Bem Vindo às Cousas
Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Anatomia do abandono
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Porque amanhã é dia de folares...
E porque hoje é dia de tolerância de ponto, ou de um ponto na tolerância... De interrogação, quem sabe? Sinto os neurónios anormalmente excitados, num prenúncio de gula, em mordaz afronta à abstinência. Vilipêndio da realidade... Afinal, já absorvo aromas cuja existência se resume a um próximo futuro. A ânsia do amanhã, ou do mais logo, assemelha-se a algo virulento. Cheira, apenas, a chuva litoral, e os nasais receptores já percepcionam aromas a terra, a pedras, a montes, a gente, a encantado mundo para lá da barreira de condensação. É a agradável angústia que se instala de mansinho nas penitentes horas que antecedem um zarpar à parideira terra.
É "mai loguinho, ó princípio da neitinha", hora de geral debandada em busca das raízes, do "tcheiro a guiços", da atmosfera que inebria o espírito e lhe recobra os sentidos. São os rios que esperam, as penedias e profundas gargantas, é a inépcia que nos assola a cada instante de magia, como se o terceiro calhau a contar do sol se detivesse, de repente, numa oclusão da realidade exterior, inventando um novo Big-Bang que atordoa os sentidos. É a serra que aguarda, calma, ao fundo, dorso de fera domada pelo tempo, guardiã do povo, histórias muitas para contar, num assobio da brisa, eterno gemido da folhagem que lhe serve de abrigo. São os caminhos que as entranhas lhe rasgam, ancestrais chamamentos que impelem a um embrenhar pelos carreiros que pacificam a alma.
É o esquisso de um tempo que pára, em esboços de desenho nunca acabado, paradoxos de aparente imutabilidade sempre renovada. E depois, serpenteado o IP4, Macedo está lá, ao descer da Corvaceira, recepção dos filhos em silencioso abraço, fraterno, plenitude de humano calor, mesmo que a frieza pareça pairar qual assembleia de fantasmagóricas cores. Mas Macedo está lá, à espera... E os filhos estão cá, à espera também... Distintas esperas, é certo, mas esperas são, factual indesmentibilidade. Já se tombou metade da tarde e a torrente de saliva já sensibiliza os estomacais ácidos para a ceia que há-de vir. O troar interior, estranhos roncos da fome, não de fome qualquer, mas de um atroz desejo de saciedade dos sentidos pelos incomparáveis temperos a terra. Expliquem lá os deuses esta clasura no arrepio que há-de vir. Porque de humana gestação ser, resigno-me a esta incapacidade de lavrar num monitor o que apenas se sente... Deficiências do arado, seguramente...
E amanhã, azáfama dos dias, haverá farinha, fermento, ovos, azeite, e "muntos cibos de tchitcha pró recheio". As "amassadeiras" encher-se-ão daquela pasta amarela chicoteada por sapientes mãos, num arremesso ritmado, "chlap, chlap, chlap", enquanto se esquenta o forno que metamorfoseará a informe mistura em tostados tesouros enformados. Beber-se-á mais um copo, esperas de palavras trocadas no descanso da "folarada a lebedar". Encher-se-á o ambiente com a névoa que deixa o inconfundível aroma a fumo na roupagem. Renovar-se-á a atmosfera de janela aberta com baforadas de ar puro. E, finalmente, rasgados sorrisos ao mundo pela primeira fornada, "ó que mim bô stá"! Quentinho, acabado de sair do cubículo de aquecidas pedras... Só porque amanhã é dia de folares...
sábado, 16 de abril de 2011
As cousas do "feicebuque"...
O sossego de uma pacata tarde de Sábado... Interrompido pela voracidade de uma ligação ao mundo. De súbito, o chapéu se lhe tire, no mural de um dos muitos amigos "feicebuquianos", um incessante vómito de fotogramas. Não umas reproduções quaisquer, tingidas a digitais modernidades, antes um desfilar de marcas do tempo, de um pretérito tempo em que a minha "vila" ainda não se tinha prostituído à infâmia do betão. Largos sorrisos, numa estranha simbiose com nostálgicos espasmos, como se um paradoxo do tempo me tivesse amputado o presente, resgatando-me numa temporal regressão a tardes de encanto, manhãs também, onde o garoto de arregalado olhar abandonou o ventre da Escola do Toural para ingressar na balbúrdia do "Ciclo". O "Ciclo" é que era!
Por lá circulavam os "grandes", impalpável conceito em cujas entranhas me incluiria, seria "grande" também! Numa amálgama de gritarias muitas, algazarras constantes, sonoras derivações de proveniências várias. Já não eram só as familiares vozes dos "putos do Toural", afinidades tamanhas nascidas no regaço da professora Maria Cândida. Era o choque do mundo real, como se o "Ciclo" fosse um lá fora qualquer, num corrupio de gente que vinha das Escolas da Praça, do Trinta, e de todas aquelas aldeias das quais, em relação à maioria, só lhes reconhecia a familiaridade dos nomes, imaginando-as povoados de outro reino. Hoje reconheço-lhes o abandono, o esqueleto de xisto, as fantasmagóricas escolas de peculiar arquitectura, um dia preenchidas de vida, hoje exalando putrefactos aromas a morte, da perfídia nascidos... 
Mas permanecem irremediavelmente gravados os aromas da inglória "grandeza", as imagens desse ritual de dúbia penetração na adolescência. O fascínio da "escola grande", com um recreio "grande", com gente "grande". E com imensos professores, incomparavelmente mais que a singularidade da professora Maria Cândida! De repente, tenho as memórias tomadas de assalto por um rol de nomes que me marcaram os dias, a formação, a educação: a prof. Iria, o prof. Campos, a prof. Inês, o prof. Seabra, o padre Nélson e outros tantos de que recordo os traços faciais mas não os nomes. E o Sr. "Maxmino", sempre pronto a dar umas traulitadas aos mais traquinas... A D. Maria sempre disponível... Ou a inesquecível simpatia das senhoras do Bar... Aquele Bar, o inconfundível cheiro do Bar! E porque menção a aromas fiz... Indómita vontade de um efémero regresso, breve apenas, na fugacidade de sessenta segundos, às salas da insurreição da (in)segurança, onde o monóxido de carbono desenhava uma atmosfera manchada a névoa de cascas de amêndoa queimadas em improvisados fogareiros.
Oh, se hoje fosse! Estariam, precocemente, finados os imberbes! Ressuscitaram, quem sabe, emergindo de um qualquer "carambelo", subtraindo-se ao gume de um qualquer "candiólo". Eram frios os tempos, geadas tamanhas, "sbaraba-se" numa mal amanhada calçada de lisas pedras, "scatchaba-se" a camada de gelo que cobria as poças com "uas lapadas" ou com "uas biqueiradas"... E aquele ar impregnado a fumo de invólucros de frutos secos, aquecidas as extremidades que luvas usam, temperadas hostis forças... «Meninos, todos sentados, que agora temos que começar a aula!»... Enregelados pés, olhares atentos... Era o "Ciclo"... Hoje é, tão só, um pedaço de recordação transfigurado em aborto arquitectónico... Como era linda a minha "bila"... "Bá, berdade, berdadinha, ind'ó é... Dizi-o o coração... Mas aparece-se mais´c'ua abantesma injaldrada por uns aldrúbias quaisqueras... Dixu-mu o Ti Tonho Manco, o da Ti Maria Birolha, que bibe ó cimo do pobo... Bô, cmu m'indromino co estas cousas im que crece o natcho... É que regas! Que mintiroso m'assaiste! Bem m'ou finto! E frias-te no crutcho"!...
terça-feira, 12 de abril de 2011
Novo amigo na rede social: "Turismo Macedo de Cavaleiros"
Vasculha-se uma qualquer rede social, no mural os suspeitos do costume, músicas partilhadas, partilhas outras, conivências ou polémicas, cumplicidades na leitura, demais beneplácitos ou censuras. Partilha-se, gosta-se, reconhece-se gente, desconhece-se, por vezes, ou faz-se simplesmente de conta que o planeta deixou de girar por instantes, e toda a cósmica energia se concentra num pedaço de teclas agrupadas que, por magia, transformam um monitor em corrente de vida. Virtual a dizem, a imensamente real se assemelha. Repousa o mundo num pedaço de processadores e memórias RAM... Mesmo que haja mundo lá fora, mundo de benfazejas irradiações de calor para lá do emanado pela digestão da máquina que processa informação. Humano calor... Mas esse não extirpa informação e a reduz ao mundo global. E, irrefutáveis verdades, há "amigos" na social rede que se resumem à impalpabilidade... Não se tocam, mas tocam. Tenho um novo "amigo" na rede social: "TURISMO MACEDO DE CAVALEIROS"! Em boa hora!!! Louvores ao imberbe!!! Talvez pouco minore o esquecimento de turísticas rotas, que entesourados areais repousam em meridionais terras, assim o ditam os interesses. Talvez seja um pequeno e inaudível espirro, mas é indubitavelmente melhor que espirro nenhum. E, mais não seja, "arrebunha-me os pur dentros e fico tchêo de proa"! Reduzindo a saudade que acumulando se vai nos intervalos de incursões à terra-mãe. Louvores ao imberbe, voz dando a repetitivos encómios!!! De repente, a infame gula dos olhos...
Vêm-se e revêm-se as fotos publicadas pelo novo "amigo", num extasiante arrepio dos sentidos que dota o espírito de aliformes membros. E voa-se, ou deixa-se voar, supersónico voo de renovado Concorde, ou a concórdia com aladas formas de montes e vales. Estou lá, pressentindo-lhe o âmago, sugando-lhe a essência, provando-lhe o néctar. Lá, onde mora a ancestralidade, onde reside a alma, onde habitam as pedras de que sou feito. Lá, onde sou percorrido por incontidas emoções, geradas sabe-se lá por qual pedaço de xisto, como se o orgulho fizesse parte da prole de incógnito pai e desconhecida mãe. Sou filho da terra, pronto, do pó talvez, de uma fugaz magia do tempo, subtilezas de um esquecido fraguedo ou de uma abrupta escarpa, como se de uma qualquer poção de água do Azibo tivesse brotado. E arrepio-me com isso. Cada "tchotcho com a sua tchalotice"... Ainda que os receptores auditivos e oculares vão sendo fustigados pela informação de que Macedo está sem vida, persisto em sentir-lhe o pulsar, mesmo à distância. Parcialidades do coração, talvez... Ou imparcialidades brotadas de vivências muitas em terra que dizem moribunda ou prestes a finar. Cego serei de obstinada paixão, assim o dizem os sensatos, ou chatos direi, que se danem, que em intestinas lutas prefiro ser helvético... A neutralidade afaga-me as entranhas do gostar e gosto de gostar, pronto! Dizem os antigos (seja lá qual for o conceito de antiguidade) que quem a feio ama bonito lhe parece. Irrefutável argumento, não gosto de contrariar a sapiência dos anciãos (quando conveniente me é, confesso)...
Fique a feia beleza, assim seja, amanhem-se os contestatários com a fealdade, contente-se o céptico com a ingenuidade, sublinhe-se a abstracção de uma qualquer irrealidade. Porque, afinal, Macedo de Cavaleiros não é um concelho qualquer: é o MEU! E o de tantos outros que "meu" o consideram, egoísta visão contrária que o faz, apenas, "deles" ou "teu". Porque meu há só um, estranha confusão, e o que é meu é assustadoramente belo! Lógica conclusão de pretenso ilogismo: Macedo é assustadoramente belo, então! Porque é MEU... Se dúvidas houver, fica o prévio agradecimento pelo tratamento da obstinação no terapeuta mais próximo. Sem garantias... Acrescido da garantia pela profusão de uma estranha volúpia que conduz ao ensandecimento dos sentidos a cada invasão ao mundo que assistiu ao meu primeiro lacrimejar. Basta olhar para a "vila" com outro periscópio da alma. Ou perscrutar-lhe as entranhas com lentes distintas. Pressente-se-lhe o sopro do passado, sente-se-lhe o fôlego do presente, adivinha-se-lhe a respiração do futuro... 
NOTA: AS FOTOS (À EXCEPÇÃO DA PRIMEIRA) FORAM RETIRADAS DA PÁGINA DO "TURISMO MACEDO DE CAVALEIROS"...
Essência das cousas
Desconheço se o nada existe, mas é de lá vinda esta indomável saudade que, ao sabor de uma esquinada brisa de nordeste, limados os cantos, se acantona nas horas que passam. Mais intensa, de intensidade menor, ou de incomensurável dita, folga o costado enquanto o silvo do chicote amansa o ar impregnado a aromas de terra. Verdugo dos dias, noites também, e madrugadas outras, quiçá... É o prenúncio do fumo de "gabelas de guiços" que invadirá o cubículo, lacrimejantes olhos, hipnotismo dos sentidos, fixos olhares em chamas que aquecem o forno de todas as gulas. Será o folar, a bola de azeite, leveduras da alma, fermento da génese, um abraço na orgia que acometerá nasais receptores. Venha de lá o pecado, o de carnais prazeres, não o outro, virem-se as perversas mentes para as carnes que recheio dão à massa de ovos, azeite e farinha. E o invólucro de gordura que as separa do resto do amarelo manjar? Salivo, se salivo, como se as bucais enzimas sofressem um repentino esgotamento... "Atão, um home tamém tem dreito a uas pironguices"... Oh lentidão dos dias!... "Pacência", hão-de sucumbir ao inexorável rodopio da tríade de ponteiros. Tic-tac, tic-tac, o próximo sorriso de xisto é já ao virar da próxima descida... Ou subida, que "mai fai"...
sexta-feira, 11 de março de 2011
O espírito da alma, "si u hai"...
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
DJ CHARLES B - Essências de musicalidade macedense
Tudo o que provenha da terra parideira "arrebunha-me" os sentidos, deixa-me o sistema neuronal "mêo spritado", e fico num transe em que "se me botum o caralhitchas dos genes ós pintchos"... Especialmente, se os "pintchos" forem provocados por sonoridades que, não fazendo parte do meu habitual cardápio musical, me seduzem pelo encantamento de terem a mesma pétrea génese que eu. Mas não só... Porque, "berdade das berdadinhas", uns breves instantes dedicados às misturas e re-misturas do Carlos Borges, macedense como eu, instigam uma estranha volúpia musical. Como se, para este Cavaleiro, tivesse representação a antítese da melomania que lhe afaga os dias. Porque, a bem da verdade, as minhas influências musicais estão a léguas daquilo que é produzido pelo DJ Charles B. Na certeza, porém, de que não me remeto a uma perpétua quarentena no que a novas influências diz respeito, como se vivesse num inexpugnável castelo musical. Há sempre uma qualquer porta entreaberta, aguardando pacientemente a chegada de algo que me arrepie os sentidos, me seduza esta irreprimível vontade de conhecer o desconhecido. Foi isso que, humildemente, aconteceu com esse macedense residente na Madeira que, sabe-se lá porque artes mágicas, teve o dom de me fazer abstrair do universo em que a minha amplitude musical navega habitualmente. E, quase desordeiramente, os meus neurónios musicais foram penetrados por uma batida à qual só estavam habituados em certas idas noites de etílicos vapores, quando a disposição ainda dava permissão para aventuras e desventuras noctívagas, noctívagos amigos por companhia. É essa batida que me vai fazendo companhia enquanto o teclado procura servir, sem o conseguir, de percussão... Num paradoxo de permanência na irrequietude, como se um qualquer rejuvenescimento me tivesse invadido a ementa de sonoridades mais calmas... http://www.letsmix.com/mix/71093/dj_charles_b_spain_2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)