Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 14 de agosto de 2012

Rumando a Nordeste - II Encontro de Escritores Trasmontanos

Desdobra-se o tempo vagueando pelas vielas, sob um sol escaldante, a insanidade de correrias tantas em busca de um qualquer éden. O batimento dos ponteiros a acabrunhar-se perante adrenalínicos ritmos respiratórios, a expiração lançando atoardas à inspiração, desregulam-se os passos num vai e vem, sobe e desce de invisíveis degraus. Os sonhos são, inúmeras vezes, dotados de crença... É lançado o repto, fasquia de intransponíveis altitudes, alterna-se o "rewind" com o "forward", entra-se em "pause" vezes outras, sustém-se o inadiável em incursões de querer, monte acima, monte abaixo, param os grãos de areia numa inventada ampulheta redesenhada a xisto e granito. Ao longe, o paraíso, ondulação pétrea entrecortada por vales de um qualquer esquecimento - mas vale a pena o olvido! É só mais um cheirinho a vento, uma pitada de rajadas no escalpe, aspira-se o pó das nuvens, o Encontro é já ao virar do próximo fraguedo. Incrementa a intensidade dos dias, há aquele pormenor a não esquecer - «- Aponta aí na "check list"!» - fugacidade de instantes sobrepostos a instantes, vulgarizam-se pegadas da memória, amontoam-se pausas de fé, lá dizia o poeta dos heterónimos aquela coisa sobre o sonho e a obra... E a dita nasce!    
Apruma-se literário adro, mais para a esquerda, desvia à direita, graves e agudos afinados, inunda-se o espaço a vocalizações de ensaio, prenúncio de imagens de um Reino, espanta-se a gente com azáfama tanta, vai a noite alta, que amanhã é dia de "satcho"... «- Bá, bou-m'à deita q'amanhã tânho que star guitcho!»... Soam os últimos impropérios às bruxas, saem figas de bom comportamento, despedidas de breve trecho, que o dia há-de começar a energias de letras, contos, ditos e... feito! A suave ânsia de ansiado dia, tudo a postos, alinham-se as mentes para o inusitado. Venha a envolvência dos dias, revejam-se velhos amigos, saúdem-se desconhecidas faces, surpreenda-se a alma com o inesperado. Abafa-se o burburinho com o trovão, repentina entrada com o Reino Maravilhoso a aplacar a sede de pertença, toma a emoção conta do aglomerado, faces em desalinho de sorrisos, preenche-se a alma a tonalidades de encanto. De súbito, "Trás-os-Montes", na versão de Teodoro & Cia., incursões à inocência da malvadez do estranho ritual de passagem da infância à adolescência. Memórias de um tempo aldeão readaptado a pena de Tiago Patrício, solenidade de um préstimo a um pretérito futuro. Correm os instantes ao sabor da essência, molda-se a atmosfera a conversa, sente-se o intimismo do espaço, agruras do âmago temperadas a gosto. Mais prosa, menos prosa, saia da ementa um "Alustro", sequências de retratos de um sentir trasmontano, seja lá o que isso for, sente-se, não se explica, corre nas veias, eritrócitos moldados a hemoglobina dos penhascos. Ressuma a seiva, o dizia Torga. Parada e resposta, cheira a uma qualquer transplantação para cá do Marão, a capital do Reino em genética translocação. Sai mais uma Posta à Cavaleiro, condimentada a ancestrais sopros, o António não deixa o dedilhar na gaita-de-foles apagar a memória de idas jornadas acolitadas a sons de arrepio. Entretanto, contam-se as espingardas, o fulgor das horas amansado por amena batalha de um inexplicável querer, talvez tenha sido reinventada uma forma de estar. Afinal, Macedo está vivo, não o Martim de estocadas outras, rejubilam os crentes de ousadia tamanha. E Trás-os-Montes vivo está, juntem-se as pedras que castelos se erguem... Tempos haverá para toque a finados... Por enquanto, siga o cortejo de um estranho sentir, é uma doença que se pega e apega, por contágio, quiçá, o dizem os adoptados, que não basta nas pedras parido ser para o Reino engrandecer. "Trallosmontes" é assim, entranha-se, insondável genótipo talvez. Clamores do crepúsculo, vêm "os anjos nus", pirilaus na amálgama, abafam-se pudores com o mágico comunicar da mestria do inigualável A. M. Pires Cabral, metamorfoses em "anjas nuas", navegam indisfarçáveis sorrisos por ilustre assistência. Venham de lá os autógrafos, lavra para a posteridade, revelam-se sons outros, a Sara e a Helena, violino em desafio ao piano, cumplicidades de clássica euforia, adultere-se o adágio, que filhas de escritor sabem tocar, não fora a pauta rabiscada a uma qualquer demanda do ideal. Terminem literárias incursões, folguem os costados de tertulianos debates, hora da descompressão, brinde-se à vivência numa harmonia esquissada a sabores da terra. Dizem-no "mata-bitcho", deslocado, certo é, mas isto de matar o dito que rói estomacais paredes é quando um homem quer ou, para radical não ser, quando o cerebral centro de controlo se estabelece de armas e bagagens no local onde prolifera clorídrico ácido. Reconforte-se o troar do "butcho" a alheira, tempere-se a um "cibo" de presunto, um "carólo" por companhia, um "tantinho" de divinal queijo. Excitem-se gustativas papilas a incomparáveis doces da Lu, anime-se a gula a inesquecíveis bolachas de Lu outra, acomode-se alimentar bolo a néctar dos deuses, reconforte-se a alma a verdes caldos. Assim, na simplicidade de um inimitável espaço, na intimidade de gente com quem se gosta de estar. Poderia ter-se passado numa livraria. Mas não... Passou-se na Poética...         


1 comentário:

Virgínia do Carmo disse...

Perfeita descrição de uma aventura onde couberam tantos momentos e emoções - e até algumas palavras novas!

Eu não saberia contá-la melhor.

Beijinhos, Rui :)