Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Anormalidades meteorológicas

Os impropérios do tempo, não os do malfadado que corre sem sequer dar permissão a uma breve cavalgadura ao ponteiro dos segundos, derreado pelo peso da vontade de uma fugaz atrocidade de regressão temporal, ou paragem apenas, leve, suave, candidamente decorada a infâmia de troca das voltas do que estabelecido está. Não esse tempo... O outro, meteorologicamente louvado em boletins de gente que sacia a avidez de controlarmos o que, climaticamente, incontrolável é. Simplesmente, chove... Olha-se a abóbada, desesperadamente olha-se a abóbada, a celeste, perscrutando o infinito, salvaguardando a irreprimível vontade de descortinar uma estrela, uma estrela apenas, uma que seja, lá longe, perdida no horizonte do desejo. Não há estrelas, visíveis que sejam, tão só esta cadência de gotículas que fustigam o ar, amena temperatura de um Dezembro que se queria pingado a gelo, neve que fosse, alva, pura, temperada a Natal, a Inverno seja, mas fria, deliciosamente fria, atormentadoramente fria, gelada até. Mas não! Chove, apenas chove. Desesperadamente, chove, sem frio, sem termómetros flagelados pela geada, sem aragem que enrijeça a alma. Anseia-se pelo choque térmico que cura as carnes, vergastadas por um gélido vento que desperte o mais morfinizado dos neurónios, e nada. Nada de nada! Resume-se o exterior à insanidade húmida, temperada, desprovida de aromas a Inverno, privada da agrestia que empurra umas luvas ou um cachecol que afaguem a epiderme. Ergue-se o olhar e assiste-se à impavidez da Lua, cheia parece, assemelhando-se a um desolado par que aguarda pelo convite de desenfreadas nuvens que dançam ao som de uma orquestra de silêncio quebrado pela percussão de gotas que, aleatoriamente, se estatelam de encontro à desolação de um chão molhado. É a prosápia do tempo, incólume, insondável, imbeliscável... É a altivez de uma incontrolável e inatingível forma de rasgar o canto do gelo. É o "catantcho do tempo que se m'aparece q'stá a mangar co Imberno. Ou só q'ria um cibeco de frio"...

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