Bem Vindo às Cousas
Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com
sábado, 24 de dezembro de 2011
Boas Festas Macedenses
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Ventos de mudança
O irrevogável apelo das pedras, de sempre sentido, retorno a materno ventre, afago do âmnio, como se necessitasse a alma de permanente polimento. Talvez incremente o brilho ou seja a luz ocultada por escuro túnel, saberão os deuses descarnar o porvir... Rasguem-se folhas de anciã sapiência, já o afirmam os antigos, quem muda Deus ajuda... É um analgésico dos desconfortos da fadiga, cataplasma que aplaca as dores da distância, é o futuro já ali ao lado, ao virar de arredondadas esquinas do Marão. Trás-os-Montes entranha-se, paradoxos de ópio injectado sem prévia massagem, sente-se apenas a picada da essência, e gosta-se, gosta-se, gosta-se e gosta-se.
Depois, bem... Depois fica a léxica destreza amputada, insondáveis dicionários que abarquem tamanho acervo de cousas sentidas. Este sentir não se decifra, sinonímia ausente, volatilização dos signos, ou, proezas tamanhas, talvez seja o inacabado retrato de universal linguajar, simultaneamente entendível e indecifrável. É uma doença sem desagradáveis sintomas para lá da saudade, terapêutica esboçada a divinização das pedras, a veneração do xisto, a endeusamento da terra. Trás-os-Montes é um santuário de altares muitos, fusões de céu e serra, fado entoado a estranhos acordes de parelhas da memória, algazarras do silêncio, paz soçobrada pelo encantamento dos sentidos. É o êxtase, se tal existe, peles vincadas a agrestia, faces enrugadas pelo estio, despudor do tempo, marcas de arados de gelo e neve, e o paraíso, meu Deus, o paraíso! Escondido atrás de montes, ocultado por detrás de giestal do esquecimento, arredado da ribalta das luzes, quase omisso de turísticos roteiros. Para alguns é o chamamento de pétro útero, sonata ao luar, composição de inaudíveis sons que adoçam os tímpanos, peças de um teatro dos sonhos. Há certos vícios que não se explicam, gritam-se, espalham-se através da brisa das coisas simples, navegações sem alísios ventos ao sabor das marés do orgulho. Não sei o que sentiria se fosse súbdito de outro Reino que não o Maravilhoso. Mas sei o que sinto por ser filho das pedras, enteado do Azibo, bastardo de Bornes. É a intransmissível genética do xisto, carregada numa qualquer translocação que constrangeu a orquestra a tocar uma afinada sinfonia de ventos de mudança. A menina dança?...
domingo, 27 de novembro de 2011
O arroz da D. Joaquina - Volúpias de dominicais pretéritos
Despertava o franzino imberbe, alheado ainda de lipídicas acumulações, vulgar pau de virar tripas, atlético porém, sublinhe-se, envolto em estremunhado olhar, destro óculo dessintonizado com oposto sestro, e o quase irreprimível desejo de permanecer no aconchego do ninho, embrulhado em ásperos, mas reconfortantes, lençóis de flanela. A atmosfera tresandava a Inverno nessas dominicais alvoradas, o bafo pulmonar decorava o feixe de luz que o candeeiro irradiava, infantis jogos fantasmagóricos da ingenuidade. Do exterior chegavam rumores da agrestia de Bornes, galinácea algazarra omissa e os suídeos em inusitado silêncio. Estranheza pela ausência de animal azáfama, tomava o petiz de assalto a varanda, perscrutar de horizontes com a velhinha figueira vergada pelo peso dos anos e as oliveiras do "Patchalica" em ranger de dentes, amparando com invulgar estoicismo a fina película de "carambelo" que lhes enrugava o fruto.
Fugaz arrepio da espinha, extremidades enregeladas, era Domingo! Era dia de enfarruscar o sossego do patriarca, camuflava-se o moço enquanto desatava em heróica correria direccionando a voracidade de mimos para o quarto no lado oposto. Invariavelmente, era recebido com incomparável sorriso, malícia de confronto com a progenitora, cúmplice abraço protector. De soslaio, emboscado no leito paterno, espreitava as figuras do "Comércio do Porto" ou do semanário "Tempo", enquanto o aparelho debitava aquela estridência de imaterialidade patrimonial da humanidade ou, alternativas outras, sentia uma náusea provocada por alienígenas musicalidades de não menos alienígenas autores - "Berdi", "Putchini", "Mozarte" ou "Betoben" - cujos nomes esquisitos não conseguira ainda decifrar. O desfilar orquestral feria uns tímpanos mais habituados ao "Atirei com o pau ao gato" ou, épocas obliquamente douradas, heroicizada era a conterraneidade do "Arrebita", do "Carimbó Português" ou do "Bate o pé"...
Tempos outros em que o país parava para deglutir os "Festivais" da Tonicha, do Mendes, do Carvalho ou do Tordo... A matriarcal voz de comando interrompia o efémero éden, anunciando o "mata-bitcho" servido, inesquecíveis "carólos" de pão centeio atormentados pelas brasas, afagados pela textura de lácteo derivado que os amansava com gordurosa relíquia. Era hora de transferência para o vetusto "scano", pendente mesa do improviso, pratos recheados a inconfundíveis e eternos aromas a torrada, o café do pote de ferro a contribuir para aromática orgia. Dispensava o leite - ah pois!, dispensava o leite - até os protestos confundirem a irredutibilidade do rapaz. E, abono da verdade, a espessa camada que preenchia a superfície da leiteira era irresistível! Emoldurava-se o alvo líquido a pó de cacau, incessante rodopio de frustradas tentativas de provocar o desaparecimento da nata. Soava a estranha magia, talvez fossem efeitos de calor emanado pelo "strafogueiro", ou contivesse alguma druídica poção o "caldeiro da bianda" pendurado nos "lares".
Viriam as pressas, afinal era Domingo, dia do Senhor. Empertigado em domingueiro traje, "proa" da mãe, botas aprumadas com a verticalidade dos plátanos que engalanavam o terreiro, duo em procissão, talvez ao cortejo aportassem a D. Marquinhas, a D. Deolinda, o Sr. Pinheiro, ou ocasional vulto de dominical romaria à Igreja de S. Pedro. Na serenidade da Avenida das Flautas - jocosa corrupção de idos tempos da toponimicamente intragável Alexandre Herculano - era o centro transposto, a farmácia do Dr. Bento Marques a um lado, a sapataria do "Fernandico" a outro, a tabacaria do "Maldonado" de seguida. Mentais trajectos, não sem antes cumprir o ritual de verificação do termómetro da "Singer", haveria de chegar a "Casa do Pobo", a "Albertina Mendonça", o "Armando Mendes" e a saudosa "Cobrinha", respeitável senhora de infatigáveis respostas a impropérios da miudagem.
A estupefacção de assistir à aspiração de suculentos grãos, "tchitcha" quase esquecida, o rapaz entrava em indómito processo de voraz apetite apenas na presença dos vapores emanados daquela travessa de arroz, o "arroz da D. Joaquina"... Alternativas outras a risco de culinárias monotonias, avesso era o "puto" às ditas, ficava por vezes o "Pica-Pau" com as graças, glândulas salivares em desalinho pelo aspecto do magnífico "Bife na Caçarola". E havia sempre uma incursão ao "Café Central", parietais pinturas irrepreensíveis, ficava o petiz deslumbrado pela recriação da lavoura, figuras que o tempo e a modernidade apagaram e a memória não obliterou. Depois, a cadência de futebolístico calendário o permitisse, chegaria a hora de rumar ao velhinho campo pelado. Era a euforia das correrias do "Manel Fininho" ou das defesas do "Pardal", das bolas que perdiam o tino e voavam para as casas dos juízes, do desfilar de insultos às mães dos jogadores adversários e ao árbitro, os incessantes gritos de "Macedo, Macedo"... E a inesquecível figura do "Sô Capela" sempre "en garde" com o seu inseparável guarda-chuva... Eram volúpias de dominicais pretéritos...
sábado, 19 de novembro de 2011
Francolino Gonçalves - Purificações de alma nordestina
Vão influindo os vitupérios à génese nesta singular forma de colocar os periscópios da alma a vasculhar o cromossoma das pedras, estranhos degraus de expiação dos pecados, paulatinos dias de vergastadas na crença, inexpugnabilidade de xísticas muralhas atrofiada. Dobra o costado do orgulho com ignominiosas afrontas dos que, fé na ingenuidade, deveriam ter a epiderme sulcada a arribas do Douro, a neve de Montesinho ou a estio do Tua.
Onde residirá a aberração cromossómica? Constará do mapa genético a existência de um novo haplogrupo nunca anunciado? Terá tido o Sahelanthropus uma paralela evolução? Quase inadvertidamente "scamoutchei as fuças" contra esta opacidade infame de ver processos de "bentas a jogar ó rou-rou" onde os protagonistas são, tal como eu, descendentes do reino pétreo. E não me conformo com a resignação de ver o meu Nordeste afrontado por grotescas piadas da razão... «Entom, pareuce que os bãodidos som quaise tuodos da tua terra, carago!»... Lá vou dizendo que a degeneração se terá devido a uma qualquer distracção, um mergulho no Mar da Palha talvez, ou terão os corredores de al-Lixbûnâ estranhos efeitos na translocação genética de alguns... "Racosam-se" os anéis e fiquem os dedos, apetece-me panegiricar, soltar loas ao vento, glorificar a excelência abafando a mediocridade. Afinal, neste assalto às paredes do orgulho, parece que o indigenismo macedense permanece em imaculado estado, o berço de tentáculos de fiscais fraudes, traficadas influências ou alvos capitais lá mais para o setentrião, oriente e ocidente irmanados, ficam meridionais principados entregues à bastardia. Desvirginados nunca sejam os filhos do concelho em forma de bota...
Honra ao Gonçalves de Macedo, ao Martins de Chacim, ao Campos Vergueiro, ao Rocha Cabral, ao Almeida Pessanha, ao Pereira do Lago, ao Moura Pegado, ao Valfredo Pires, ao Figueiredo Sarmento, ao Pimenta Rêgo. Honra a tantos outros, os vivos, nados por inestimável fecundação do xisto pela brisa de Bornes, Pires Cabral à cabeça. Nesta exaltação da proveniência, olhe-se com redobrado interesse para o prestígio que flutua neste mar de indignadas águas. De repente, a Academia Pedro Hispano lavrou o impensável, na curta existência da sua anual decisão de premiar a excelência de culturais figuras, impalpável geminação de Grijó e Corujas, par de consecutivos anos com a conterraneidade em destaque.
No ano transacto foi Adriano Moreira o galardoado, ímpar figura que apresentações dispensa, Grijó no mapa, ocultem-se controversas posturas, desvalorizem-se discordâncias, menosprezem-se concordâncias também, em sinopse de filho da terra, bailem apenas os genes das pedras. Segue-se-lhe Frei Francolino José Gonçalves, Corujas em alta por filho seu, Homem de religiosas letras, incontornável figura de bíblicas interpretações, insigne exegeta da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, membro da Comissão Bíblica Pontifícia. Creia-se nos louváveis encómios da crítica, alvoroço dos genes, e o mundial perito-mor no Profeta Isaías é filho de fornada de macedense ascendência. E acabou de ser galardoado com invulgar reconhecimento pátrio... É pouco? É muito? A este filho da terra, também, nesta convulsão de errantes personagens que desvirtuam a essência, doce compensação para a amargura, irradiado orgulho com proveniência no centro de Nordestina Pátria-Mãe, fica esta desmesurada algazarra dos genes, estranho bailado este de passos trocados, imaginária gaita-de-foles a compassar a dança em ritmos da ancestralidade...
domingo, 13 de novembro de 2011
Fermento da essência
domingo, 6 de novembro de 2011
Paradoxos da interioridade
domingo, 2 de outubro de 2011
José - Pedradas no charco do 44º Bispo de Bragança-Miranda
Tenho um grande apreço por uma rara espécie a que as gentes de terras do Tio Sam convencionaram epitetar de "mavericks" - um conceito para o qual, ao que julgo saber, não existe vocábulo equivalente na língua que foi vilipendiada por um qualquer aborto ortográfico. Um "maverick" será alguém que se destaca por trilhar caminhos inusuais, que assume o risco de não seguir os padrões habituais, que aposta na independência de pensamentos, agindo de forma intrépida para o seu próprio bem sem desvirtuar a essência de palmilhar os terrenos que contribuam, em simultâneo, para o bem alheio.
Poderia estar aqui horas a fio em descritivo processo que, ainda assim, não conseguiria abarcar todo o conceito inerente ao potencial neologismo - talvez sejam limitações inerentes à não aceitação do atrás mencionado vilipêndio... Mas consigo, de indubitável forma, tipificá-lo através de um exemplo. Não um exemplo qualquer, não um daqueles espécimes que, honrarias dixit, são adornados por uma intensa graxa de cores diversas apenas porque foram elevados ao patamar de supremo pastor do rebanho do extremo nordeste do meu Reino. Prefiro vê-lo como distinta peça do rebanho, Cordeiro o é afinal, "alma mater" em masculina versão de modernos tempos, potencial "pater noster" de pródigos espíritos, líder de um exército de paz que parece ter acabado de transpôr o Rubicão proferindo uma nova versão do "alea jacta est".
Soa-me a estranho esta alusão, não por do rebanho não ser, fisicamente distante, certo é, mas por tresmalhada ovelha ser por vezes, "maverick" o diria, na aparência de empertigada extremidade nasal. São as fugas ao estabelecido, rompimentos do "status quo", afinidades com posturas do quadragésimo quarto, cumplicidades com o Bispo que apreço tem por chamar o rebanho com recurso ao mel desprezando o fel. Não irei ao beija-mão, a essência não despedeçarei contra públicas manifestações, da fogueira vaidades, perdoem-me inacabadas inquisições, vassalagens de prestações muitas. Remeto-me à infâmia de presumida ausência, anonimato de roucos louvores, exaltação da diferença, chegará o dia de homenagem ao pastor que culto presta ao terreno e banal prazer de uns chutos na bola, ou de tributo prestar ao homem que, efémeros momentos, troca a mitra por distinta insígnia de Baden-Powell. Venha de lá a "canhota", ou "Sempre Alerta"...
E venham também mais cinco, ou mais muitos, nos quais assumo, provisoriamente em tendência para o definitivo, me incluo. Arrojo ao patamar de humilde "grão de amendoeira", renovações de caducos mundos, resposta ao chamamento, anuência a distinto apelo, visíveis já eram as ondas, brisas de cardeais pontos na colateralidade de Novo ou Gomes, Eduardo ou Júlio, prenúncios de vagas do rejuvenescimento. Alegremente regrido, epopeia a tempos de infância de inabaláveis crenças, folga o costado de emigrado da fé, anime-se a esperança de tempos outros. Tiro-te o chapéu, José, ou tiro-lhe o chapéu, D.José Cordeiro, vingue a esperança de ver o meu mundo olhado com o inusitado, da semente nova árvore ou, controladas ambições, ramagens que amparem o torpor e raízes que sustentem o alheamento. E, já agora, pedir muito não seja, que esta transcrição do "Blogue de Grão de Amendoeira" mantenha a validade, muito para lá da sua recente publicação: «Ultimamente, a Comissão de Arte Sacra, em parceria com a Associação Terras Quentes, tem estado a promover a inventariação do património móvel. A diocese de Bragança – Miranda, lidera, a nível do país, no campo da inventariação, com mais de 11 mil peças já registadas, mostrando o seu empenho e trabalho desenvolvido e certamente que, D. José Cordeiro, continuará a dar continuidade e atenção»... A Diocese, o Nordeste Trasmontano, mais que merecer um Bispo assim, talvez precise de Homens assim. De amplas visões...
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