
… a lógica aconselharia à colocação de um Dianthus caryophyllus. Contudo, a Liberdade presenteou-me com a faculdade de optar por outras cores e formas que não o vermelho e o cravo. Esta é a minha singela forma de prestar tributo aos idealistas de um mundo desprovido do pesado jugo do sentido único. Retiro daqui qualquer homenagem aos que pretenderam, subrepticiamente, subverter o sonho de um país livre, metamorfoseando-o, manietando as individuais liberdades, procurando, por ilícitos meios, conduzi-las aos antípodas. O Macedense Raul Rêgo mais o seu “República”, ainda por cá andassem, saberiam converter, incomparavelmente melhor que eu, esta ideia.

Viva Abril! Viva a Liberdade! Mas, indubitavelemente, não quero que viva esta Liberdade adulterada, uma Liberdade que viu o seu sinónimo alterado sem o recurso a qualquer acordo ortográfico. A Liberdade não condiz com o desprezo a que é votada uma região. A Liberdade não pode pactuar com a castração com que, sucessivamente, um povo é privado dos seus mais básicos direitos. A Liberdade não pode, alegremente, caminhar lado a lado com a corrupção, o clientelismo, a pedofilia, o escândalo económico, usando como cajado de apoio a impunidade. A Liberdade não deveria ter finado, de vez, com o abismo da dicotomia “patronato-proletariado”? A Liberdade que hoje vejo acentuou as diferenças. Esta Liberdade trouxe mais riqueza aos que abastados eram e mais pobreza aos que na míngua viviam. O “meu” Trás-os-Montes é considerado, estatísticas assim o proclamam, a região mais pobre desta Europa do Euro… Mas não era… Agora é uma região “livre”.

Pode dizer o que quer, é verdade. Mas amputam-na do básico, tiram-lhe maternidades e elementares serviços de urgência, roubam-lhe o caminho-de-ferro, dão-lhe migalhas em troco de barragens impostas, privam-na de vida. E sugam-lhe o tutano… Como faço parte do osso, sinto-lhe as dores e o sufoco da sucção que sobre o mesmo é exercida. E desdenho desta Liberdade que é a antítese do Robin dos Bosques. Esta Liberdade tira aos pobres para dar aos ricos… E desgraçado do pobre que não dê a sua contribuição… Mais não seja na forma de mais de metade da produção da energia eléctrica nacional. Não deveríamos viver no Orwelliano país d'"O Triunfo dos Porcos"...
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