Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sábado, 8 de janeiro de 2011

A improbabilidade provável


Um dos obscuros aspectos da cidade parece ter subido, definitivamente, à província. Enfermidades dos tempos modernos. Hediondas enfermidades, direi... A recusa na crença foi deixando esta publicação a marinar. Prolongou-se a marinada dias a fio, à espera de um qualquer ingrediente que lhe alterasse a excessiva acidez. As consecutivas provas foram revelando que os potenciais receios em vão não eram... Ao invés de condimentos básicos, ao composto foram sendo adicionados, quase diariamente, temperos que lhe diminuíram o pH. A culinária dos dias também tem direito às suas desventuras... Casos há em que as ditas desventuras deixam o acre sabor do fel... Assim, amargo, arrepiante, capaz de ressuscitar finadas papilas gustativas... Assemelhe-se esta "cousa" a uma dúvida existencial, uma daquelas em que se duvida até da própria existência da dúvida. Ter-se-á instalado o crime em Macedo de Cavaleiros? Ou terão chegado os ventos da impunidade? Inocentemente, vou-me debatendo com as novas (velhas) provenientes da terra-mãe. No último mês, as novas transfiguraram-se, inusitadamente, em... novas. Ora são ajustes de contas que incluem uns balázios nocturnos... Ora são simulações de raptos... Passando pelo descaramento do furto, em plena via pública, de uma carrinha de distribuição de pastéis... Ou de uma máquina de lavar de uma loja de electrodomésticos... Terminando no sacrilégio do furto de uma imagem do séc. XVII do Menino Jesus, do interior da Igreja de S. Pedro... Será impressão minha, estarei com algum delírio persecutório, será algum complexo momentâneo? Dirão os mais moderados sectores, aqueles que tratam de depositar as culpas nas desigualdades que eles próprios criam, que esta "cousa" não passará de uma perversão da realidade, levada a cabo por uma cambada de conjurados, numa mediática conspiração para tomar de assalto a pacatez da gente. Mas, entretanto, vamos sendo assaltados... Será por gente do RSI? Será pelos vitimados por xenofobia? Será pelos desgraçados que engrossam as estatísticas? Será pelos que lutam por certas liberalizações? Será por nós próprios? Ou pela santa ironia?... Irrisórias apreensões perante as estéreis querelas diplomáticas entre o Cavaquistão, a Alegrândia, a Nobrânia e afins territórios deste enclave presidencial... Siga a dança que o povo está cá para dançar segundo os acordes que lhe impõem. Como mau dançarino, limito-me à inconveniência de repensar algumas coisas. E, verdade vos digo, começo a pensar se não trocaria, de bom grado, esta merda de liberdade por um pouco mais de segurança... Acidez dixit...

1 comentário:

Virgínia do Carmo disse...

Pois... há uma espécie de anarquia a crescer como erva daninha, atravessando todas as fendas da decência humana. Fendas que uma sucessão de terramotos intelectuais e mentais permitiu ao longo dos últimos tempos. Mas eu já nem sei se isto que estou a dizer faz algum sentido... temo que este caos instalado já comece a toldar-me o raciocínio...
Um abraço, Cavaleiro (sempre) Andante