Bem Vindo às Cousas
Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A santidade das pedras
Fugas no Reino das Pedras
sábado, 14 de maio de 2011
Balada das rugas tristes
Gemem os velhos, de farrapos tratados, encostados a indistintas memórias de um refulgente passado, num "escano" carcomido pelos anos ou num "motcho" corroído nas articulações de que desprovido está. Sozinhos, preferencialmente sozinhos, no remanso de uma eterna solidão, esquecida gente que um dia gente foi. Vivem à sombra do tempo, abrigo possível no lento esganar, roendo a agonia em sepulcral silêncio, na rapidez de ponteiros que tardam na sua inexorável marcha. O futuro, o indesmentível futuro que a todos toca, servir-se-á em caminhos cravados a ervas daninhas, quem as limpe não há, haja quem sobreviva para as calcar a carpir de despedida última. Se gente sobrar de "companha" para derradeiras viagens...
São os velhos, impiedosas rugas rasgadas a vida, dura e tormentosa vida, testemunhos de um pretérito sulcado a arados feitos de "candiólos", epiderme engelhada a "carambina", "scarabanadas" de trabalhos muitos, faces traçadas a pregas do estio. E merecem tanto carinho os velhos, os nossos velhos, odores de ancestralidade, aromas a genes de pedra. Mas são morbidamente apagados, absorvidos pela esponja de um atroz esquecimento, empurrados de encontro a paredes de xisto, também elas a aguardar um lento finar, verticalmente enfileiradas, quando calha, moribundo silêncio entrecortado pela brisa de uma estatística que lhe desperta o torpor.
O "Retrato Territorial 2009" trouxe-me a evidência do que evidente já era: demograficamente, estamos a definhar de forma lenta e penosa. Em apenas uma década, tão somente um mísero par de lustros, diminuímos a densidade populacional, coisa pouca para o que pouco já era. Veja-se o decréscimo a linguajar trajado a política e descortinar-se-á o positivo: afinal, semelhante fenómeno é visível em cerca de 50% dos concelhos do território português, na sua grande maioria situados no lit... ops... interior. "Co mal dos outros bem m'ou bêjo"! Segue a procissão dos estatísticos indicadores, antes da chegada do "Censos 2011"... O concelho macedense, no período 2000-2009, viu a sua taxa de variação de crescimento natural enquadrada no fabuloso grupo dos que decresceram entre -10 e -4% (há piores)... Coisa medianamente compensada pela equivalente da componente migratória: situamo-nos no pelotão dos que cresceram entre 0 e 3,5%...
A voracidade vai devorando os quadros e mapas, em busca de algo que atenue este triste sentir. Mas nada, nada de nada! A taxa de fecundidade diminuiu, o índice de envelhecimento incrementou... A proporção da população entre 0 e 14 anos teve uma variação negativa, em apenas 10 anos, situada no intervalo de -4,9 a -2,9%. Em contrapartida, a homóloga da população com idade superior a 65 anos teve uma variação positiva entre 2,6 e 4,8%. Oh inclemência dos deuses! Graves actos devem ter sido os desta humilde gente que, como todos, envelhece. Mas não assiste a rejuvenescimento, senta-se, apenas, aguardando na pacatez de uma soalheira tarde, ou amansando o tormento invernal na companhia de um "strafogueiro e uns guiços". Um dia, num não muito longínquo futuro, talvez surjam mais Banreses, frutos em bolorenta compota, vestígios de albergues de vida.
Olhe-se, exemplo extremo, para os destemidos 60 habitantes que os "Censos 2001" apontavam para a excelsa freguesia de Soutelo Mourisco, "ajuntada" com Cabanas e Vilar d'Ouro. Sinta-se, na efemeridade de uma incursão vespertina, o pulsar do silêncio da serra, prenúncio de morte do qual um felino não consegue fazer-nos abstrair, pressintam-se os abutres a sobrevoar a carcaça. Estão lá, ao longe, em sádico sorriso de necrófago que aguarda pacientemente pelo concretizar da coutada... Entretanto, louvem-se os velhos, os nossos velhos, na sua silenciosa e ineficaz contestação do abandono...
(Com uma enorme gratidão ao Paulo Patoleia e ao Valter Cavaleiro pela cedência dos magníficos registos fotográficos)
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Cousas de xisto
POR FAVOR, PREVIAMENTE AO VISIONAMENTO, RETIRE O SOM À "COUSAS RÁDIO"...
Há mundos que se entranham na alma...
Há mundos que se entranham na alma...
domingo, 1 de maio de 2011
Ventos da montanha
Imagem do berço, donatária de memória de vidas na corda bamba da incerteza, quando, numa qualquer Sexta-feira do estio, idos desacertos, se apela ao anjo Urze Pires e ao amigo dentista Simão, juntem-se-lhes os arcanjos "operadores de Mirandela", Mário Rafael e Mexedo, Caiado anestesista, amostra de vida, novel pedaço de memorandos futuros, haveria um dia de parir "cousas" da terra, "cousas" poucas brotadas do orgulho, de imberbe arrancado ao materno ventre por imitações de popular etimologia derivada de pretensos nascimentos de imperadores, cesariana ou cesárea a pintam, incisões num tempo em que os ponteiros eram pautados a sabe-se lá por que corrompido silêncio...
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Folaradas - Injecções de distinto sentir
Ocasionalmente, uma sã insanidade apodera-se de ignóbil gente que, paradoxos de inventadas vanguardas, ao invés de apreciar o bulício de corredores atulhados de espécimes a paspalhar, pavlovianos reflexos atiçados por esfaimado monstro da criação do supérfluo, dedicação tem a artesanais formas de incremento dar ao assoberbamento residente nesta peculiar forma de ter orgulho em ter sido parido num mundo de pedras e calhaus. O Folar Transmontano parece ser um dos veículos da soberba... Porque não é um pecado mortal, nem moral o é, que moralidade é extasiar os sentidos com as riquezas que a criação nos facultou, e a gula, de pecaminosa, só quando satisfeita não é.
São os folares, os nossos folares, alheamento de torres decoradas a asfalto e betão, fugas a corrupções muitas, cegueira dos tempos. É o orgulho sentido, este xistífero orgulho, nascido algures a nordeste, onde o sangue foi moldado a "tchítcharos" e "erbanços", a "butelo" e "butcheiras", a "pitas" e "parrecos", a "cotchino" e... A "uas carbalhadas, de bêze im quando, tamém"... "Bô era!"...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Anatomia do abandono
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