Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quinta-feira, 15 de julho de 2010

A terapia dos enganos

Folhear a imprensa escrita da pretérita semana revelou a voz de um assustador monstro: os custos da interioridade. Os efectivos e aqueles que, a longo prazo, hão-de deixar mossa pela deglutição encapotada dos parcos recursos de que uma região dispõe. Ao abrigo de uma propalada reforma na Saúde, encerraram-se serviços básicos, numa clara demonstração de prepotência que baldados esforços de alguns não conseguiram suster. A pretensão de reduzir custos, à custa da saúde de uma população envelhecida, redundou no incremento da noção de que os “selvagens” transmontanos estão, cada vez mais, entregues a si próprios. De forma contraproducente, vão-se recebendo os amargos rebuçados do engano, aplaudindo projectos solidários nascidos de submersões ou saudando chegadas de atrasadas hélices. Hélices que, pelos vistos, não funcionam quando são precisas. A inoperacionalidade das ditas, na presença de dois graves acidentes que marcaram, infelizmente, os concelhos de Valpaços e Bragança, veio a lume na dita imprensa escrita. E todos ficámos a saber que todas aquelas quase indecifráveis siglas que incluem VMERs, SIVs e afins, gerida a sua operacionalidade por um CODU que, sei lá, está sob a alçada do INEM, o qual, por sua vez, deve ser gerido por uma qualquer FGSDD (esta é inventada…), afinal não passam de veículos devidamente artilhados, profusamente decorados, mas que não dispõem de pessoal médico suficiente para darem resposta às necessidades das populações que se viram amputadas daquilo a que, ainda que não funcionado devidamente, já estavam habituadas. O infeliz desfecho que teve o acidente de um transmontano que, no decorrer das suas actividades, ficou debaixo de um tractor agrícola, não teria sido diferente caso tivesse ocorrido há alguns anos atrás. Porque os meios tardariam em chegar a uma das muitas remotas aldeias transmontanas e, ao que pude constatar pelo veiculado nas notícias, os ferimentos eram de gravidade considerável. Contudo, talvez, e não ultrapassando uma mera base hipotética, a rapidez de meios que um helicóptero representa tivesse ocasionado a salvação de uma vida. Mas estava inoperacional… Pelas más condições atmosféricas? Não… Por uma qualquer avaria, resultado de falta de manutenção? Não… Por falta de pessoal médico? SIM!!! E, já agora, um aviso a todos os transmontanos: acreditando no referenciado pela imprensa, a terem acidentes que exijam a rápida intervenção de meios de socorro rápidos, evitem tê-los nos próximos dias 21, 22 e 30. Porque, numa tal de escala de serviço para Julho, o helicóptero sedeado em Macedo de Cavaleiros, estará inoperacional nesses dias, por falta de médicos… Um dos deputados eleitos pelo círculo de Bragança mostrou a sua indignação, entre outras coisas, pelo facto de «as populações transmontanas estarem a ser enganadas». Senhor Deputado, só se apercebeu agora? Mais vale tarde, que nunca...

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