Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tradições com atraso...

(Antes de ouvir, e caso ainda não o tenha feito, desligue, p.f., o som da Cousas Rádio...)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Equívocos históricos de uma futura coutada

Iluminado estaria o grande Torga, padrinho do Reino Maravilhoso. O desentorpecimento dos dias faz-me crer que o seu conceito, mesmo que apaixonadamente transmontano, estará para lá da aparente limpidez superficial. «Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo.» Maravilhosos pela beleza, ou maravilhosos pelo imaginário do esquecimento?… No rio do calendário que corre, maravilhosos pelo estremecimento de um sonho, em que um qualquer mítico tesouro mouro repousará nas profundezas do «oceano megalítico»… Trás-os-Montes mantém o maravilhoso, perdeu há muito a categoria de reino. Já nem província é, transformaram-nos num híbrido estatístico. Ser de um mapa apagado, nomenclatura que me remete, irremediavelmente, para frutos de casca dura. Reminiscências de produtores de “chest NUTS”, algumas “wal NUTS” e “hazel NUTS”. Seremos tão penalizados por não produzirmos “coco NUTS”? Ironicamente, limitamo-nos à metade das minúsculas ou, em última instância, a deixarmo-nos ser tratados como tal… Os nossos olhos ainda não perderam «a virgindade original diante da realidade». O nosso mutismo fez-nos seres de “nuts” amolecidas, mesmo que façamos parte de um «mar de pedras». Talvez as pedras sejamos todos nós, pedras brandas, tratados como calhaus, gratos pelas benesses hipocritamente políticas com que somos bafejados pelo livre arbítrio de gente que nunca percebeu o que é viver «no cimo de Portugal». Um cimo desviado para um interior bem consonante com o afirmado pelo primo Aquilino, parente das Beiras, «terras do demo» que também somos. Seremos? Porque o esquecimento parece ser extensível ao dito. Nem o mesmo se lembra de nós… Seremos «como os ninhos», palavras de imortal Torga, que «ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos»? Há «léguas e léguas de chão raivoso»… Sou feito desse chão, áspero e bravio, sou feito de xisto e de intrusões graníticas, corre-me o Azibo nas veias, o Sabor nas artérias e a minha linfa é feita de águas do Tua. A minha hematopoiese é um anómalo processo de onde saem eritrócitos com um volume globular do tamanho de Bornes, disformes leucócitos redesenhados ao sabor da Nogueira… E por desse raivoso chão ser feito, levanta-se a raiva por Alturas de Latães, ou pela Penha Mourisca, que “mai fai”. Ergue-se a dita porque querem fazer da transmontana mulher uma “pedra parideira” e Serra da Freita por cá não temos. Somos «mar de pedras», até as pedras são dignas de não parirem num qualquer IP4, estatísticas mal amanhadas que encerram maternidades por força de números, algarismos mal paridos em gabinetes de adiadas promessas de helicópteros. Proteste a Assembleia Municipal, que nem o demo nos ouve… As hélices estão agora viradas para novo parto numérico. Seremos poucos, é certo, mas cães vadios não somos e até esses merecem tratamento digno. Infiltram-nos com rebuçados embrulhados a esperança, serviços de oncologia, hospital de dia. Afinal, não há requisitos mínimos, disfarce de um tribunal de contas para criar um “hospital de noite”, sem luz para os olhos da gente brotada para lá do Marão. Regressem, Bragançãos! Mendo Alão raptor de princesas, bravos descendentes incomodados por natas escorridas em barba rija… Volta, Nuno Martins de Chacim! Estás perdoado pelos abusos e usurpações ao povo transmontano! Renasce, Sancho I e esquece lá o foral que deste a Bragança e as lutas que tiveste para manter um pedaço de terra onde «não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho»! Ressuscita, João Afonso Pimentel, e luta arduamente, sem convencimentos de Condestável que valham a pena! Ainda que uma nódoa fique no Martim Gonçalves, que de Macedo era… Revivam Zoelas e venham de novo Romanos, inteligentes conquistadores que precocemente perceberam os genes de ancestrais transmontanos, integrando-os no Conventus Asturicensis. Estamos longe de Asturica Augusta, mas temos Ocellum Duri aqui ao lado… Não havia tribunal de contas que adiasse as suas vias, ainda que traçadas num quase inóspito território com entranhas de valor, abertas, explorações mineiras para serem encerradas. Prenúncio de contemporâneos serviços… Poupava-se em promessas eternamente adiadas, e o Marão persistiria em barreira impenetrável. Não teríamos Ministros da Cultura a parodiarem com o enclave leonês linguístico, daríamos livre curso à história. Como temos mais afinidades com o outro lado, já não me importa que nos transformem numa versão neo-Olivença, num qualquer negócio com paralelismo no conhecido Alasca. Afinal, já como “erbanços” e já desço “escaleiras”… Habituar-me-ia a ter um “tren del Tua, sin embalses, com aprovechamiento turistico, añadido de una autovia sin peage”… E, quem sabe, faria parte da “Sanidad de Castilla y Leon”, e seria atendido no “Hospital Virgen de la Concha”… Não me incomodaria fazer parte “del area de los verracos y piedras fincadas, territorio de los Zoelas y de los Vettones”. Talvez tivesse direito a uma “aldea historica recuperada de Banreses”, a uma maior exaltação de uma “Fraga de los Cuervos” ou à preservação da história e da cultura de um povo. E, quem sabe, “el Lago del Azibo” atingisse um patamar de ícone semelhante ao homólogo da Senabria… Talvez aí, sim, “el mar de piedras” fosse um “reino maravilloso”… Sem substanciais alterações no orgulho… Desculpa, Miguel Torga… “El nombre de Transmontano, que quier decir hijo de Trás-os-Montes, pues asi se llama el Reino Maravilloso de que vos he hablado”… Eu seria apenas um filho de “Manzanedo de los Caballeros”…

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Juventude irrequieta

Um pouco de revivalismo... De um tempo em que o país ainda parava para assistir ao Festival da Eurovisão ou para ver os Jogos sem Fronteiras. As ansiedades e desejos da passagem de ano esmoreciam ao sabor do estômago cheio, combinações feitas, ar gélido por companhia, instrumentos artesanais preparados no arcaísmo do tempo... E vozes convencidamente afinadas. O encontro não tinha hora marcada, os gorros e cachecóis iam pintalgando o parque infantil à medida que os deveres do jantar iam finando. Não se contavam cabeças, sabia-se instintivamente que já estavam todos. Caso não estivessem, haveriam de encontrar os restantes. Quando o cansaço se apoderava da visão do bafo quente que desenhava efémeras nuvens na atmosfera fria, era hora de olhar em redor, tentando descortinar as casas que apresentavam vestígios de gente. Não se sabia por onde começar, mas o início tinha sempre lugar. "Ainda agora aqui cheguei, pus o pé nesta escada...". Os improvisados ferrinhos, o tambor desajeitado, e outras coisas mais, inventos de ocasião da preciosidade infanto-juvenil. E as vozes... Ah, as vozes! Aquelas certinhas mas desafinadas vozes, interrompidas por ocasionais risadas a cada engano. Como ainda não havia o conceito de júris, importava apenas o resultado final, depois de mais um "Quem diremos nós que viva; Por cima de uma azeiteira; Viva lá a dona da casa; Que é uma boa cozinheira"... "Quem diremos nós que viva; Nós não queremos ficar mal; Vivam os patrões desta casa; Vivam todos em geral"... Viesse de lá o sorriso dos moradores, acompanhado da preciosa moedita de "cincroas" ou "cinco paus". "Quanto é que já temos?"... Paradoxalmente, a suprema experiência advinha de não recebermos nada pelo esforço, para lá de uma porta que se mantinha fechada. Era motivo mais que justificável para a vingança... "Estes barbas de farelos; Não têm nada para nos dar; Só têm uma arquinha velha; Onde os ratos vão...(coisas fisiológicas, entende-se)"... Acompanhada de estridentes gritos e arremessos contra a dita porta que não se abria. E um "pernas, para que te quero". Ajudava a aquecer a noite fria... No final da jornada, qual miudagem do "Once upon a time in America", secretas reuniões de partilha do bolo, munidos de vontade que o dia seguinte chegasse, orgulhosos da receita nocturna. Eram as Janeiras, os Reis, ou o que quer que fosse. Era uma forma de partilha de um conceito de amizade que se esfumou, cumplicidades geradas num materialismo imberbe... Aquela mesma cumplicidade com que vou sendo presenteado, à distância de um telefonema... "Meninos, venham! É a avó! Vai-nos cantar os Reis!" E canta, naquela pureza encontrada em voz de avó. Inolvidáveis minutos de emoção transmontana...

Compensações

O ano até começou com algumas agruras pessoais. Pontualmente, temos que nos resignar às perdas. Como entendo que, apesar de tudo, ainda existe algum equilíbrio, sempre que sou bafejado pelos ventos da má sorte, parto logo em desenfreada e obstinada busca de compensações. Ainda que apenas as encontre no mundo futebolístico. Timidamente, lá arrancam um sorriso ao semblante carregado. E não é para menos. Após o fim-de-semana deparei-me com algo inusitado: o meu clube de coração ocupa a primeira posição! E não é no Campeonato Regional! Também não é naquela Liga patrocinada alcoolicamente... Resume-se à Série A da III Divisão, mas o "mou Club'Atlético" está à frente!!! Que "contcho" fico!!!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dores de alma

Pode parecer obsceno, à luz de certos conceitos instituídos, mas perdi um pedaço da minha alma macedense. Há paixões assim, que nos acompanham, anormalmente, durante 16 anos das nossas vidas. Surgem da loucura da paixão canina, pequenos, indefesos, aguardando impacientemente pelos cuidados dos donos. E crescem, ao sabor de loucas brincadeiras, na quase insanidade de idiotices infantis, corridas desenfreadas atrás de uma bola, lutas simuladas. E nunca nos preparamos convenientemente para a partida. Mesmo que o calendário vá sendo rasgado de forma inexorável. Enganamo-nos, pensando que haverá sempre uma nova ida a Macedo, com a paixão canina, ainda que debilitada pelo peso dos anos, aguardando impacientemente o inconfundível assobio do dono. No Natal, tinha-lhe dado um beijo sentido, daqueles que dizem não dever dar-se a um cão, agradecendo-lhe a paciência por, mesmo doente, ter acedido ao meu pedido de aguardar a passagem de mais umas Festas. Tinha-lhe dito para esperar uma semana mais, que o dono por lá estaria outra vez. Esperou, mas a neve não deixou o dono passar... E ele cansou-se da espera, ou não quis que o dono o visse sem vida... Talvez pela tanta vida que me deu... Há dores inexplicáveis, vazios difíceis de preencher... Não era um cão, era uma parte de mim...

sábado, 2 de janeiro de 2010

2010, Panaceia do Bagaço

Só para entreter e chamar a atenção. Não, obviamente, pelo bagaço, nem pela pretensa panaceia, ainda que um e outro servissem para curar alguns males de que enferma este país. Mais não fosse, pelo poder do bagaço para desinfestação interior. "Ó menos, queima e mát'ó bitcho"... Escuso-me à nomeação dos "bitchos"... Ainda que a mesma possa estar subentendida por associações a beneditinos... S. Bento?... Assembleia?... República?... Desgoverno?... De(s)putados?... Valha-me a originalidade, que nem Kubrick nem o Artur, não o da Távola Redonda, mas o Clarke de seu nome, se lembrariam de tamanha odisseia... Ainda que a mesma decorresse no espaço, invertendo posições dos algarismos. Mas fica bem ou, pelo menos, fica a piada de mau gosto, caso o alambique não tenha facultado o esperado "taste". "Anyway", fica a sugestão de um qualquer abade transmontano que elevou o bagaço a cura de todos os males e a poção da longevidade. Inquisição, chamem a Inquisição!... Quem? O Santo Ofício já não existe! "Quem tu dixo?"... A Fogueira das Verdades apenas foi ultrapassada pela das Vaidades (já sei, párem com as acusações de pseudo-versado em Sétima Arte... isto é só Fogueira de Vista, deriva de conhecimento ocasional acumulado por umas ocasionais consultas à enciclopédia livre... pleonasmos à parte...). "Unde é q'ia?"... "Imburratchei-me, de certo, q'isto já num bate a cara cum a trombeta, careta, digo ou, que já se m'im inrolum os dizeres"... "Bem mou finto, q'inda te saim as palabras dreitas"... "Bô, já num injaldras nada, inté parece que esbaras nessa cousa que s'aparece c'um teclado"... "Prontos, páro já d'injoujar que já m'apareço c'um aldrúbias a fazer mangação"... Isto tudo para dizer o quê?................................. Saudades da terra, orgulho na mesma, saudades de novo e repetido orgulho. Nota-se pouco, é certo. Mas não tenho culpa de ser feito de xisto... Podia ter nascido nas Berlengas, nas Desertas ou nas Selvagens, mas... Há "gajos" com sorte: nasceram "ó pé" da do Fidalgo ainda antes de a dita existir. "E ó depeis?"... "Ó depeis", ser de Macedo é fazer parte da seiva. É melhor ou pior que ser de outro lado qualquer? É apenas tão diferente como ser desse outro lado qualquer. Sente-se, na ambiguidade do ser. Mesmo que a Maria da Fonte seja uma fonte do acaso. E que o acaso tenha brindado a Maria com duas "fontes abantesmas" de mau gosto no lado de lá do Jardim. E que já estejamos em 2010... E que ainda esteja a digerir a forçada ausência das terras que serviram de alicerce à minha existência... "Cum licença, tânho q'ir"...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Partidas do tempo

"Ele há cousas lubadas da breca"! Então não é que ia, todo satisfeito, de malas aviadas para Macedo e a meteorologia resolveu pregar-me a partida? Cousa rara, nevou a pouco mais de 40 km da terra adoptiva! E as informações que me chegavam do Alvão não eram nada animadoras... Lá terei que me aguentar com as trovoadas, chuvadas e demais adas que por aqui vão abundando, tendo que prescindir dos mimos que a progenitora já tinha à espera... Amanhã há mais... Neve? UM ÓPTIMO 2010 PARA TODOS OS QUE POR AQUI VÃO COUSANDO UNS DEVANEIOS!