Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sábado, 17 de abril de 2010

Castrações da vergonha?

Previamente ao visionamento, para não haver sobreposição de ruído, desligue, p.f., o som da "Cousas Rádio"...

Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.



Veiga de Lila - Valpaços… Vilar de Maçada - Alijó… Vila Real… Poder-se-ia acrescentar Lagoa - Macedo de Cavaleiros… Ou, recuando um pouco no tempo, Grijó – Macedo de Cavaleiros… Com o firme propósito de preservar a terra-mãe de implícita corrosão, restrinjo-me ao vizinho distrito… As hierarquias assim o ditam… E, afinal, trata-se de um gémeo, mesmo que a modernidade das NUTS tenha adulterado, ao de leve, a tradição. Contudo, Trás-os-Montes é Trás-os-Montes e não há adulterações que corrompam esta essência de transmontano ser, seja de bragançanas terras ou de vila-realense território. Fala-se de abandono, há abandono… Escalpelizar as causas resultaria numa perda de tempo… As transmontanas gentes, mais que sabê-las, sentem-nas. Ou vão-nas sentindo, ao sabor do ruído atroz gerado pelo silêncio de quem destas terras brotou e, sabe-se lá porquê, renega as origens, esquecendo-se desta cada vez mais esquecida gente. Terras do olvido… Impenetráveis fraguedos, desoladas terras, resignações de bravia gente… Como me dói olhar o meu mundo, sabendo que as raízes do mesmo se estendem à Presidência da Comissão Europeia, à Chefia do Governo Português e à Liderança da Oposição… Como me dói sentir os enganos de quem parece desprezar o ventre transmontano que vida lhe deu… Como corrói olhar para hipócritas sorridentes faces imunes aos pedidos de gente simples que apenas quer sentir que é gente como qualquer outra. A Linha do Tua é apenas uma das muitas faces do monstro que comeu xisto e granito, e os cospe em forma de betão… Mais que discutir barragens ou encerramentos de linhas férreas, dever-se-ia estancar a hemorragia da resignação e da passividade. Dão-nos “cabo do coiro” e nós retribuímos com ingénua amabilidade. “Comem-nos de cebolada” com falsas e adiadas promessas e nós recorremos a um incompreensível mutismo, alicerçado numa qualquer tradição que diz sermos um povo hospitaleiro. Como é possível ter hospitalidade para quem nos espeta, sucessivamente, facas nas costas? Encerram-nos serviços básicos e nós sorrimos? Ou limitamo-nos a uns fugazes protestos, rapidamente apagados pela próxima campanha eleitoral… Onde alimentamos “pançudos” a alheiras, presunto, enchidos e posta à mirandesa, sabendo, de antemão, que vão digerir as genuidade e bondade transmontanas para um qualquer corredor de S. Bento, Bruxelas ou Estrasburgo, arrotando a convicção de que os irredutíveis estão amansados de novo… A interioridade não se paga cara pela prepotência dos que de lá saem em direcção ao “El Dorado”. O elevado preço resulta da devolução em forma de silêncio ao silêncio que nos dão… Não irei ver o “Pare, Escute, Olhe”… Para derramar “rios Tua” movidos a raiva, já me bastou o “trailer”… Sensibilidades escondidas por detrás de uma aparente couraça de frieza, coisas humanas ou, simplesmente, transmontanas… E não irei ver porque, no país que merecemos, não consigo alhear-me da constante adulteração que faço ao título do documentário. Olho para a película, assisto ao desfilar de caras e sinto que vivo no país do “Quero, Posso, Mando”… E a esse país que abandona um pedaço do que seu é, que me desculpem as mentes mais sensíveis, digo, transmontanamente falando com tempero a eufemismo, “carvalho ma racontracosa”…

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