Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 10 de julho de 2011

A sustentável riqueza do ser

Um Museu de Arte Sacra... ou a (des)sacralização de um povo parido com arte... A cultura ter-se-á democratizado, numa peculiar forma de livre acesso com vedações na conveniência, permanente beliscabilidade na independência de metamorfoses de Ministérios em Secretarias. Falácias da inversão de cadeiras... O resgate do fantasma, féretro transformado em arte, foi, emancipação de grupelhos, uma obra de arte em si. Subjectivas visões, o Museu de Arte Sacra de Macedo de Cavaleiros é um ícone. Lavrado a emoções reguladas por um paternal poder, ainda que o parricídio pareça soar a prática comum. É um jogo de sedução onde o arado revolve a terra numa plena fusão, coitos da alma, que se dane quem por baixo está, ou a subversão em nome da táctica. Talvez sejam reminiscências de astrais cultos legados pela ancestralidade Zela, revivescências de humano heliocentrismo, irradia calor na efemeridade de um convencimento das massas, habituadas que estão ao despotismo do asfalto ou à ditadura do betão. Infames tabuleiros de protagonismo rubricados a presumível hipoteca de futuro... "Ma racosa o carbalhtchas, que já stou a infiar a seitoura unde num debo e inda m'astrebo a que me capim. Bô, q'isto num é Intrudo e num me bou disfraçar de berrão"... Devaneios à parte, pinceladas de acidificação da alma, reconheço esta embriaguez pela absorção de culturais vapores com proveniência na Casa Falcão. Olha-se uma vez, duas, ou a infinidade de um permanente olhar, refreia-se o exacerbado ciúme da Maria da Fonte, paixão de anos muitos, sente-se o transtorno do eriçar da pelagem. Irremediavelmente, surge este invulgar apelo de entronização da génese. Parece não haver regressão possível nesta inusual atracção que parece corroer os dias de fora para dentro. Paradoxalmente, aprecia-se a corrosão... "Cada tchotcho co'a sua panca"... Haverá sempre um qualquer abafado grito da crítica, mais não seja pela possibilidade de a mesma fazer parte de um inatismo como filosófica corrente, mas sinto uma irreprimível vontade de aplaudir a visita de Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura. Não exclusivamente pela cultura em si. Afinal, as navegações pelas injustiças ao desterrado povo encravado atrás de serras e penedias têm tributos destes. Efémeros, é certo, mas cheira a sublimação de migalhas para quem faminto está. Honra seja prestada a esta espécie de vénia aos representados, sublinhe-se o invulgar, louve-se a pedrada no charco. Mesmo que a heterogeneidade dos representados se resuma a uma singular homogeneidade... Subtilezas de "cancelos cerrados c'um carabelho qualquera", ou um "guitcho ólhar pur cima do scano"... « - Fetcha lá a matraca, atão num bês que stás a ser mim lorpinha? Inda te racoses cum esse'strejeitos de quem sprita lacraus»... « - Bai-t'ós poulos! E frias-te no crutcho, q'ou num m'acagaço s'o feitor s'imbutchinar! Nos'Senhor num me dou miólos só prós bitchinhos os cumerim!»... Folga o vilipêndio, entretanto, e exalta-se a essência. Ou tenta-se... Revivescências do pretérito, ressuscitações do que parece moribundear. Serão vãs tentativas de vida dar ao que finado parece estar? Ou paliativos cuidados brotados desta inexplicável sedução pela terra que deve o nome às maçãs. Fosse a excepção do solar uma regra e visibilidades outras ressumariam. Intransigências do ser, a distinção da terra-mãe resumida não está à excepcionalidade de um soberbo reaproveitamento de um solar condenado ao cadafalso. Ainda que visibilidade outra tivesse com original acesso, deslumbramentos de alpendre precedido de aristocráticos degraus. Mas isso são contas de rosários meus, afinidades com a beleza em detrimento da operacionalidade... Não será obstrução a renovações de investidas, tal o encanto. As paixões explicação não têm, deixam-se fluir ao abrigo de repetidas catarses da alma. São arrepios que se fundem no âmago, vivências que penetram no impenetrável, abalos de metafísica justificação. O Museu de Arte Sacra é detentor desse encanto. Está lá, brilhante, ao virar da esquina do abandono, baú de memórias, depósito de luzidios e inanimados seres contadores de histórias, resgatados ao desprezo de atrozes adulterações pela obstinação de um punhado de gente que lê a herança a indecifráveis símbolos. Tiro-lhes o chapéu... À Autarquia, porque em boa hora adquiriu um imóvel e o iluminou a orgulho; à Diocese, porque incentivou a inventariação e o restauro das peças; e à Associação Terras Quentes, inexcedível parceiro na empreitada de rejuvenescer a moribundez. E a Francisco José Viegas porque, interpretações de leituras várias, homenagem prestando à municipalidade museológica, mediatizou o que mais mediatizado poderia estar. Mesmo na fugacidade de digna passagem de périplo que transfigurou este pedaço de terra assemelhado a enclave... Na brevidade de umas horas reassumimos o papel de efectivo território do soberano país parido pela pertinácia da afronta do Afonso à progenitora. E vergo-me perante esta obstinação de repudiar a insustentável pobreza do ser que me tentam impor os vendilhões do templo...

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