Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 6 de novembro de 2011

Paradoxos da interioridade

"Something is rotten in the state of Denmark"... Ou, corrompendo Hamlet, olvide-se um dos reinos vikings e adapte-se shakespereana tirada: "algo vai mal no Reino das Pedras"... Os resultados preliminares dos Censos 2011 causam-me alguma confusão mental. Talvez, num assomo de coragem, me veja na contingência de um regresso à saudosa Escola Primária - terei mais apreço em ser um aluno "primário", ao invés de aluno "básico" - local onde poderia apreender, de novo, as vantagens da aplicação de mentais cálculos. Circunstancialmente, na pior das hipóteses matemáticas, existiria a probabilidade de o meu par neuronal se abstrair da confusão, mais não fosse através de um compulsivo puxão de orelhas que lhe avivasse a destreza, e detivesse a capacidade de perceber o quase inversamente proporcional. Não será novidade para ninguém o culminar de um processo que se iniciou há algumas décadas. O concelho de Macedo de Cavaleiros, na mesma senda dos homólogos da interioridade, vem perdendo população. "Im Westen nichts Neues" - "All Quiet on the Western Front" - ou, recurso a nova tradutora corrupção, desta vez ao soldado Remarque, "A Nordeste nada de novo"... A confirmar a tendência de ermamento, nesta insana guerra de fomentados despovoamentos, a população macedense decresceu uns "meros" 9,2% em apenas um decénio. Recorrendo ao "observatório do positivismo", há territórios concelhios em pior estado de degradação populacional... Mas regressemos à Escola Primária... Seria aritmeticamente lógico que a um decréscimo populacional equivalesse uma mesma tendência no que ao património residencial respeita. Ou, alternativamente, já que a perenidade de tijolos e betão ultrapassa largamente a de carne e osso, que as taxas de crescimento urbanístico se mantivessem próximas do zero. Mas, incongruências do geral estado do Reino Pétreo, não só o número de edifícios se viu inflaccionado em 10,6%, como o número de alojamentos teve um inusitado crescimento de 14,4%! Ora, se diminui a gente, para que servem mais alojamentos? Em jeito de tentativa de limar um pouco a minha ignorância, em 2001 existiam no concelho macedense 0,59 alojamentos por cada habitante; em apenas dez anos, esse número aumentou para 0,74... Poderia tal ser representativo de uma substancial pujança económica, caso a tendência demográfica fosse no sentido ascendente. Mas no actual estado de coisas, que significado terá o ilogismo? Haverá alguém que detenha a capacidade de me explicar o paradoxo, como se eu fosse uma criancinha a gatafunhar com giz branco num quadro de negra lousa?...

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