
Ou um regresso ao tempo em que ainda gostava do Carnaval... Eram tempos em que o Carnaval, com a pausa de uns dias nas actividades escolares, representava o alheamento de Macedo para uma incursão a Lamas e, consequentemente, à casa da avó e dos tios. Hoje já não direi o mesmo, mas o butelo e o chouriço da língua que se comiam, acompanhados de casulas secas, geralmente, no dia de Carnaval, eram um massacre para quem apreciava mais, por essa altura, bifes e batatas fritas.

Em alternativa, ou se marfava uma ranchada ou uma feijoada. Verdade seja dita que, nos dias de hoje, bem trocava os ditos bifes por qualquer uma das iguarias relatadas. Mais interessante que o repasto era a possibilidade de, juntamente com os meus primos, nos vestirmos de "madamas", fosse lá o que isso quisesse dizer. Com um bocado de sorte, para lá dos farrapos arrancados a ferros dos baús antigos, ainda se tinha direito a uma máscara bizarra, apertada com um elástico que fazia as orelhas gemer de arrepios. E podia-se encher um saco com farelos ou "bulharacos" e atirá-los aos transeuntes desprevenidos. Ou atirar com "estourotes" para assustar. A modernidade trouxe as pistolas de água e, com elas, o direito a levar um valente piparote por ter molhado quem não devia.

Para lá das manifestações infantis, uma houve que, pelo seu sentido burlesco, me marcou. Desconhecedor, enquanto rapazote, das mais profundas tradições aldeãs, pela calada da noite, acompanhei um grupo de galfarros (e galfarras...) que se aprestavam para presentear a vizinhança com as "cacadas". Por ter percebido mal a coisa, confundi um "c" com um "g" e intrigado fiquei pela forma como iria aquele grupo silencioso distribuir os produtos de "arrear o calhau". Confesso que fiquei desiludido, por um lado, e aliviado, por outro, quando percebi que a ditas "cagadas" eram, afinal, "cacadas" e que provinham de cacos e não de desperdícios fisiológicos... Ufa!...
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