Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém hai puri irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as'tanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, dàs bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim nos arraiolos ou o meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Anda'di, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te no motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couratcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRASMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS :







sábado, 14 de março de 2009

Maré de cousas escolares

E já que estou nesta onda de "recuerdos" infanto-juvenis de âmbito escolar, seria injusto restringir-me à glorificação de episódios "trochianos". A verdade é que tudo começou na "Menin'Ád'laide". Ainda mal tinha largado os "cueiros" e já me via de volta de uma lousa preta e de uns cadernos mal "amanhados". Ou a precocidade da escrita... A verdade é que foi a "Menin'Ád'laide" que colocou o imberbe a ler e a escrever antes do tempo. Mesmo que tenha recorrido a umas "taponas" ou a uns "coques" pelo meio. Que nessa altura ainda não havia CONFAP's e Comissões de Protecção de Menores, mas havia respeitinho. E as "lostras" seriam extensíveis ao conforto do lar, caso a ascendência tomasse conhecimento dos indícios de "mau comportamento". Para evitar males maiores, o melhor era recorrer ao expediente da mnemónica para não esquecer nenhum dos "versos" da cantilena da tabuada. Certo é que já fui para a "Primária" com a lição meio estudada... Nessa época pós-25 de Abril, em que os valores da religião, da pátria e da família permaneciam enraizados, ainda se rezava, timidamente, com hino nacional à mistura. E ainda era época de reguadas e de nomeações para o próximo a presentear a "senhô prussora" com uma varinha de transformação de orelhas rosadas em exemplares escarlate. Assustadora era aquela tábua decorada com uns "furinhos", destinada a sugar a palma das mãos sempre que se saía dos eixos. Soubesse-se lá qual era o conceito de "eixos"... É que o dito podia variar, consoante o sol nascesse a Este ou a Oriente. Visto está que a variação também não era muita... Variadas eram as matérias que os "indefesos" meninos (e meninas) tinham que interiorizar. Bem haja, D. Maria Cândida, pelas indeléveis marcas que me deixou. Não as dos açoites que, felizmente, foram bastante reduzidos. Refiro-me, antes, às capacidades de raciocínio matemático, com as contas de dividir e multiplicar "com muntos númaros" que, ainda hoje, me permitem não ser calculadora-dependente. Ou ao "massacre" que representava a infindável lista de unidades de medida. "Castigos" esses que me capacitam para ajudar a minha descendência a entender o que para eles, segundo os preceitos de ensino da actualidade, é inentendível. Coisas do "velho ensino"... Aquele que, passados bastantes anos, ainda me permite ter noções elementares sobre geografia ou história de Portugal. "Tadinhos" dos meninos de então, que eram obrigados a conhecer Portugal de lés-a-lés, com rios, serras, distritos e cidades à mistura, na "ponta da língua"! A verdade é que agradeço ter tido o ensino que tive e, particularmente, a professora da "velha guarda" que teve a paciência para mo proporcionar na "velhinha" escola do Toural. Com o novo complexo escolar à porta, espero que tenha a mesma sorte que, em boa hora, foi destinada à escola da "Praça"...

Cousas do Padre Trocha e demais aventuras escolares


Há quem lhe dê para não fazer nada... Outros há que lhes dá para muito fazer... E há aqueles que se ficam por uma espécie de hibridez... Dá-lhes para escrever... Seja para resgatar memórias, para recordar momentos únicos, para colocar "no papel" algumas ideias disparatadas... Incluo-me nessa espécie híbrida que ainda não aderiu à maquiavélica escrita dos "k" em vez de "que" ou dos "poxo" no lugar de "posso". Mesmo que parcialmente, devo essa benigna resistência a figuras como o "Padre Trocha". Ou à exigência do seu homólogo Pe. Neto. Ou ainda à insistência do meu "velhote", que me incentivava a ler "O Tempo" ou o "JN", com uns sermões de permeio para que falasse e escrevesse português escorreito. Não que o faça na plenitude, mas vou-me esforçando por isso. Regressando à inigualável figura do "Pe. Trocha", para lá da sua forma única de leccionar e do seu discutível estilo de erudito clerical, possuía algumas características a roçar o anedótico. A começar pela inovação que representou a introdução de um cabo de martelo como auxiliar de ensino. O dito instrumento, para além da sua utilidade como apontador do quadro, servia, nos seus inúmeros acessos de raiva descontrolada, de instrumento de arremesso direccionado a qualquer indígena pertencente à corja de "bardinos" que se atrevesse a ultrapassar os ditames do seu papel de juíz. Como eu até era um "bardino" razoavelmente bem comportado, nunca senti nos ossos os efeitos da cinética dos seus arremessos. Mas não deixava de ficar perturbado sempre que o mesmo ocorria. Por convicção (e, sendo honesto, por receio de represálias) mostrava a minha solidariedade para com os colegas tendo uma participação activa nas manifestações espontâneas de protesto. Que incluíam, geralmente, atentados contra o Fiat Ritmo. Nada de atentados à bomba ou à integridade física do condutor... Mas as batatas colocadas no cano de escape produziam um ruído tal que só era abafado pela algazarra juvenil que se lhe seguia. Um dia houve que um qualquer "ideiota" resolveu inovar, ao verificar que os vidros se encontravam ligeiramente abertos... Jamais me esquecerei que, no dia seguinte, ou uns dias após, do alto do sorriso proveniente da sua nova dentadura postiça, nos comunicou a estranheza da ocorrência de um fenómeno estranho no interior da sua viatura. Dizia ele que lá na aldeia as lagartixas resolveram procriar no conforto do seu carro... Em jeito de confissão, "Sô" Padre, eu fui um dos que depositei uma "podarcis hispanica" no assento da sua viatura... Como tinha por hábito rebaptizar os seus alunos, a mim calhou-me na rifa, como alcunha de guerra, o "Sandeiro"... Vá lá saber-se "pur u quê"...

Cousas de guardas e escola técnica

Apesar do (des)ordenamento territorial e urbanístico que tomou conta da minha "vila", não me coíbo de a visitar regularmente. As origens possuem um apelativo muito peculiar. A cada visita, sou incapaz de resistir à tentação de efectuar a "volta dos tristes". Apesar de, na minha modesta opinião, tudo me parecer um pouco desfigurado, insisto em percorrer as artérias da "vila" em busca de todos aqueles sítios que contêm algo de familiar. Um deles é a zona onde se situa o quartel da GNR. Em relação ao mesmo, o mais alto representante político macedense reclama por novas instalações. A efectivar-se a pretensão, intriga-me qual o destino a ser dado ao actual edifício. Desejo, profundamente, que não lhe esteja destinado o mesmo fim que foi dado ao Solar dos Vasconcelos... É que, nas minhas deambulações macedenses, por muitas voltas que dê à rotunda defronte da GNR, numa vã tentativa de me convencer que naquele local reside uma força policial, não consigo abstrair-me da imagem sempre presente da "Escola Técnica". Comparativamente com o actual parque escolar, será unânime que não possuía condições dignas para albergar uma "cambada" de "teenagers" que estavam, a grande maioria das vezes, mais interessados no próximo "furo" para poder saltar o muro do "campo da bola". Enquanto decorriam os jogos de "muda ós 5 e acaba ós 10", queimavam-se as calorias e acumulava-se o odor desagradável que se transportava para a aula seguinte... Já existia o "2 em 1"... Não apenas nesse âmbito, já que a "Escola Técnica", talvez por nunca ter sido mimada com a nomenclatura mais civilizada de "Liceu", também se caracterizava por ser uma instituição escolar do tipo "2 em 1". Os champôs limitaram-se, mais tarde, a plagiar o que se fazia em Macedo... Aquilo que hoje é uma casa de habitação no "Toural" foi, durante alguns anos, uma dependência da "Secundária". Poucas aulas me recordo de ter tido lá, para além de algumas de Francês, no meio de tacos levantados e de pó de giz que invadia as minúsculas salas sempre que era necessário apagar o quadro. O que ficou mais marcado na memória foi a sequência de episódios de falsos alarmes de bomba que, pelo menos durante um ano lectivo, se acumularam. Nunca soube quem eram os autores, mas o "campo da bola" era mesmo ali ao lado... Desses tempos em que iniciei os meus contactos com uma panóplia de gente com a mania que já era crescida, guardo gratas recordações de todos aqueles que contribuíram para a minha formação, uns mais que outros, é certo. Não caberiam aqui todos. Mas parece-me de toda a justiça expressar-lhes a minha anónima gratidão em jeito de singela homenagem. Para o fazer, parece-me que o mais adequado é resgatar a memória de uma figura ímpar, única e inimitável. Ele que me perdoe a ousadia, esteja onde estiver, mas é desta forma que dele me recordo: o "Padre Trocha". Era uma figura indescritível. Tinha tanto de ingénuo (ou aparentava) como de "maus fígados" (ou aparentava, também). Tinha tanto de intelectual (pelo menos convencia-nos disso com as suas tiradas de latim) como de "labrego" (tal era a figura inapresentável que era a sua imagem de marca). O seu inseparável Fiat Ritmo era uma extensão da sua própria imagem. Numa véspera de fim-de-semana ofereceu-se para me dar boleia até Lamas. Desconheço se a possibilidade de se ter perdido um jovem derivou do odor nauseabundo que tive que suportar nos "longos" 6 Km, aliado à lixeira de papéis acumulados que mal deixavam espaço para me sentar, ou do estilo de condução a 20 à hora, mas invariavelmente posto em prática na faixa de rodagem do lado esquerdo. Ainda hoje sinto um leve arrependimento de, nessa horrenda viagem, não ter experimentado a modalidade de "Car-jumping"... Não experimentei, tive que "gramar a pastilha" e hoje tenho a recompensa de estar a recordar esse episódio. Mas houve outros... Porém, já não tenho paciência para os relatar... Talvez amanhã, ou noutro dia qualquer...

quinta-feira, 12 de março de 2009

... A4 - IP4 - N15

A verdade é que o IP4, por muitas críticas que se lhe apontem, passou a ostentar o título de via mais procurada para penetrar no Reino Maravilhoso. Teria sido desejável que se limitasse à unicidade da titulação... Todavia...
Ou...

Mas...

E...

...há coisas que valem a pena... Mesmo que seja "só" para poder apanhar um por-do-sol no Azibo. Percorrendo o IP4... Até 2011 com a A4?...

quarta-feira, 11 de março de 2009

N15 - IP4 - A4 - ...

Ainda que se assemelhe a um qualquer conjunto de caracteres ininteligíveis, a anormal sequência que encabeça esta crónica (presunçoso?!...) mais não é que a nomenclatura abreviada das vias que nos ligam ao mundo litoral (para oeste, bem entendido). E que bicho me terá mordido para "estupidificar" através de siglas rodoviárias? "BAMUS TER AUTOSTRADA!!!" "Cum catancho", eu sei que o progresso é necessário (neste caso, até se revela tardio), mas vou ser acossado, de novo, pela nostalgia. A experiência diz-me que, depois da resistência inicial, a pena fica mais leve. Já passei pelas mesmas agruras quando criaram o IP4 e deixei de circular pela bucólica N15. Que se dane!... A verdade é que a N15 ainda existe e nela só circulo nuns míseros quilómetros quando me apetece abastecer de água fresca do Marão. Contudo, como diz um qualquer poeta (que até posso ser eu - presunçoso, de novo...), o tempo passa e os momentos ficam. E são momentos da minha infância que marcam o compasso das minhas recordações da velhinha N15, sejam eles a bordo da (também) velhinha Peugeot ou das "Cabanelas" com bancos castanhos desconfortáveis, serpenteando Marão abaixo. Mais não seja, percebi o conceito de eternidade. Era esse o tempo que tardava o aparecimento do mar de Leça. Não sem, inúmeras vezes, sentir que as entranhas se vingavam, tentando fugir da curva e contracurva pelas goelas... Depois, apareceu o IP4...

segunda-feira, 9 de março de 2009

'strejeitos

Modas de escárnio e bem dizer...

Quando Macedo é notícia, o meu "arrepiómetro" acusa altos valores de corrente eléctrica. Quando as ditas até são favoráveis ao fervor macedense, surge aquele desfilar de sensações agradáveis que vão percorrendo o escalpe, prolongando-se ao longo da "espinha", algo semelhante a condutividade que faz eriçar até a mais insensível pelagem. Vem isto a propósito da atribuição de um subsídio de quase 3 milhões de euros, através do Programa Operacional Regional do Norte, com o objectivo de recuperação dos "centros históricos, frentes ribeirinhas e parques urbanos". Numa abordagem muito superficial, o meu parque, não o urbano, mas o neuronal, entra numa enorme ebulição provocada por interrogações de âmbito histórico-geográfico.
Mas Macedo tem centro histórico? Caso a resposta seja afirmativa, não sei que localização lhe atribuir. Será o Prado de Cavaleiros, com as suas construções em estilo "Fosforeira Portuguesa" alternando com outras de estilo "Banrezes"? Serão as artérias fronteiras à Igreja Matriz de S. Pedro, num estilo em tudo semelhante, com a agravante da proliferação de centros comerciais em estilo "bacoco"? Será o Jardim, que já foi de um ditador e passou a ser do trabalhador? Conclusão simplista: acho que não temos centro histórico...
E Macedo tem frente ribeirinha? Se a tem, a dita ficou desprovida de sentido há imensos anos, pelo construção do já referido jardim. Ou talvez ainda se considere como frente ribeirinha as traseiras da Santa Casa da Misericórdia e da Cortinha do Moinho... Ou, em última instância, sempre teremos a frente ribeirinha do Azibo... Re-conclusão simplista: acho que não temos frente ribeirinha...
Já no que respeita aos parques urbanos, outro galo canta. E daqueles para quem o nascer do sol se prolonga desde a meia-noite até ao propriamente dito... Reconheço que será mais um daqueles meus acessos de utopia crónica, mas o que o parque urbano macedense precisava era que os ditos 3 milhões de euros se transformassem numa "abéspera" ou num "alacraio" e "botassem" uma ferroada nos mastodontes "macro-fosforeira" que atulharam as vistas "ó" fundo do Jardim. E que, depois, em jeito de substituição ecológica, espetassem no "ground zero" uns "sardeiros" ou umas oliveiras. No tempo das cerejas ou da azeitona, sempre forneceriam umas "carabunhas" para arma de arremesso contra os que permitiram o crime que foi o nascimento dos ditos mastodontes. Mas isto são sonhos de um "birolho" que, de quando em vez, "le dá pra rinhir"... Porque sente saudades de estar sentado num banco do jardim com a serra de Bornes no horizonte...