Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 6 de maio de 2008

A Semana - Cousas de Escárnio e Maldizer




Só para contrariar o maldizer, comecemos por dizer bem. O jornal Barlavento do "longínquo" Algarve faz menção à manutenção da bandeira azul na praia fluvial do Azibo. Indo mais longe, refere que "é a primeira vez no Programa Bandeira Azul que uma zona balnear fluvial é galardoada cinco vezes consecutivas". Cá bem no fundo, senti um eritrócito a estremecer de orgulho no meu sangue transmontano. Como no melhor pano cai a nódoa, a fazer fé nos valores apresentados no Semanário Transmontano, está previsto um investimento de 3 milhões (sim, 3 MILHÕES!) de euros no novo campo de golfe do Azibo. Estou perfeitamente de acordo com a implantação de uma infraestrutura para a prática de um desporto, ainda considerado de elites, no meu concelho. Mas, 3 MILHÕES de EUROS??? Não sou um apaixonado do golfe, apesar de já o ter praticado e de ter iniciado o meu contacto com o dito desporto (?) sendo caddie (um amigo convenceu-me - e era verdade - que se ganhavam uns trocos extra de fim-de-semana em pura diversão). Mas, mesmo não sendo um apaixonado, enquadro-me no grupo dos que concordam que qualquer investimento público é bem vindo para uma região com poucos atractivos comparativamente com o litoral, isto se exceptuarmos os de carácter natural. Porém, por valores deste calibre, haverá, seguramente outras prioridades. E, a crer nos números apresentados (e aí, confesso que sou um leigo), é possível a construção de "quinze bons campos de nove buracos", segundo o cronista Manuel Bandeirinha. Assim sendo, gastem lá os cerca de 350.000 € num campo de 9 buracos e apliquem os restantes 2.650.000 €, por exemplo, para comprar o excedente de produção de batata do Nordeste transmontano... Os agricultores agradecem e eu neles me incluo.

Por "falar" de investimentos... Parece que vem aí a "plantação" do parque eólico da Serra da Nogueira. Mesmo com as possíveis contestações ambientalistas (que serão, provavelmente abafadas pelo presidente da PENOG, Carlos Pimenta. Lembram-se dele?...), é um investimento bem vindo, em especial para um país que não é auto-suficiente em termos energéticos. E, afinal, sempre que passo no Alvão, as hélices até que não destoam muito na paisagem. No máximo, e dependendo da localização, apenas teremos que nos habituar a uns pirilampos maiores que o habitual a piscar a norte...

Para o fim fica o 25 de Abril. E as polémicas declarações da Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros na Rádio Onda Livre. Sinceramente, não percebo a celeuma: a revolução dos cravos não significou a liberdade de expressão? Mesmo que na Constituição esteja vedado o uso de símbolos de extrema-direita... As declarações de Sílvia Garcia são normais, baseadas no direito de auto-expressão e enquadradas num problema gravíssimo que afecta a nossa sociedade: a Educação (ou a falta dela...). Não ouvi, nem li, que a Sra. Vereadora tenha apelado à repressão nem à castração de liberdades individuais. Não ouvi, nem li, que tenha sugerido a ressuscitação da PIDE. Não ouvi, nem li, que tenha dito qualquer expressão com qualquer conotação a políticas fascistas. Li, sim, declarações que revelam uma grande maturidade com a percepção de que este país, em termos educativos, já não está de tanga: recuou até aos tempos em que o primeiro Australopitecus ganhou a bipedia e desceu das árvores. E não, não precisamos do Salazar. Precisamos de gente que não se aproveite politicamente de expressões que considera infelizes e que se preocupe com a infelicidade que é estarmos (todos) a contribuir para uma geração ainda mais "rasca" do que a antecessora e que mereceu esse "elogio" de um anterior governante...

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