressuscitando palavras de meio século, voltarei eu também. Singela e grata homenagem desenhada a V de vitória & a P de persistência...

1 comentário:

Virgínia do Carmo disse...

Que bom saber que o eco de uma tarde tão mágica se propaga pelos dias, fazendo sentir ... tudo isto!
Enternecido abraço, "Cavaleiro"! :)