
Macedo é uma jovem donzela no mapa concelhio nacional. Durante largos anos as suas história e identidade foram confundidas com lendas de maças e cavaleiros. A bem da verdade, parece-me, honestamente, que a história e a identidade estavam omissas do quotidiano macedense. Contingências dos tempos ou ausência de quem tivesse a coragem para desenterrar o passado. O último decénio trouxe à tona uma realidade distinta. A obscuridade em que a história macedense viveu mergulhada durante décadas, sofreu um duro revés.

Hoje, já é possível termos os nossos heróis, ressuscitados que vão sendo ao sabor da persistência e do labor de um punhado de gente que não se resignou ao fado das lendas. O dia 8 de Maio mais não foi que o fruto desse resgatar. Foi reconfortante perceber que, ainda que moribundo, Macedo caminha para a recuperação. Não se pode exigir que as arreigadas mentalidades sofram uma atroz metamorfose. Tenho fé que à próxima geração lhe seja permitido passear num qualquer Jardim Martim Gonçalves de Macedo, ou numa qualquer Avenida Nuno Martins de Chacim. E estou grato pela oportunidade de ter privado com um dos escritores que marcou a minha juventude, e vai marcando a minha vida adulta. A bem de Macedo e, porque não, de Trás-os-Montes, venham de lá mais diabos que venham ao enterro desta falta de orgulho em sermos feitos de xisto... Pena que os diabos ainda sejam poucos...
3 comentários:
O que importa é que os "diabos" sejam persistentes! Alguns estiveram muito bem nesta tarefa de fazer "renascer" os notáveis de outros tempos. :)
Li o "Diabo Veio ao Enterro" há alguns anos. Curiosamente, foi um dos livros que mais ofereci (e só não o fiz mais porque esgotou) e foi um dos pouco que vi ler a pessoas que habitualmente não lêem.
Pous o mou " O Saco e o Baraço) ebaporou-se!
Bem aja que mo dou, o Pescadinha pois intão ( ou já seria o Luís Vaz?).
E para quando uma avenida Pescadinha? Não sou macedense, mas Macedo há-de ficar sempre a dever àquele Presidente!
Sou fâ do A.M.Pires Cabral e a Câmara andaria bem em reeditá-lo, parece-me. E se lhe juntasse o conto do morgado da Matela que vendeu uma nogueira (do Pires Cabral)
A Magalhães
Cara Deep, os teus comentários são sempre um bálsamo que dá ânimo à persistência de alguns "diabos"... :)
Caro António, não há a "Avenida Pescadinha", mas já existe a Rua Comendador António Joaquim Ferreira (o dito). A versão aqui apresentada de "O diabo veio ao enterro" é a reedição apresentada na homenagem feita a Pires Cabral no passado dia 8... :)
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