Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 12 de abril de 2011

Essência das cousas

Desconheço se o nada existe, mas é de lá vinda esta indomável saudade que, ao sabor de uma esquinada brisa de nordeste, limados os cantos, se acantona nas horas que passam. Mais intensa, de intensidade menor, ou de incomensurável dita, folga o costado enquanto o silvo do chicote amansa o ar impregnado a aromas de terra. Verdugo dos dias, noites também, e madrugadas outras, quiçá... É o prenúncio do fumo de "gabelas de guiços" que invadirá o cubículo, lacrimejantes olhos, hipnotismo dos sentidos, fixos olhares em chamas que aquecem o forno de todas as gulas. Será o folar, a bola de azeite, leveduras da alma, fermento da génese, um abraço na orgia que acometerá nasais receptores. Venha de lá o pecado, o de carnais prazeres, não o outro, virem-se as perversas mentes para as carnes que recheio dão à massa de ovos, azeite e farinha. E o invólucro de gordura que as separa do resto do amarelo manjar? Salivo, se salivo, como se as bucais enzimas sofressem um repentino esgotamento... "Atão, um home tamém tem dreito a uas pironguices"... Oh lentidão dos dias!... "Pacência", hão-de sucumbir ao inexorável rodopio da tríade de ponteiros. Tic-tac, tic-tac, o próximo sorriso de xisto é já ao virar da próxima descida... Ou subida, que "mai fai"...

sexta-feira, 11 de março de 2011

O espírito da alma, "si u hai"...

..."Ou lá o que caraltchas sprita um home. Boa jeira, pró catano co as almas do outro mundo! Bem m'ou finto q'andim puri ó Deus dará, bôs aldrúbias se m'assaírum os lorpinhas que bêim cousas a boar à neitinha. São mim piores os lapouços alapados que nos racosim cos impostos"!... E era uma vez mais um Entrudo, lá, onde o País Merdoso (que merecemos) acaba e o Reino Maravilhoso (que temos) começa. Algures num encantamento dos sentidos, onde, por terra do olvido ser, nos esquecemos efemeramente das agruras de Fê-Mê-Is, Merqueles, U-És e Dói-techelandes. E como dói!!! Não propriamente a "techelande" (não está incluída n' "a cor do horto gráfico")... Esta algia que consome provém da visão da "tachalândia", variação em "dor maior" para um país onde a grande maioria vai afinando pelo acorde de "réu menor"... Enquanto a pena não se agrava, desagrave-se a coisa, recorra-se a mágicas poções embrulhadas a saber, aliviem-se neuronais sistemas atrofiados por recurso a gustativas papilas excitadas por atmosferas adornadas a ancestrais aromas. "Bota-s'um butelo por as goelas abaitcho, infia-s'um azedo de companha, mama-s'ua pinga" e ficam anestesiados os sentidos por breves instantes. Como se o sistema filosófico passasse a ter a omipresença de Platão em detrimento de Sócrates... "Ou cousa que se l'apareça, digo ou"... E digere-se o fausto banquete em incursões a "Tchucalheiros Intrudos", lá para os lados das terras que de D.Podêncio devem ter sido. Amealham-se uns trocados de folia, amputam-se as invisíveis extremidades que nos decoram a alma, como se fôssemos gado miúdo permanentemente encornado pelo graúdo gado do leme, e... Esquecemo-nos. Da vilipendiada gente que somos, escondendo o atrofiamento por detrás de uma ancestral máscara, Caretos somos, ou Caretos queremos ser, numa emocional descarga de chocalhos, secretamente desejando que as artérias de Podence ou Macedo se metamorfoseiem, mágicas encenações de Entrudo, e se pintem a corredores de S. Bento... Ilusões, insanas ilusões... Lenitivo desejo... E espantem-se os espíritos, ou casem-se os vivos! Apregoem-se os casamenteiros e desça-se em procissão de deslumbramento, traje-se a face a incontidos sorrisos, extasiem-se os ouvidos com admiráveis choros das de foles, arregalem-se os olhos que se queima o boneco. E aqueçam-se os "pur dentros" com uma queimada, aperitivo para outras sonoridades. Revejam-se velhos amigos, encante-se a alma de xisto com acordes outros, afague-se a noite na festiva tenda, fundam-se os glóbulos de pedra nas raízes dos sons. E baile-se, num baile que se deseja eterno, infantis regressões, mundos outros onde a percussão nos invade a nostalgia e a gaita-de-foles nos rega as memórias. Deixamo-nos encantar pela euforia de gente que contagia, roncos, do diabo os dizem, di-los-ei eu celestiais, se é que por lá aceitam musicais derivações de belzebu. Por cá, por este pedaço de terra à beira Azibo plantada, foi o céu. Estrelado também, nocturna pintura de indescritível sabor, galeria de arte de pétreo mar. Olhos pregados na hipnose da noite, silêncio quebrado pela sinfonia que vem do interior da tenda de todos os encantos, arrepios da alma, a maldade de um cigarro por companhia no frio exterior. E ao longe, lá onde repousa a albufeira, pirilampos da noite de aldeia esquecida, olhar perdido em horizontes de vasta escuridão, sonhos quebrados pelo chamamento de mais uma melodia que relembra anciãos seres, Zoelas quiçá, infâmes desejos de ancestralidade perdida, ou de distinção esquecida. É a gente, as pedras, os aromas, os gostos... É a terra... A minha... A minha terra...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DJ CHARLES B - Essências de musicalidade macedense

Tudo o que provenha da terra parideira "arrebunha-me" os sentidos, deixa-me o sistema neuronal "mêo spritado", e fico num transe em que "se me botum o caralhitchas dos genes ós pintchos"... Especialmente, se os "pintchos" forem provocados por sonoridades que, não fazendo parte do meu habitual cardápio musical, me seduzem pelo encantamento de terem a mesma pétrea génese que eu. Mas não só... Porque, "berdade das berdadinhas", uns breves instantes dedicados às misturas e re-misturas do Carlos Borges, macedense como eu, instigam uma estranha volúpia musical. Como se, para este Cavaleiro, tivesse representação a antítese da melomania que lhe afaga os dias. Porque, a bem da verdade, as minhas influências musicais estão a léguas daquilo que é produzido pelo DJ Charles B. Na certeza, porém, de que não me remeto a uma perpétua quarentena no que a novas influências diz respeito, como se vivesse num inexpugnável castelo musical. Há sempre uma qualquer porta entreaberta, aguardando pacientemente a chegada de algo que me arrepie os sentidos, me seduza esta irreprimível vontade de conhecer o desconhecido. Foi isso que, humildemente, aconteceu com esse macedense residente na Madeira que, sabe-se lá porque artes mágicas, teve o dom de me fazer abstrair do universo em que a minha amplitude musical navega habitualmente. E, quase desordeiramente, os meus neurónios musicais foram penetrados por uma batida à qual só estavam habituados em certas idas noites de etílicos vapores, quando a disposição ainda dava permissão para aventuras e desventuras noctívagas, noctívagos amigos por companhia. É essa batida que me vai fazendo companhia enquanto o teclado procura servir, sem o conseguir, de percussão... Num paradoxo de permanência na irrequietude, como se um qualquer rejuvenescimento me tivesse invadido a ementa de sonoridades mais calmas...

http://www.letsmix.com/mix/71093/dj_charles_b_spain_2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Variações de fim-de-semana

Todos temos que fazer opções... Neste fim-de-semana que se aproxima gostaria de repetir aventuras de outros anos. No entanto, confesso que fico com um ligeiro amargo de boca. Apenas porque me apetecia reviver o pretérito fim-de-samana... O mesmo frio cortante, o mesmo vento gélido, o mesmo céu azul... As mesmas imagens, as árvores desprovidas de folhagem, os lameiros, os montes, as gentes. E, já agora, caso não fosse ser demasiado exigente, a neve. E a Feira da Caça e do Turismo... Sugestões...

sábado, 8 de janeiro de 2011

A improbabilidade provável


Um dos obscuros aspectos da cidade parece ter subido, definitivamente, à província. Enfermidades dos tempos modernos. Hediondas enfermidades, direi... A recusa na crença foi deixando esta publicação a marinar. Prolongou-se a marinada dias a fio, à espera de um qualquer ingrediente que lhe alterasse a excessiva acidez. As consecutivas provas foram revelando que os potenciais receios em vão não eram... Ao invés de condimentos básicos, ao composto foram sendo adicionados, quase diariamente, temperos que lhe diminuíram o pH. A culinária dos dias também tem direito às suas desventuras... Casos há em que as ditas desventuras deixam o acre sabor do fel... Assim, amargo, arrepiante, capaz de ressuscitar finadas papilas gustativas... Assemelhe-se esta "cousa" a uma dúvida existencial, uma daquelas em que se duvida até da própria existência da dúvida. Ter-se-á instalado o crime em Macedo de Cavaleiros? Ou terão chegado os ventos da impunidade? Inocentemente, vou-me debatendo com as novas (velhas) provenientes da terra-mãe. No último mês, as novas transfiguraram-se, inusitadamente, em... novas. Ora são ajustes de contas que incluem uns balázios nocturnos... Ora são simulações de raptos... Passando pelo descaramento do furto, em plena via pública, de uma carrinha de distribuição de pastéis... Ou de uma máquina de lavar de uma loja de electrodomésticos... Terminando no sacrilégio do furto de uma imagem do séc. XVII do Menino Jesus, do interior da Igreja de S. Pedro... Será impressão minha, estarei com algum delírio persecutório, será algum complexo momentâneo? Dirão os mais moderados sectores, aqueles que tratam de depositar as culpas nas desigualdades que eles próprios criam, que esta "cousa" não passará de uma perversão da realidade, levada a cabo por uma cambada de conjurados, numa mediática conspiração para tomar de assalto a pacatez da gente. Mas, entretanto, vamos sendo assaltados... Será por gente do RSI? Será pelos vitimados por xenofobia? Será pelos desgraçados que engrossam as estatísticas? Será pelos que lutam por certas liberalizações? Será por nós próprios? Ou pela santa ironia?... Irrisórias apreensões perante as estéreis querelas diplomáticas entre o Cavaquistão, a Alegrândia, a Nobrânia e afins territórios deste enclave presidencial... Siga a dança que o povo está cá para dançar segundo os acordes que lhe impõem. Como mau dançarino, limito-me à inconveniência de repensar algumas coisas. E, verdade vos digo, começo a pensar se não trocaria, de bom grado, esta merda de liberdade por um pouco mais de segurança... Acidez dixit...

domingo, 2 de janeiro de 2011

A Linha é Tua...

... as saudades são Minhas, o poder é Deles, a asnice é Nossa. E, bem elaborada a teia de pensamentos, o património enquadramento deveria ter também no que Nosso é. Porém, atente-se numa qualquer verbal forma de pretérito mais que recente, e iluminar-se-á o gramatical hemisfério da Nossa tolice com um pretérito mais que imperfeito. Num presente do conjuntivo no qual, se não não me sentisse tratado como sandeu, não recearia por uma enterite da alma num qualquer futuro condicional, apenas porque me sinto condicionado por quem, por derivações de universais sufrágios, me vai compulsivamente tentando convencer que a minha massa encefálica sofreu um revés, com directas conexões ao intestino grosso. Será por isso que sou acossado por estes flatos do espírito? Talvez ainda não esteja definitivamente convencido, apenas pela consciência da presença deste paradoxo de sofrer de flatulência espiritual na ausência de gás sulfídrico. Convenço-me, tão só, da permanência destas eructações da mente, de cuja etiologia tenho perfeita noção, enquanto não me inoculam definitivamente com "stupidus vírus". Valha-me o remanso do original significado de "stupidu"... E valha-me o conforto de não me sentir um asceta nesta estranha forma de arrotar inconveniências em relação àqueles a quem dou significativa contribuição para a sua eutrofia. Não resisto a coçar esta micose da alma, pruridos tantos por ver os poucos que engordam à custa dos muitos que definham. E porquê toda esta verborreia? Coisa simples, coisa pouca, apenas uma elaborada campanha publicitária da CP, que me fustigou a sesta dos meus pacatos neurónios, e me trincou os ossos até à medula, tal foi o arrepio, que até os pêlos do peito que não tenho ficaram eriçados. Nada que tenha ocorrido em Macedo de Cavaleiros, ou Mirandela, ou Bragança. Mas, a crer nas boas novas, a prima capital do distrito vizinho, vilipendiada de idênticas formas, amputada que vai sendo de férreas vias, por andar morfinizada a nossa férrea vontade, viu as suas artérias serem adornadas por um "outdoor" onde se lê, a garrafais letras: «MUDE A SUA VIDA, VÁ DE COMBOIO»... "Bô, mas atão já tchiguemos adonde, ou que caralhitchas é esta mangação? Atão, racosim-nos o quimboio, é ua stragação botar as bistas nas stações ó Deus dará, tratum-nos cmu se fossemos uns tchibos de segunda, amoutchemus-nos e ós depeis inda querim que bamos de quimboio?"... Que vão gozar com o CQOR (abreviatura vernácula, aqui decorada a eufemismo: que vão gozar com um Quercus Que Os Racosa!)...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Futuro!

É tempo da efemeridade dos desejos. Desejou-se Bom Natal, apenas numa mísera noite, regressando os desejos ao recato de uma qualquer gaveta do olvido. Até para o ano... Deseja-se agora Bom Ano Novo, farsa de um dia de uma nota só. Porque Ano Novo é amanhã. Mas também depois de amanhã... E depois... E depois... Um amanhã que se repetirá por 365 dias sem repetições de desejos. Numa sinfonia do tempo onde deveriam constar distintos acordes. Abafados por uma qualquer desinteria da modernidade... Por isso, as Cousas não desejam um Bom Ano Novo. Limitam-se à singeleza do desejo de um Óptimo Futuro. Amanhã... Depois de amanhã... E depois... E sempre!

Tempo (in Cântico do Homem - Miguel Torga)

Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!