Soam-me melhor esses sons… Tal como o fazem os provenientes do incomparável concerto nocturno de grilos, acompanhados, ao longe, pelo latido de seres caninos que vão conversando numa linguagem que este humano tentava perceber… Até ter desviado a atenção para uma coruja pousada na antena do telhado em frente. Atenção que a fez zarpar a outras paragens, num quadro inimitável, desenhado à magnificência do bater alado e pintado aos tons alaranjados provenientes da iluminação pública. Magníficas “neites de berão”!… Bem Vindo às Cousas
Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém hai puri irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as'tanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, dàs bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim nos arraiolos ou o meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Anda'di, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te no motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couratcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRASMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS :
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Neites de Berão
Soam-me melhor esses sons… Tal como o fazem os provenientes do incomparável concerto nocturno de grilos, acompanhados, ao longe, pelo latido de seres caninos que vão conversando numa linguagem que este humano tentava perceber… Até ter desviado a atenção para uma coruja pousada na antena do telhado em frente. Atenção que a fez zarpar a outras paragens, num quadro inimitável, desenhado à magnificência do bater alado e pintado aos tons alaranjados provenientes da iluminação pública. Magníficas “neites de berão”!… quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Cousas depreciativamente depressivas
Estou possuído por uma espécie de embriaguez pré-período eleitoral. Lanço, publicamente, um repto: arranjem-me notícias de Macedo onde não seja mencionada, de alguma forma, a acusação de “falta de democracia” na elaboração das listas para as autárquicas! Creio que será o único antídoto eficaz para lidar de modo mentalmente mais pacífico com as acusações a que já fiz referência num post anterior. Ainda que as mesmas não sejam infundadas, que importância têm para a gravidade de factos que assolam a província transmontana? Num recente estudo da Comissão Europeia acerca da pobreza, a Região Norte foi considerada a mais pobre do país. Num âmbito mais abrangente, está incluída no grupo das 30 mais pobres da UE (considerando 25 países). Isto quando as duas maiores fortunas do país se encontram nesta mesma região! Sinto náuseas… Mais grave e aterrador é que Trás-os-Montes é a Sub-Região mais pobre da UE (considerando 27 países)!!!
Apetece-me largar as raízes de vez e mudar-me, de armas e bagagens, para a Eslovénia, para a Letónia ou para o Chipre! Vêm os analistas (aquela classe que sabe de tudo um pouco, um pouco de tudo e nada de nada) afirmar, peremptoriamente, que tal se deve ao desperdício de Fundos Comunitários. Quais fundos? Será que se referem ao PRODER? Aquele programa que tentei aproveitar para revalorizar terrenos incultos e que, de empurra em empurra, de obstáculo em obstáculo, de ignorante em ignorante, me constrangeu a mandar a persistência para aquela parte, tal a forma como fui vencido pelo cansaço de engenheiros e doutores “alapados” numa poltrona de improdutividade em que a regra é “deixem-me descansar até à chegada do próximo ordenado”… Dizem-me as más línguas que foi aprovado um projecto para Trás-os-Montes. Um?!?! Gostaria de conhecer o “sortudo“... Sempre contribuiu para não sermos vergados à vergonha de assistirmos à devolução da totalidade dos Fundos… Pelos vistos, não só somos pobres, como mal agradecidos…
Mesmo que, e ainda segundo as más línguas, o rio Douro (que também é transmontano) “desperdice” 55% da produção eléctrica nacional sem recebermos nada em troca. Deve ser por isso que se mantém a pretensão de passar o “desperdício” para 55,5% com a construção da hidroeléctrica do rio Tua… Se já soava a irreversível, mais se agravou a sensação com o debate parlamentar sobre a Petição “Movimento Cívico pela Linha do Tua”. A Oposição, mesmo que hipocritamente, defendeu a manutenção de um dos paraísos transmontanos, com algumas tiradas que são de registar. Saliente-se aquela em que um senhor deputado afirmou que “nem a linha, nem os comboios sabem nadar, tal e qual acontecia com as gravuras de Foz Côa”. Pois não sabem, mas vão ter que aprender. Ai vão, vão!
“A via férrea deixou de ter utilização, deixou de ser útil para as pessoas que ali vivem e trabalham, que optaram pelo transporte rodoviário”. Esta intervenção, pasme-se, foi tida por um senhor deputado eleito por Trás-os-Montes! É de lhe se tirar o chapéu! Será que das 5.000 pessoas que assinaram a dita petição estão excluídas todas aquelas para quem a ferrovia se transformou em inutilidade? Será que o Presidente da Câmara de Mirandela tem razão quando afirma que esse deputado foi eleito pelo círculo de “Mirandela para cima”? Ou será que esse senhor deputado não se considera representante dos 5.000 assinantes desvairados? Ou terá sido eleito pelos votos da EDP? Apetece-me recorrer ao quase homónimo do senhor deputado (quase porque tem mais o “de Camões” na nomenclatura) : «A dor acostumada não se sente»…
Mas sente-se a dor derivada do facto de a dita Sub-Região mais pobre da UE27 ter eleito um deputado que, dificilmente, voltará a sê-lo na próxima legislatura. Porque nos reduziram para três o número de deputados a ser eleitos pelo círculo de Bragança. Um destes dias igualamos o distrito de Portalegre… Bem vistas as coisas, o melhor seria nem elegermos nenhum. Um dos candidatos cabeça de lista (bem na pole position para nos representar(?)…) é de Penafiel e exerce a sua profissão na Invicta Cidade. Vai defender o quê? Os Vinhos Verdes de Trás-os-Montes?… Perante isto, será assim tão importante a tão propalada “falta de democracia”? Temos é “falta de deputados”, “falta de cuidados”, “falta de riqueza”, “falta de escrúpulos” e, um destes dias, “falta de tudo”… Menos do orgulho em ser transmontano (e macedense)… Por mim falando, certo é… Protestarei até que a voz me doa… Ou até sermos transformados num qualquer Kosovo mesmo à beirinha de Zamora… “Quem tu dixo?”…
H1N1, AVC e outras siglas
Ocasionalmente, a ocupação do lugar de carro-vassoura não equivale a perda de benefícios. O distrito de Bragança está em último lugar em mais coisas do que as que seriam desejáveis. Todavia, só agora cá chegou o primeiro caso da célebre gripe suína (azar de um raio, tinha que ser num macedense!). Cheguei a acreditar que, tal a forma como repetidamente se esquecem de nós, o mesmo viesse a acontecer com a estirpe com variações na hemaglutinina e na neuraminidase (umas “cousas” raras que servem para a “classe iluminada” dizer que este Influenza tem um H e um N diferente da estirpe aviária…). “Cum catancho, atão bamus ter que dar cabo dos recos? Bem mou finto! Tamém se num matarum as bacas quando nus dixerum que ‘stabam loucas, nim se curtarum as goelas às pitas e ós parrecos pur causa du H cincu’e N um‘e”…
Tal o alarmismo reinante, parece que estamos no início do século passado, quando levámos uma vassourada com a gripe pneumónica (aquela que provou que, por vezes, do lado de lá da fronteira, nem bom vento, nem bom casamento, já que também a baptizaram de gripe espanhola). Neste momento, mais conta, menos conta, há, em Portugal, cerca de 0,006% de pessoas infectadas com o dito H1N1. Mesmo que o resultado final possa, nalguns casos, ser mais trágico, o quadro sintomático é em tudo semelhante à banal gripe do conhecimento geral… Mas, dando razão à vetusta expressão de “velhos do Restelo”, estamos na presença de uma pandemia (há que dar escoamento aos stocks de antivirais…)! Prefiro ver as coisas sob outro prisma: há 99,994% de portugueses não infectados! Que a mesma percentagem se aplicasse a outros vectores da sociedade em que vivemos… Por exemplo, imagine-se a existência de 99,994% de portugueses não permeáveis à corrupção, ao tráfico de influências, ao “tachismo” e ao “amiguismo político”? Isto sim, seria uma pandemia (não adversa)! Utopicamente falando… Utopias à parte, vivamos de realidades. E de episódios que as confirmam… Há uns anos, fracturei um dos membros superiores. Nada de especial, só um fracturazinha exposta, acompanhada de umas dorzecas insuportáveis… No tempo em que um macedense não era encaminhado para o CHN-UHB , mas se ficava pela UHMC (que era HDMC), fui presenteado com a benesse de um “sô dotor” que me garantiu que me tinha saído a lotaria. Um analgésico local e uma ligadura resolveria o problema menor… A verdade é que não só ganhei a lotaria, como fui bafejado pela terminação: uma perna superior! No dia seguinte, era difícil distinguir o perímetro do meu braço do equivalente no membro inferior… Resolvida a questão por outras vias, alguém me perguntou, com bastante sarcasmo à mistura: «O que querias tu? Em Macedo cura-se uma gripe, e mal!»… Desconheço se o alguém tinha razão. Mas não deveria ter. Porque, nos dias que correm, o CHN até já é detentor de um plano de contingência para a dita gripe (mesmo que seja afirmado que não há internamentos para os “Influenzas“)… Mas a evolução não termina nos planos de contingência… O CHN-UHMC já está dotado de uma unidade de AVC. Com as respectivas recomendações para os familiares remeterem o doente com AVC para a UHMC nas três horas seguintes aos primeiros sintomas. Pergunto-me eu, na minha ingenuidade: quantos familiares sabem quais são os primeiros sintomas? E, já agora, porque a linguagem utilizada, abusivamente, em certos círculos restritos, é fantasmagoricamente fantasmagórica, como raio se faz trombólise na Argana, em Gralhós, em Vila Nova da Rainha ou em Soutelo Mourisco?
Ainda se houvesse aquele veículo munido de hélices há muito prometido… Cá “pra” mim, ou se perderam as hélices, ou a vergonha, ou estamos com eleições à porta… E num amanhã muito breve não terei mais motivos para reclamar da inexistência do veículo voador do INEM… Até lá, este “cu do mundo” (na visão da classe política) ainda é “Um lugar para viver”. Pelo menos foi incluído como tal na nova série da RTP filmada na (moribunda?) Estalagem e no Azibo. Aquele sítio que o DN considerou “um pequeno paraíso escondido no Nordeste Transmontano”… Neste limbo em que nos é prometido o Céu enquanto se (sobre)vive no Inferno, é reconfortante ter o Azibo como um dos poucos paraísos que nos restam… O meu espírito maquiavélico diz-me que a nossa sorte é não lhe poderem fazer o mesmo que pretendem para outro dos paraísos restantes, a Linha do Tua… Ou será que, passe o pleonasmo, ainda arranjam maneira de submergir o Azibo? Sei lá, “cum catancho“!…
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Semanas Masaedenses
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Crónicas Lamacenses
Crónica de umas férias anunciadas
Ano após ano o ritual repete-se, assumindo uma forma de deja-vu. Elabora-se a lista das coisas a não esquecer (esquece-se sempre alguma coisa…), atulha-se a mala do carro de forma a assemelhar-se a uma viatura com destino a alguma feira (cabe sempre mais alguma coisa de última hora…) e inicia-se a aventura para mais um estágio por terras macedenses. A etapa de quase 200 km é efectuada em modo de piloto automático, seguindo o trajecto de sempre… Utilizando os protestos de sempre, com as “lesmas” que tornam o IP4 ainda mais lento… E sentindo a mesma ansiedade de sempre em rever as gentes e os locais que contribuem para o desenho daquilo que sou. Apesar da repetição de procedimentos, uma qualquer ida a Macedo não perde o encanto.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Cousas da Festa de Lamas
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