Pouco dado sou a públicas homenagens. Creio na voz dos actos, acredito na sonoridade das obras. Finjo, por vezes, alhear-me da proliferação de súbitos encantamentos emoldurados a momentânea falsidade. Mas quedo-me pelo limbo do fingimento, fragrâncias de névoa, cachimbo inerte, prolongamento de tabaco com aroma a carácter (não existe à venda em tabacarias - banido de comerciais circuitos)... De privadas manifestações a subtil exteriorização sem recurso a festival, decorativos efeitos ou musical banda em alvorada, retrocedo ao degredo de um prosélito pintalgado a anátema. Por vezes, porém, não me contenho e, de exaltação em exaltação, provimento dou a esta quase vulcânica forma de enaltecimento ao que parido é por terras que deverão, um dia, ter sido calcorreadas por desenfreados Zoelas, antepassados da essência elevados a relíquia do esquecimento... Cousas outras, o direi... Chamem-se-lhes os descendentes, ou seguidores de passos, lhes chamem, que de certezas não é o mundo feito. Ou será, conveniências de passagem na esquina dos proscritos, vingue a modéstia, drenagem de terrenos aparentemente desprovidos de humidade, ou secas gotas de um estranho composto liquefeito. Abençoada abominação ao desperdício da sublimação da diferença! Perdoem-me os destinatários desta afronta aos princípios de remetimento à sobriedade. Ventos da montanha, não me contenho! É o gosto pela diferença, controverso gosto talvez, o duvido porém, que a unanimidade vai decorando almas outras, e silenciar não faço a esta súbita vontade de publicidade dar às reticências de abafada grandeza. Tem nome, duplo nome, distintos seres emparelhados a arte, pura, divina, abençoada a terra, temperada a distinta agrestia, vales e montes assolados por aroma a Trás-os-Montes, genes enraizados em xísticos solos. Cousas de inimitável voz, Kamané se proclama, Carlos Baptista o é, tela de som, catálogo de infindável arrepio... E cousas de quadros pintados a pincel de dedicação, apontadas objectivas, cores da essência, Cavaleiro, andante também, mas de caminhos com trauteadas músicas com pegadas de Valter... A voz e a imagem... Únicas... "Made in Macedo de Cavaleiros city"... http://www.youtube.com/watch?v=HEVPaUjXwaE
Bem Vindo às Cousas
Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Reticências de abafada grandeza
Pouco dado sou a públicas homenagens. Creio na voz dos actos, acredito na sonoridade das obras. Finjo, por vezes, alhear-me da proliferação de súbitos encantamentos emoldurados a momentânea falsidade. Mas quedo-me pelo limbo do fingimento, fragrâncias de névoa, cachimbo inerte, prolongamento de tabaco com aroma a carácter (não existe à venda em tabacarias - banido de comerciais circuitos)... De privadas manifestações a subtil exteriorização sem recurso a festival, decorativos efeitos ou musical banda em alvorada, retrocedo ao degredo de um prosélito pintalgado a anátema. Por vezes, porém, não me contenho e, de exaltação em exaltação, provimento dou a esta quase vulcânica forma de enaltecimento ao que parido é por terras que deverão, um dia, ter sido calcorreadas por desenfreados Zoelas, antepassados da essência elevados a relíquia do esquecimento... Cousas outras, o direi... Chamem-se-lhes os descendentes, ou seguidores de passos, lhes chamem, que de certezas não é o mundo feito. Ou será, conveniências de passagem na esquina dos proscritos, vingue a modéstia, drenagem de terrenos aparentemente desprovidos de humidade, ou secas gotas de um estranho composto liquefeito. Abençoada abominação ao desperdício da sublimação da diferença! Perdoem-me os destinatários desta afronta aos princípios de remetimento à sobriedade. Ventos da montanha, não me contenho! É o gosto pela diferença, controverso gosto talvez, o duvido porém, que a unanimidade vai decorando almas outras, e silenciar não faço a esta súbita vontade de publicidade dar às reticências de abafada grandeza. Tem nome, duplo nome, distintos seres emparelhados a arte, pura, divina, abençoada a terra, temperada a distinta agrestia, vales e montes assolados por aroma a Trás-os-Montes, genes enraizados em xísticos solos. Cousas de inimitável voz, Kamané se proclama, Carlos Baptista o é, tela de som, catálogo de infindável arrepio... E cousas de quadros pintados a pincel de dedicação, apontadas objectivas, cores da essência, Cavaleiro, andante também, mas de caminhos com trauteadas músicas com pegadas de Valter... A voz e a imagem... Únicas... "Made in Macedo de Cavaleiros city"... http://www.youtube.com/watch?v=HEVPaUjXwaE
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
"Bô era! Atão Macedo é ua merda?"...
Aprecio particularmente os risos adornados a sarcasmo sempre que regurgito este sublime conduto com sabor a orgulho trasmontano. Soa-me a altivez decorada a hastes bovídeas ou, frequente-se a diplomacia, a mais elaborados e presunçosos chifres cervídeos. Depurações do espírito, talvez sirvam para disfarçar a impotência ou, instância última, "ignis fatuus" de proclamado pedantismo em pedestal com epígrafe "Amicos pecuniae faciunt"... Não que verdade não seja, que os euros íman são para as amizades, para degraus outros, quiçá, folga o carácter enquanto transpira a hipocrisia. Amanhã substitui-se a palmada lombar por afiado gume, que "mai fai", entretanto agucem-se viperinas estocadas de ofídeos, descanse o ego pela exaltação de pretensa maldade alheia. Oculte-se a própria inépcia na simultaneidade da vociferação da imbecilidade dos ausentes, há-de chegar o dia de vassalagem prestar aos que presenteados são com desdém. Sintomas dos dias... quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Lampejos de ansiedade por Trás-os-Montes
Há locais assim, entranham-se, provocam um permanente regurgitar de saudade. Por vezes fazemos deles lana-caprina, mas é só na aparência de um quotidiano emoldurado a afazeres outros, contingências de migrante, edições diárias de acumular de uma fome que ganha proporções de monstruosidade. "Stou tchêinho de saudades de Macedo e dus mous ares stransmuntanos, c'um caralhitchas"!!! Foi só um efémero desabafo em forma de gargarejo da alma... Alivia, por instantes, o quase insuportável peso da distância, mas acalmar não faz a ânsia. Permanece o verdugo, qual atroz cumprimento de pena, sentença contra esta pregada impunidade de ter "botado tchôros ó mundo no mêo dos calhaus".
E valha-me esta aversão ao crescimento, muralha contranatura, numa volúpia dos sentidos de eterno retorno a infância nunca perdida. "Já le sinto o tcheiro ó Azibo, já se m'arregalum nas bistas co a Serra de Montemé, já se me botum os pur dentros desinquietos co a merenda na baranda do Ti Inberno, peliqueira a postos pra mais um carólo e um cibo de tchithco, ua pinga pur as goelas, um tantinho de queijo queimão e uns intremóços, seladinha de tomatos e pupinos, e tchítcharos puri, ua talhada de melão pra desinfastiar"... São os sons da terra parideira, desafinações de encantos tantos, orquestra em sinfonia de jamais inventados acordes. domingo, 17 de julho de 2011
IP4 - A imolação dos inocentes
Na inconsciência de uma poupança que vidas não vem poupando... Incúria das gentes? Adrenalínicos excessos de gente acostumada ao ostracismo, pacata populaça cujas únicas vias de comunicação se resumiam ao parentesco com as rugas cravadas em faces rasgadas a arduidade dos dias? Cometer-se-ão etílicos excessos, o afirmam iluminadas mentes que se demitem do crime apelando à impunidade? Seremos uma cambada de irredutíveis seres esboçados a irresponsabilidade? Não creio, não creio, senhores doutores... O IP4 foi uma artimanha mal engendrada, pedaço de pouco a quem nada tinha. Hoje, mortes muitas, amputações tantas, é filho de pai incógnito e a mãe é uma anónima filha da rua, puta de esquina, descendente dos desvarios de uma mal sucedida prática coital entre comunitárias verbas e aversões ao porvir. Ou talvez tenha sido apenas uma artificial inseminação lavrada a obscuro futuro...
Alternativamente, louvem-se os réus, doseiem-se os dias a paciência, gratidão muita a atrasadas justiças. Amargas trovas da injustiça, pelem-se os "coisos", haja quem fruta tenha para irrigar, ou pruridos muitos para coçar. Mantendo superiores extremidades em permanente simbiose com o volante, e periscópios da alma em focalização de oitavo sentido. Somos ludibriados em acordes de silêncio, resignações a pentagrama musical desprovido de claves, bemol ou sustenido, sem um gemido sequer, abafados protestos de aparente inexpugnabilidade. Ouve-se uma sonata de alheados instrumentos, escuta-se uma cantata de afónica voz, sentados na poltrona do "faz de conta", em estranha aquiescência do desbaratar do pouco que sobra. Entretanto, as rotativas vão-se preenchendo a imolação dos inocentes... E não encontra a culpa véu para o casamento... domingo, 10 de julho de 2011
A sustentável riqueza do ser
Devaneios à parte, pinceladas de acidificação da alma, reconheço esta embriaguez pela absorção de culturais vapores com proveniência na Casa Falcão. Olha-se uma vez, duas, ou a infinidade de um permanente olhar, refreia-se o exacerbado ciúme da Maria da Fonte, paixão de anos muitos, sente-se o transtorno do eriçar da pelagem. Irremediavelmente, surge este invulgar apelo de entronização da génese. Parece não haver regressão possível nesta inusual atracção que parece corroer os dias de fora para dentro. Paradoxalmente, aprecia-se a corrosão... "Cada tchotcho co'a sua panca"... Haverá sempre um qualquer abafado grito da crítica, mais não seja pela possibilidade de a mesma fazer parte de um inatismo como filosófica corrente, mas sinto uma irreprimível vontade de aplaudir a visita de Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura.
Não exclusivamente pela cultura em si. Afinal, as navegações pelas injustiças ao desterrado povo encravado atrás de serras e penedias têm tributos destes. Efémeros, é certo, mas cheira a sublimação de migalhas para quem faminto está. Honra seja prestada a esta espécie de vénia aos representados, sublinhe-se o invulgar, louve-se a pedrada no charco. Mesmo que a heterogeneidade dos representados se resuma a uma singular homogeneidade... Subtilezas de "cancelos cerrados c'um carabelho qualquera", ou um "guitcho ólhar pur cima do scano"... « - Fetcha lá a matraca, atão num bês que stás a ser mim lorpinha? Inda te racoses cum esse'strejeitos de quem sprita lacraus»... « - Bai-t'ós poulos! E frias-te no crutcho, q'ou num m'acagaço s'o feitor s'imbutchinar! Nos'Senhor num me dou miólos só prós bitchinhos os cumerim!»... Folga o vilipêndio, entretanto, e exalta-se a essência. Ou tenta-se... Revivescências do pretérito, ressuscitações do que parece moribundear. Serão vãs tentativas de vida dar ao que finado parece estar? Ou paliativos cuidados brotados desta inexplicável sedução pela terra que deve o nome às maçãs.
Fosse a excepção do solar uma regra e visibilidades outras ressumariam. Intransigências do ser, a distinção da terra-mãe resumida não está à excepcionalidade de um soberbo reaproveitamento de um solar condenado ao cadafalso. Ainda que visibilidade outra tivesse com original acesso, deslumbramentos de alpendre precedido de aristocráticos degraus. Mas isso são contas de rosários meus, afinidades com a beleza em detrimento da operacionalidade... Não será obstrução a renovações de investidas, tal o encanto. As paixões explicação não têm, deixam-se fluir ao abrigo de repetidas catarses da alma. São arrepios que se fundem no âmago, vivências que penetram no impenetrável, abalos de metafísica justificação. O Museu de Arte Sacra é detentor desse encanto. Está lá, brilhante, ao virar da esquina do abandono, baú de memórias, depósito de luzidios e inanimados seres contadores de histórias, resgatados ao desprezo de atrozes adulterações pela obstinação de um punhado de gente que lê a herança a indecifráveis símbolos. Tiro-lhes o chapéu... À Autarquia, porque em boa hora adquiriu um imóvel e o iluminou a orgulho; à Diocese, porque incentivou a inventariação e o restauro das peças; e à Associação Terras Quentes, inexcedível parceiro na empreitada de rejuvenescer a moribundez. E a Francisco José Viegas porque, interpretações de leituras várias, homenagem prestando à municipalidade museológica, mediatizou o que mais mediatizado poderia estar. Mesmo na fugacidade de digna passagem de périplo que transfigurou este pedaço de terra assemelhado a enclave... Na brevidade de umas horas reassumimos o papel de efectivo território do soberano país parido pela pertinácia da afronta do Afonso à progenitora. E vergo-me perante esta obstinação de repudiar a insustentável pobreza do ser que me tentam impor os vendilhões do templo...
sábado, 2 de julho de 2011
Um Museu do Azeite e outras cousas de Cortiços
Desmazelo dos dias, há anos não me aventurava pela freguesia de Cortiços, terra de Fidalgos, extinta sede concelhia por reformas de finais de XIX. Por lá permanecem testemunhos de glórias outras, o tempo não lhes apaga o rasto ou, adulterando-o, transforma vestígios do passado em esqueleto de muros. Histórias outras... Depois, a obra de visionários, gente que culto presta às vozes que voz lhe deram. Entrar no Museu do Azeite é abdicar do tormento de pensar que o abandono da génese é geral. Ainda há resistência à perda de identidade! É como se penetrássemos num inexpugnável castelo, feito de pedras como elevadas eram muralhas, permissão dando aos sentidos para invadidos serem a cada estocada de idos tempos. Permaneceu o voraz apetite de um regresso, mais calmo, menos efémero. Em cada canto do espaço sente-se o pulsar de cada fenómeno nele retratado, como se por ali permanecessem os homens e mulheres que vida lhe deram. O cicerone, privado conhecedor de cada pedaço do recheio, contagia-nos com a simplicidade do seu entusiasmo, elevando cada peça a um patamar de quase idolatria pela história que nela repousa. E sentimo-nos escoltados por resistentes da Monarquia, ou por Zoelas que do Cramanchão fizeram habitat, ou por gente simples que afagava azeitonas tranformando-as em ouro líquido. Depois, não resisti ao desafio de observar de perto plágios de "rodas de raios curvos" esculpidas em santo lugar, ou exemplar outro lá para o abandono de uma casa na Cernadela. De permeio, a escalada a um muro, por lá se encontra incrustado pedaço de pedra que de mó manual serviu e, altaneira, a que a tampa de sepultura medieval se assemelha, gravados caracteres para futura decifração. É um estranho apelo este... Alicerçado num não menos estranho sentir. Cousas... Cousas que impelem a um desvio ao Cramanchão, riqueza guardada por espessa vegetação, num silêncio quebrado pela azáfama de vizinha pedreira. Eram os Zoelas, romanizados Zoelas, aculturações do desfilar do tempo, algures perdidas por entre rebentamentos da modernidade. É um arrepio da alma... Hei-de regressar a "Vallis de Cortisis"...
domingo, 26 de junho de 2011
Fai um calor do caralhitchas!
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