Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sfouras d'algua proa...

Bai-se pur um strafogueiro, trai-s'ua gabela de guiços e ua pinha, tchisca-se-l'um dus lumes, amanha-se bem a cousa pra que num haija muntas falmegas, num bá o catantcho do diabo ingaliar-se co'as as côtras do tchupão... D'ás bezes bota-se-m'esta buntade d'infardar um cibo de lombo de reco d'adôbo, "desprezo dando ao evoluído lombo de porco em vinha de alhos". Puri, na companha d'um bô púcaro d'smalte tchêo de pinga, dasquéis azuis ou brumêlhos que já nim na feira dos bint'nobe se bendim e que ficum mêos smoucados se cairim ó tchão. Ua pinga que d'ás bezes anda à bulha co'as goelas, "adstringente a dizem", tirada dasquéis pipos que dromim no tchão ó lado da loije. Se calha, bem m'ou finto que num mim'augue, mim pirongo se m'assaiu o home, inda m'amarro ó pé do tchupão pra rilhar uas costelazinhas, imbuligo os dedos de guerdura pra depeis os limpar ó rodilho. Carai!, num se m'acalmum us pur dentros co'as bistas dus tchouriços imbarrados no fumeiro. Bô, inda m'astrebo a subir a um motcho co'a peliqueira e racoso ua alheira e ua linguiça... Que bos-jiu digo ou, stou-le c'ua sapeira ó caralhitchas dos lambiscos, pr'áli a mangarim das nhas bistinhas, q'inda l'infio ua lostra nas bentas qui us pintcho da bara sim les cortar o fio. Ma num sei se m'astrebo a cear, stou co'a pança mêa intchada das casulas e do butelo, e inda se m'assaim uas cousas dus pur dentros, d'home que stá mêo infastiado. Cmu quera, um copetcho d'augardente amanse a bulha... Bou puri á'cmudar a tenda, lebo-l'a bianda ós recos, um cibo de farelos às pitas e ós parrecos e um tantinho de nabal afermentado à ruça, a burrica que toquei há um cibo da lameira ó pé da corriça do Ti Tonho Mouco. Cmu quim num trabuca num manduca, já o dezia o mou abó, bou-me desabagar o lar e botar o natcho ó ar da neite, já se le sente o tcheiro do carambelo, miúda giada há-de star prós que madrugum. Bá, bou-me pur a samarra, im antes q'o lombo fique mêo ingaranhado, e já bânho pra scruber mais uas tchalotices... Bô, ele há cousas do catano, inda trás d'onte a Tchica do Ti Zé dos Poulos staba mêa imbutchinada pur u causa dos lapouços que se l'abancarum no scano a racoser-l'o presunto e ós queijos. Ou bem no dixo q'era milhor irmos a drumir, q'era hora, mas a companha quijo mais ua pinga... Depeis foi lubar c'o Ti Zé a ingaliar-se co'a a Tchica, ua lostra prá cá, ua tapona pra lá, apareciam-se cum deis cutchos danados, quase se m'abria a cabeça ó berde c'um testo que buou pró pé do scano. Lá acalmemos a bulha, que se debem ter intendido ó depeis nas palhas, q'um home e ua mulher lá têim as suas desabenças, mas deis pares de pés sim miótes lá s'amanhum ó quente... Digo ou... Mas num me bim imbora sim scurritchar o copo, q'a pinga do Ti Zé sbara bem pur as goelas... Mas botaba ou faladura pur u causa da Tchica... Lubaba ou a bianda ós recos e quase q'intropeçaba nos tchanatos da mulher. Ficou mêa spritada assim que me biu. Inda pensei que nim as buas neites me desse, mas o catano da mulher, q'é dada a uns bruxedos mêos descontchabados cá pró mou modo de ber as cousas, inda m'arreganhou os dentes de tão contcha pur me ber. Peis num é q'o diatcho da saieira quer que bá lá ciar na Sêsta? E fria-se no crutcho! Q'ou sou mim guitcho e zeconfiado! Bem m'ou finto que num me bote pra lá uns pruparados no caldeiro, puri uns ruquelhos dos benenosos, ou injaldre uns cibos de pós dasquéis que botum as gâmbias d'um home na companha de cajatas! Staba munto daimosa prós mous gostos, q'a mim num m'ingana! Já ua bêze um home me cuntou q'andou deis meses d'sfoura, queitadinho, à conta d'ua galdéria c'má Tchica. Ou bem no sei quim num bota outra bêze o sim-senhor no scano do Ti Zé dos Poulos!... E num é pur as nhas nalguinhas, que bus-jiu digo ou! Q'essas preferem dar um tchi-curação pur u causa d'uas carabunhas do que serim racusidas q'ua sfoura d'andar sempre a strumar o monte... Co estas cousas, já se m'apagou o lume, tânho q'ir pur um capão, q'inda fai uas brasecas, se l'afolar um cibo. Depeis inda me bou astreber a um copetcho, c'um carólo, um tantinho d'isco, e uas alcaparras q'inda tânho pr'áli amanhadas. Só pra num ir im augado prá deita... "Por vezes, orgulhos da alma, deixo-me encantar por este apreço no recurso uma ancestralidade moribunda. Posso não lhe tolher o destino, mas deixo-lhe registadas as causas. Tudo não passa de" sfouras d'algua proa...                         

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