Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DJ CHARLES B - Essências de musicalidade macedense

Tudo o que provenha da terra parideira "arrebunha-me" os sentidos, deixa-me o sistema neuronal "mêo spritado", e fico num transe em que "se me botum o caralhitchas dos genes ós pintchos"... Especialmente, se os "pintchos" forem provocados por sonoridades que, não fazendo parte do meu habitual cardápio musical, me seduzem pelo encantamento de terem a mesma pétrea génese que eu. Mas não só... Porque, "berdade das berdadinhas", uns breves instantes dedicados às misturas e re-misturas do Carlos Borges, macedense como eu, instigam uma estranha volúpia musical. Como se, para este Cavaleiro, tivesse representação a antítese da melomania que lhe afaga os dias. Porque, a bem da verdade, as minhas influências musicais estão a léguas daquilo que é produzido pelo DJ Charles B. Na certeza, porém, de que não me remeto a uma perpétua quarentena no que a novas influências diz respeito, como se vivesse num inexpugnável castelo musical. Há sempre uma qualquer porta entreaberta, aguardando pacientemente a chegada de algo que me arrepie os sentidos, me seduza esta irreprimível vontade de conhecer o desconhecido. Foi isso que, humildemente, aconteceu com esse macedense residente na Madeira que, sabe-se lá porque artes mágicas, teve o dom de me fazer abstrair do universo em que a minha amplitude musical navega habitualmente. E, quase desordeiramente, os meus neurónios musicais foram penetrados por uma batida à qual só estavam habituados em certas idas noites de etílicos vapores, quando a disposição ainda dava permissão para aventuras e desventuras noctívagas, noctívagos amigos por companhia. É essa batida que me vai fazendo companhia enquanto o teclado procura servir, sem o conseguir, de percussão... Num paradoxo de permanência na irrequietude, como se um qualquer rejuvenescimento me tivesse invadido a ementa de sonoridades mais calmas...

http://www.letsmix.com/mix/71093/dj_charles_b_spain_2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Variações de fim-de-semana

Todos temos que fazer opções... Neste fim-de-semana que se aproxima gostaria de repetir aventuras de outros anos. No entanto, confesso que fico com um ligeiro amargo de boca. Apenas porque me apetecia reviver o pretérito fim-de-samana... O mesmo frio cortante, o mesmo vento gélido, o mesmo céu azul... As mesmas imagens, as árvores desprovidas de folhagem, os lameiros, os montes, as gentes. E, já agora, caso não fosse ser demasiado exigente, a neve. E a Feira da Caça e do Turismo... Sugestões...

sábado, 8 de janeiro de 2011

A improbabilidade provável


Um dos obscuros aspectos da cidade parece ter subido, definitivamente, à província. Enfermidades dos tempos modernos. Hediondas enfermidades, direi... A recusa na crença foi deixando esta publicação a marinar. Prolongou-se a marinada dias a fio, à espera de um qualquer ingrediente que lhe alterasse a excessiva acidez. As consecutivas provas foram revelando que os potenciais receios em vão não eram... Ao invés de condimentos básicos, ao composto foram sendo adicionados, quase diariamente, temperos que lhe diminuíram o pH. A culinária dos dias também tem direito às suas desventuras... Casos há em que as ditas desventuras deixam o acre sabor do fel... Assim, amargo, arrepiante, capaz de ressuscitar finadas papilas gustativas... Assemelhe-se esta "cousa" a uma dúvida existencial, uma daquelas em que se duvida até da própria existência da dúvida. Ter-se-á instalado o crime em Macedo de Cavaleiros? Ou terão chegado os ventos da impunidade? Inocentemente, vou-me debatendo com as novas (velhas) provenientes da terra-mãe. No último mês, as novas transfiguraram-se, inusitadamente, em... novas. Ora são ajustes de contas que incluem uns balázios nocturnos... Ora são simulações de raptos... Passando pelo descaramento do furto, em plena via pública, de uma carrinha de distribuição de pastéis... Ou de uma máquina de lavar de uma loja de electrodomésticos... Terminando no sacrilégio do furto de uma imagem do séc. XVII do Menino Jesus, do interior da Igreja de S. Pedro... Será impressão minha, estarei com algum delírio persecutório, será algum complexo momentâneo? Dirão os mais moderados sectores, aqueles que tratam de depositar as culpas nas desigualdades que eles próprios criam, que esta "cousa" não passará de uma perversão da realidade, levada a cabo por uma cambada de conjurados, numa mediática conspiração para tomar de assalto a pacatez da gente. Mas, entretanto, vamos sendo assaltados... Será por gente do RSI? Será pelos vitimados por xenofobia? Será pelos desgraçados que engrossam as estatísticas? Será pelos que lutam por certas liberalizações? Será por nós próprios? Ou pela santa ironia?... Irrisórias apreensões perante as estéreis querelas diplomáticas entre o Cavaquistão, a Alegrândia, a Nobrânia e afins territórios deste enclave presidencial... Siga a dança que o povo está cá para dançar segundo os acordes que lhe impõem. Como mau dançarino, limito-me à inconveniência de repensar algumas coisas. E, verdade vos digo, começo a pensar se não trocaria, de bom grado, esta merda de liberdade por um pouco mais de segurança... Acidez dixit...

domingo, 2 de janeiro de 2011

A Linha é Tua...

... as saudades são Minhas, o poder é Deles, a asnice é Nossa. E, bem elaborada a teia de pensamentos, o património enquadramento deveria ter também no que Nosso é. Porém, atente-se numa qualquer verbal forma de pretérito mais que recente, e iluminar-se-á o gramatical hemisfério da Nossa tolice com um pretérito mais que imperfeito. Num presente do conjuntivo no qual, se não não me sentisse tratado como sandeu, não recearia por uma enterite da alma num qualquer futuro condicional, apenas porque me sinto condicionado por quem, por derivações de universais sufrágios, me vai compulsivamente tentando convencer que a minha massa encefálica sofreu um revés, com directas conexões ao intestino grosso. Será por isso que sou acossado por estes flatos do espírito? Talvez ainda não esteja definitivamente convencido, apenas pela consciência da presença deste paradoxo de sofrer de flatulência espiritual na ausência de gás sulfídrico. Convenço-me, tão só, da permanência destas eructações da mente, de cuja etiologia tenho perfeita noção, enquanto não me inoculam definitivamente com "stupidus vírus". Valha-me o remanso do original significado de "stupidu"... E valha-me o conforto de não me sentir um asceta nesta estranha forma de arrotar inconveniências em relação àqueles a quem dou significativa contribuição para a sua eutrofia. Não resisto a coçar esta micose da alma, pruridos tantos por ver os poucos que engordam à custa dos muitos que definham. E porquê toda esta verborreia? Coisa simples, coisa pouca, apenas uma elaborada campanha publicitária da CP, que me fustigou a sesta dos meus pacatos neurónios, e me trincou os ossos até à medula, tal foi o arrepio, que até os pêlos do peito que não tenho ficaram eriçados. Nada que tenha ocorrido em Macedo de Cavaleiros, ou Mirandela, ou Bragança. Mas, a crer nas boas novas, a prima capital do distrito vizinho, vilipendiada de idênticas formas, amputada que vai sendo de férreas vias, por andar morfinizada a nossa férrea vontade, viu as suas artérias serem adornadas por um "outdoor" onde se lê, a garrafais letras: «MUDE A SUA VIDA, VÁ DE COMBOIO»... "Bô, mas atão já tchiguemos adonde, ou que caralhitchas é esta mangação? Atão, racosim-nos o quimboio, é ua stragação botar as bistas nas stações ó Deus dará, tratum-nos cmu se fossemos uns tchibos de segunda, amoutchemus-nos e ós depeis inda querim que bamos de quimboio?"... Que vão gozar com o CQOR (abreviatura vernácula, aqui decorada a eufemismo: que vão gozar com um Quercus Que Os Racosa!)...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Futuro!

É tempo da efemeridade dos desejos. Desejou-se Bom Natal, apenas numa mísera noite, regressando os desejos ao recato de uma qualquer gaveta do olvido. Até para o ano... Deseja-se agora Bom Ano Novo, farsa de um dia de uma nota só. Porque Ano Novo é amanhã. Mas também depois de amanhã... E depois... E depois... Um amanhã que se repetirá por 365 dias sem repetições de desejos. Numa sinfonia do tempo onde deveriam constar distintos acordes. Abafados por uma qualquer desinteria da modernidade... Por isso, as Cousas não desejam um Bom Ano Novo. Limitam-se à singeleza do desejo de um Óptimo Futuro. Amanhã... Depois de amanhã... E depois... E sempre!

Tempo (in Cântico do Homem - Miguel Torga)

Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Retalhos natalícios

Consomem-se os derradeiros segundos, malas prontas, aviadas, compostas. Rectificam-se os últimos temperos, provam-se banais ansiedades, agoirentas as dirão os votados a crendices, passageiras de anos tantos, suavizam-se ao primeiro roncar de motor, aliviam-se às iniciais passadas de devorado asfalto, extinguem-se com o vislumbre de anunciadoras ondas de pétreo mar. Vulgaridades de repetições muitas, ano após ano, há anos tantos que, de tão poucos, quiçá, muitos parecem... Inquietações, amenas inquietudes, adensa-se a incerteza de vergastadas no mercúrio, arrepia-se a jornada a cada baforada de nicotina, esbugalham-se os sensoriais receptores a cada invasão de forçada brisa da montanha. É um mundo, reinterprete-se, O MUNDO!, pintado a familiares cores, tonalidades de sempre, ou reinventadas aguarelas de uma imaginação onde em permanência germinam centeio, batatas e castanhas em férteis campos regados a paradoxo de agrestia. Sente-se, explica-se, ou tenta-se, num infindável desfilar de nunca tidas sensações, como se, de repente, a uma algia da alma lhe aprouvesse transfigurar-se em dor do prazer. Conquista-se o Marão, barreira de ancestral ditado, mandam os que lá estão, ou não mandarão. Cala-se o silêncio de uma qualquer balada de ocasião, infunde-se respeito pelo recado do vento, gélido vento da alvura. Abranda-se o andamento, respira-se a cor, absorve-se a momentânea expiração da montanha, pulmonares simbioses de encantos muitos. Está frio. Ao longe, o manto da névoa, redobrados cuidados, montes de sopés tapados, repetidas imagens sempre guardadas. E a angústia da proximidade, filtra-se o espaço, falta muito, pouco falta? Calem-se, prazenteiras vozes!, Murça é já ali, ao virar de uma qualquer próxima curva, e o Tua compassado corre, há-de chegar, indisfarçável desprezo por uma travessia mais, lá longe, ali perto, tão perto. À distância de uma ultrapassagem mais, ou não, dependências de mal paridos itinerários que a terras do olvido conduzem. O Romeu, a outra Jerusalém, terá Saladino efectivado uma conquista mais?, ou será a miragem de um qualquer oásis num deserto que ao paraíso conduz? Macedo está ali, incólume, ao findar da subida, aconchegado entre sentinelas, pacificamente aguardando o culminar de uma epopeia sempre repetida, sempre desejada, de sempre adorada. É o epílogo da jornada, clímax de repetidas façanhas, batalhas tantas de pretenso Quixote, um moinho aqui, outro acolá, sem velas ao vento, apenas a fugaz tenacidade de um desejo que, de cansaços tantos, apenas quer repousar à sombra do protector braço de Montemé. Sorriem os olhos pelo avistar da silhueta do dorso, agora adornado a pirilampos desenformados de eólicas desventuras, venturas talvez. Gradíssimo acolá, Pinhovelo além, Amendoeira ali, a Carvalheira de sempre, Travanca ao lado, a Bela Vista dos arredores, e o Herculano eternizado, equivocadamente eternizado. É chegada a minha "vila"... Emoções repetidas, nunca monótonas, o renovar de um laço mais, aquele abraço, o beijo outro, e outro abraço mais. E um estômago que reclama pela volúpia de refinados paladares, distintas atmosferas que atrofiam os receptores da taciturnidade, ressuscitando memoráveis registos de anestesiados sentidos. "Ora abonda cá mais um cibo de tchitcha, bota-l'um tantinho de molho queimão... E atão, o arrôze de coube e irbanços stá mim amanhadinho, num stá?"... É a pureza em estado puro... Corroborada pelo tamanho encanto a que as gustativas papilas são elevadas, num reencontro com "rijões" que, na simplicidade de um mundo de xisto, sabem a rojões. Ou no clássico bailado de um queijo de ovelha fresco impregnado a compota de abóbora com nozes... Trás-os-Montes sabe-me a mundo distinto... É o restolho da genética, das raízes, da alma! Dele provém a indómita vontade de não resistir ao encantamento do fumeiro. Remete-se a vontade de uma incursão ao café para a gaveta do amanhã, afia-se o querer, desafia-se o comodismo, espanta-se a preguiça. Degola-se o pão, um após outro, metodicamente. Recheia-se o "caldeiro", camada após camada, a paciência por companhia, o trote da máquina por estímulo. Alguém há-de despertar para a cozedura das "tchitchas", num ritual da ancestralidade, potes ao lume, fogo desperto, imensamente desperto, ambiente impregnado de inconfundíveis aromas, saliva em convulsão. Hão-de vir as sopas das alheiras para saciar a gula, efémeros momentos para a eternidade. Não sem presenciar o estranho digladiar num pântano de massa de pão com carne desfiada, onde se entrecruzam mãos ávidas por rechear as tripas que aguardam a sua vez de se transformarem em arte de ourives, quais luzidios pendentes alinhados numa vara à espera de um cliente que não resista aos seus encantos. Já lá estão, soltando lágrimas por se lhes secarem as entranhas, apura-se-lhes o sabor, aquece-se-lhes a alma com a ternura de sábia gente que lhes conhece as manhas, um "strafogueiro" mais, chegam-se-lhes as brasas que lhes afumam o ser. Um dia hão-de estar prontas para saciar desmedidas vontades. Deseja-se o frio que as atormente e lhes amenize a cura. Mas não! Persiste esta urina dos deuses disfarçada de chuva. O disfarce deveria ser outro... Mas é assim, as alheiras estão lá, altivas, aguardando que a impaciência dos que as cobiçam não se eleve cedo demais...

Anormalidades meteorológicas

Os impropérios do tempo, não os do malfadado que corre sem sequer dar permissão a uma breve cavalgadura ao ponteiro dos segundos, derreado pelo peso da vontade de uma fugaz atrocidade de regressão temporal, ou paragem apenas, leve, suave, candidamente decorada a infâmia de troca das voltas do que estabelecido está. Não esse tempo... O outro, meteorologicamente louvado em boletins de gente que sacia a avidez de controlarmos o que, climaticamente, incontrolável é. Simplesmente, chove... Olha-se a abóbada, desesperadamente olha-se a abóbada, a celeste, perscrutando o infinito, salvaguardando a irreprimível vontade de descortinar uma estrela, uma estrela apenas, uma que seja, lá longe, perdida no horizonte do desejo. Não há estrelas, visíveis que sejam, tão só esta cadência de gotículas que fustigam o ar, amena temperatura de um Dezembro que se queria pingado a gelo, neve que fosse, alva, pura, temperada a Natal, a Inverno seja, mas fria, deliciosamente fria, atormentadoramente fria, gelada até. Mas não! Chove, apenas chove. Desesperadamente, chove, sem frio, sem termómetros flagelados pela geada, sem aragem que enrijeça a alma. Anseia-se pelo choque térmico que cura as carnes, vergastadas por um gélido vento que desperte o mais morfinizado dos neurónios, e nada. Nada de nada! Resume-se o exterior à insanidade húmida, temperada, desprovida de aromas a Inverno, privada da agrestia que empurra umas luvas ou um cachecol que afaguem a epiderme. Ergue-se o olhar e assiste-se à impavidez da Lua, cheia parece, assemelhando-se a um desolado par que aguarda pelo convite de desenfreadas nuvens que dançam ao som de uma orquestra de silêncio quebrado pela percussão de gotas que, aleatoriamente, se estatelam de encontro à desolação de um chão molhado. É a prosápia do tempo, incólume, insondável, imbeliscável... É a altivez de uma incontrolável e inatingível forma de rasgar o canto do gelo. É o "catantcho do tempo que se m'aparece q'stá a mangar co Imberno. Ou só q'ria um cibeco de frio"...