Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 11 de outubro de 2009

Eleições Autárquicas- Freguesias Centro-Leste

Apurados resultados em todas as freguesias: Vale da Porca, Olmos, Chacim, Salselas, Vinhas, Bagueixe, Talhinhas, Talhas, Lagoa, Lombo, Peredo e Morais. A coligação PSD-CDS (que me esqueci de mencionar como tal nos anteriores posts) venceu em 10 das 12 freguesias, tendo o PS ganho as eleições em Talhas e Talhinhas. Estas considerações aplicam-se, de igual forma, aos resultados para a Câmara Municipal e para as respectivas Juntas de Freguesia.

Eleições Autárquicas - Freguesias Centro-Sul

Já estão apurados os resultados definitivos para o conjunto destas 12 freguesias: Sesulfe, Amendoeira, Vale de Prados, Castelãos, Vilar do Monte, Grijó, Vale Benfeito, Bornes, Burga, Cortiços, Carrapatas e Santa Combinha. Não há muito a dizer… O PSD venceu em todas as freguesias, conseguindo ganhar as 10 Juntas de Freguesia a votos, já que a Burga e Santa Combinha se integram no grupo das que não possuem Órgão Autárquico

Eleições Autárquicas - Freguesias Norte

Faltando apurar, às 22h00 os resultados de Ferreira, seguem-se os dados, um pouco em bruto das Freguesias do norte concelhio: Lamalonga, Vilarinho de Agrochão, Murçós, Soutelo Mourisco, Vilarinho do Monte, Arcas, Espadanedo, Edroso, Ala, Corujas, Lamas e Podence. Para a eleição para a Câmara Municipal, o PSD venceu em 10 das 12 freguesias, perdendo para o PS em Vilarinho de Agrochão e Ala. Já no que respeita a Juntas de Freguesia, excluem-se as de Soutelo Mourisco e Vilarinho do Monte, que não possuem Órgão Autárquico, sendo as decisões tomadas em Plenário da População. Nas restantes 10, o PSD conseguiu vencer 8 Juntas, sendo as excepções, Lamalonga e Vilarinho de Agrochão, onde o PS ganhou as eleições para a Assembleia de Freguesia. Dados curiosos: em Lamalonga, o PSD venceu as eleições para a Câmara, perdendo-as para a Junta; em Ala, ocorreu o fenómeno inverso.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cousas anómalas da interioridade

É já um hábito instalado ter um dos quaisquer “Jornal da Uma” por companhia, enquanto procedo á deglutição do almoço. Já me resignei a assistir a uma hora de notícias versando sobre desgraças e calamidades, qual política editorial de “velhos do Restelo”. Sendo esse desfile noticioso a antítese da forma como vejo o mundo, começo a ser possuído por dúvidas sobre a essência “carpe diem” da minha base de sustentação. Se chove, fico contente. Caso faça sol, fico contente também. Tenho que rever conceitos, porque começo a sentir-me deslocado… Não significa isto que seja um paciente ser vegetativo, que se limita a assistir à passagem de um dia para o outro, como se, ao invés de um ser vivo, fosse apenas um ser existente. Significa, tão só que, não me enquadrando na classificação de omnipresente e omnisciente, nada posso perante certas adversidades. Não desdenharia, contudo, de ser detentor do poder de evitar secas ou cheias… Em relação a essas, sou vencido pela resignação; em relação a outras, não sou vencido pelo cansaço. Essa é uma das causas das “Cousas”… Um pouco na senda da alcunha que ganhei numa instituição de ensino pautada por um extremo conservadorismo, pela luta que empreendi contra a rigidez de conceitos e comportamentos, ainda que, ideologicamente, muito me afaste do médico argentino que trocou um estetoscópio por outras causas e do qual herdei o efémero cognome. Retornando ao “Jornal da Uma”… Nos raros momentos em que sou obsequiado com relatos provenientes de além Marão, sou percorrido por uma onda eléctrica provocada pelo exacerbar do meu orgulho transmontano. E o tempo pára, por breves instantes… Foi o que hoje aconteceu aos ponteiros do meu relógio biológico, na sequência de uma notícia que, não sendo da minha “vila”, nem do meu distrito, tinha proveniência no vizinho vila-realense, mais concretamente numa aldeia situada no concelho de Boticas. Não fosse a audição prévia do que motivou a reportagem e diria que se tratava de uma qualquer aldeia do meu concelho, tal a familiaridade do sotaque da gente e das rugas desenhadas nos seus rostos. Sensação incrementada pela ausência de entrevistados com idade igual ou inferior à minha. Para que conste, já não tenho vinte anos… Nem trinta… É, por isso, sintomático o redesenho da minha cabeleira, onde os primeiros sinais de alvura me vão avisando para o charme dos “entas” (presunçoso…). Mais sintomático ainda é que todos os que facultaram a sua opinião me ganham aos pontos em sinais de charme. E não há, por aquelas bandas, a moda de ir à cabeleireira efectuar umas nuances da cor da neve… A genuinidade transmontana, marcada pelos já referidos sotaque e rugas, estava, de igual forma, vincada no trajar e nos reflexos da exposição da epiderme facial à intempérie dos “nove meses de Inverno e três de inferno”, contrastes à pureza emanada da cobertura capilar. Infelizmente, não são apenas os caracteres antrópicos a transformarem Trás-os-Montes numa região gemelípara. O envelhecimento gradual da população, a ausência de perspectivas, o abandono por parte do Poder Central, o isolamento a que a região esteve votada no decorrer dos séculos, tudo justificado, maioritariamente, por condicionantes geo-climáticas (não sei de que forma justificar o sucesso no país dos cantões), formam um conjunto de sinais (aos quais poderiam ser acrescentados outros de ordem histórica, sociológica, religiosa e, quiçá, genética) que transformam o tecido das freguesias transmontanas numa cada vez maior manta de retalhos. A proliferação de aldeias gémeas, privadas de faixas etárias reprodutivas, perspectiva um futuro de novas Banrezes, Carvas, Chorense, Paixão, Sta. Cruz da Vilariça, Bronceda… E as novas aldeias desertas não terão como motivo para o seu abandono lendas de ataques de formigas… Tê-lo-ão pela cadência com que o tempo dita as suas leis, fazendo aplicar a todos nós o “na natureza nada se perde, tudo se transforma”. Inevitabilidades… Nessa aldeia de Boticas não haverá acto eleitoral para a Junta de Freguesia. A fazer fé na notícia, existe um expediente legal (do qual era desconhecedor) que permite a uma freguesia com um número inferior a 150 votantes fazer a eleição do seu representante através de uma assembleia popular, especialmente se só se apresentar uma lista a sufrágio. Apanágio de tantas outras aldeias do distrito bragançano (e não é só no “anti-democrático” concelho de Macedo). Já vieram dois deputados pelo distrito, Mota Andrade e Adão Silva, a lamentar a ausência de confronto democrático em diversas freguesias. O única visão positiva que retiro daí é que essas freguesias não são bombardeadas pelo desfile de carros politicamente alegóricos, artilhados com instalações sonoras propiciadoras de eventuais otites. À semelhança do sucedido na minha adoptiva freguesia rural-piscatória na qual, se não estou equivocado, há sete ou oito forças políticas a quererem arrebanhar a Junta, mesmo situando-se a dita freguesia no “coiso de Judas“ do concelho... Ainda bem que a campanha termina hoje. Para lá de me exporem, compulsivamente, a sonoridades que arranham o meu canal auditivo, ainda tenho que efectuar, diariamente e mais que uma vez, a limpeza da minha caixa de correio e áreas adjacentes. Porque, quando o jornal de campanha não cabe, o dito fica à mercê da nortada… Regressando ao par de deputados, mais acrescenta: a manter-se esta conjuntura de primazia de listas únicas, deve ponderar-se o redimensionamento das células do poder local. Até que não discordo, mesmo que isso represente o risco de levantamentos populares em freguesias que eu conheço. Aleatoriamente, seleccionado um trio delas, e só fazendo referência às últimas duas Legislativas, é confrangedor verificar que votaram 47 e 52 eleitores na primeira; 52 e 58 na segunda; 61 e 46 na terceira. Com taxas de abstenção a rondarem, em média, os 50%, qual o custo real de manter um edifício de uma Junta de Freguesia, mais os respectivos honorários dos seus responsáveis, para uma população com pouco mais de 100 habitantes? Dá que pensar… Porém, não deveriam pensar esses mesmos senhores deputados que a sinalética que provém das freguesias já tem, em alguma medida, aplicação no distrito que representam (ou deveriam representar)? Mais que a perda de um deputado no distrito, o Plano de Ordenamento do Território, aquando da sua elaboração provisória, colocava Bragança à margem das cidades regionais… Sintomático… Como sintomático é não prestarem atenção à desertificação crescente, pensando em reordenamentos territoriais, quando deveriam apontar as suas baterias para retemperar as condições que são um óbice à permanência de gente. Por enquanto, tal como sucedeu ainda esta semana, vai-se nascendo em ambulâncias a caminho de Bragança. A permanecer esta tendência, suspeito que, quando Trás-os-Montes estiver transformado numa coutada, haverá ambulâncias que não terão, sequer, gente para as conduzir. Nessa altura resolve-se o problema, configurando uma nova divisão territorial… “- Atão, dund’és? - E ou que sei lá! Botarum-m’ó mundo no catancho d’ua imbulância. Só sei q’staba a mêo d’ua strada q’é da freg’sia de Macedo, cuncêlho de Bragança, destrito do Porto…” FICÇÃO???!!!… "- Abonda cá um cibo de presunto! - E ondi'u hai?"

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Alucinações democráticas ou a incoerência anti-democrática

Há sinaléticas provindas do manancial noticioso que me geram um irreprimível ímpeto de escarnecer. Os dividendos a retirar poderão ser uma míngua, mas hoje acrescentei algo mais para debelar a minha ignorância. Pretendia efectuar um jogo de palavras com outra forma verbal cujo significado é o mesmo de “escarnecer”. Fui, entretanto, assolado por uma dúvida gramatical, derivada daquelas situações em que não nos sentimos abrangidos pela intelectualidade, nas quais não se sabe se determinado vocábulo se escreve com “o” ou “u” ou, no caso presente, com “e” ou “i”. Como a demonstração de qualquer tipo de fraqueza lexical pode diminuir o estado de graça do ego, nada como consultar uma obra de referência à qual chamam “dicionário”, assumindo uma postura de “estou só a confirmar o significado de uma palavra”… Bem, isto sou eu… Não pretendo insultar todos aqueles que optam pela mesma solução mas não querem ser expostos ao “vexame” a que estou a expor-me… Todavia, estou com um sorriso estampado no rosto. Desta vez tinham toda a licitude as minhas dúvidas: existe “escarnear” e “escarniar”! E bendita seja a Língua Portuguesa! Para lá de poder “escarnecer” na Lua Cheia, “escarnear” ou, alternativamente, “escarniar” no Quarto Minguante, ainda vou poder “escarninhar” na Lua Nova e “escarnicar” no Quarto Crescente, restando-me “escarnefuchar” quando o céu estiver coberto de nuvens… E, dependendo da intensidade do brilho lunar, é-me facultada a possibilidade de elaborar “cantigas de escárnio”, de “escarno” ou de “escarnicoto”, apreciando particularmente a sonoridade da última versão… Como o céu se apresenta com as constelações escondidas, substituo, então, o ímpeto de escarnecer pelo de escarnefuchar, através de uma cantiga de escarnicoto. O que se aprende com uma simples consulta… Partilhado o impressionante resultado de uma dúvida, posso partir para os “escarnefuchos” (esta é “escarnicotamente” invento de ocasião, tal como o advérbio de modo, só para dar emoção à elocução…). Sinto-me um prosaico poeta da democracia anti-democrática. Não pelos escarnicotos (achei-lhe mesmo piada) que possa escrever - que esses, por vezes, podem rimar com terminação semelhante, na dependência de quem tem pachorra para os ler. Mas porque a montanha pariu um rato… Que pode ser um rato democrático ou anti-democrático, consoante a montanha saia de um conjunto de serras que tomem o nome de Coroa ou Montesinho, ou de um outro que se assuma como Bornes ou Nogueira. Escalpelizado de outra forma menos “escarnicota”… É, pelos vistos, uma postura anti-democrática ter o concelho de Macedo cerca de 1/3 das freguesias com uma lista única para o acto eleitoral que se segue. Não discuto esta visão da actual oposição camarária, já que possui toda a legitimidade para assim pensar. Contudo, daria o que tenho e o que não tenho para auscultar a opinião dos meus amigos opositores (sim, porque por lá os tenho) acerca dos 2/3 de freguesias do concelho de Vinhais antecipadamente vitoriosas pelo partido da rosa… Isso, sim, seria coerência política! Deveria a concelhia socialista de Macedo enviar uma delegação de apoio solidário, pelos valores democráticos, à homóloga social-democrata da terra onde possuo a ascendência paterna! E vice-versa! Ou terá este “crime anti-democrático” um regime jurídico distinto na parte setentrional do distrito? Silêncio!… Que se vai cantar o fado dos Fontanários do Jardim que não se vêem da Almeida Pessanha (mas que em tempo algum deveriam ter tido o seu parto)… Ou o da Zona Industrial que não tem acessos e passeios condignos (há indústria em Macedo?)… Ou o dos “raros contratos de expropriação” (e as piscinas?… e as piscinas?)… E outros fados mais que, de tão impróprios, referência não merecem… Honestamente, esperava uma discussão pautada pela elevação política. Como macedense, gostaria de ver a minha terra guindada a um patamar de excelência. Independentemente de quem estivesse à frente dos seus destinos. Na minha terra adoptiva, como já confessei, desejo ver uma cor na autarquia e outra na freguesia. Contudo, aquilo que me foi dado a ver neste último fim-de-semana, em que por terras macedenses andei, comprovou o que já suspeitava pelas notícias que me iam chegando, quer através de amigos e conhecidos, que por via da imprensa. O nível do confronto político atingiu, em Macedo, uma fasquia que considero a roçar o asqueroso. Aquele último episódio envolvendo tentativas de agressão, lá para os lados do “umbigo do mundo”, foi apenas o culminar do expectável… Tenho pena… Muita pena mesmo… Pelas pessoas que, ainda assim, considero… Pelos macedenses… Pela terra e pela gente… De que vale este desabafo? Nada mais que um suspiro à distância de um filho da terra que gostaria de reviver a amplitude do Jardim, de assistir ao renascimento da Estação, de verificar a manutenção da magnificência do Azibo, de incrementar o orgulho numa terra que foi capaz de desenterrar o seu passado através da persistência de quem deu vida ao Museu Arqueológico e ao de Arte Sacra, de voltar a tomar um café na Estalagem… Mas, acima de tudo, este desabafo vale pelo infortúnio de, na presente campanha eleitoral, se hipotecar o futuro com estéreis discussões envolvendo o passado… E com tiros no próprio pé…

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cousas da nova coqueluche do futebol macedense

A monotonia sempre teve o condão de exercer em mim um bloqueio castrador. Por isso me transformei num homem dos sete ofícios (ou mais…). Para lá de me arvorar a construtor frásico nos períodos de actividade lúdica, outro dos ofícios que marcou (sim, marcou, porque, infelizmente, já não marca) a minha passagem por este planeta foi desenhado pela minha faceta de desportista. Numa relativa homenagem aos tempos em que um atleta, por amor à camisola, era, em simultâneo, ciclista, hoquista, futebolista e ainda tinha tempo para ser treinador, presidente e secretário, fui federado em três modalidades. Não deixei grandes marcas, ficando, ao invés, com as ditas bem vincadas no corpo… O melhor que consegui foi, numa das ditas modalidades, ter sido o 7º do ranking nacional (ainda que por um breve período). Ecletismo à parte, incluía-me nos 99,99% de “putos” que sonhavam ser Néné, Gomes ou Jordão, sendo uma bola de futebol o pretexto para rasgar umas calças mais… Chegada a pré-adolescência, convenceram-me que tinha jeito para o “chuto no esférico”. Contrariando a vontade materna, que só os “bardinos” é que andavam na “bola”, fui prestar provas aos “iniciados” do Clube Atlético. Por lá fiquei, transformando-me num “bardino” mais, numa demonstração de inabilidade dos “olheiros” ou de incapacidade dos seus oftalmologistas, confirmada, uns anos mais tarde, quando um outro “birolho” me descobriu para ir prestar provas a um certo clube da região lisboeta. A minha passagem por esse clube foi efémera, porque os anos não demoveram a “velhota” da sua ideia de que o futebol era só para os já mencionados “bardinos” (e aqui este “bardino” tinha mais jeito, segundo a sua visão, “prós studos”). Mas também, e acima da vontade alheia, porque me lesionei gravemente aos 30 segundos de um jogo em que a relva resolveu servir de tampão a uma “entrada de carrinho”. Como nunca gostei muito de publicidade (e porque era meu “dever” ocultar a actividade paralela à “velhota”), limitei-me a dar a notícia do equívoco de um senhor que haveria de treinar os três “grandes” a um grupo restritíssimo de gente. Recordo-me, na altura, de transmitir um orgulho imenso, aos comparsas de clube, por ter vestido a minha primeira camisola de futebolista a sério no Clube Atlético! Depois, cansei-me de algumas manobras obscuras e fui experimentar o ainda imberbe futsal, que o esférico, ainda que mais reduzido, era o meu ópio. Transformei-me no meu próprio herói, mas sentia que o meu Clube Atlético haveria, um dia, de “botar ó mundo” alguém que não enganasse “olheiros birolhos”. Compôs-se a coisa quando o meu conhecido Pedro Arrábidas andou pelo Desportivo de Chaves, era o clube transmontano parte integrante de outra galáxia. Ou quando o meu também conhecido Rui Vilarinho, actual “mister” do Clube Atlético, deu uns chutos no “secretariamente” despromovido Estrela da Amadora. Até ao pretérito mês de Setembro nada de transcendente se tinha passado, para lá das subidas e descidas da III para o Regional (e vice-versa) e de uma passagem do “mano” Jardel pelo Clube Atlético. Surgiu, então, o Rafael Corujo a chamar-me a atenção nas notícias da minha ementa cultural diária que, como já por aqui referenciei, inclui “literatura” desportiva. Mas quem “raio” é este moço? Pesquisas efectuadas, descobri um “juvenil” do Clube Atlético, que se identifica e é identificado com “um tal” de Deco (deve ser bom de bola para tal comparação) e que foi incluído no plantel sénior para esta época. Ganhei, desde logo, simpatia pelo “craque”, porque é conhecido, no “mundo da bola”, pela alcunha com que eu era brindado nos tempos em que ainda não era incomodado pela acumulação de lípidos em forma de “michelin”. Mas isso era coisa de somenos e não seria garante de trazer o Rafael Corujo a este meu “ofício”. A verdade é que o “Ruço” foi contratado por aquele clube que toma a sigla SLB e que é nos cânticos, Glorioso para uns e para outros é pretexto para insultar as mães dos seus adeptos. Dada a minha vincada “costela encarnada”, incluo-me naqueles que regozijam pela parte do Glorioso e que não se incomodam por pertencer à vasta multidão que vê as suas mães catalogadas como pertencendo às ruas da amargura… Limito-me a ver aí um sinal de grandeza de uns e pequenez de outros… Atendendo à minha outra costela, a “canarinha”, derivada do Clube Atlético, tenho o orgulho macedense inflacionado por tomar conhecimento da ida de um conterrâneo para o “mou Benfas”. Força, Rafael Corujo! Que mostres a raça de que és feito! E que o Clube Atlético venha, futuramente, a receber mais que os 10 mil euros e uns patrocínios em equipamentos referidos pelas notícias da transferência… E, para não ferir susceptibilidades clubísticas, desconfio que ficaria (quase!) tão satisfeito, caso a transferência envolvesse o vizinho da 2ª Circular ou, em alternativa, o meu vizinho de outra Circular, numa freguesia mais a sul, já quase a chegar ao Douro…

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A decrepitude de um sonho ferroviário e outras cousas não decrépitas

A minha alma ficou manchada pelas lágrimas que, hoje, não consegui chorar. Que a um homem, de quando em vez, também lhe dá para estas lamechices… A última invasão à “propriedade privada” (?) da Refer tinha-se saldado por um atentado ao inocente pé do meu pirralho, quando os despojos de uma guerra alcoólica de uns energúmenos atravessaram o seu calçado de Verão, alojando-se na sua tenra pele. Ultrapassado o susto e vencida a batalha da coagulação com a preciosa ajuda dos cuidados paternos e da actual matriarca, tinha ficado no ar a possibilidade de nova incursão, munidos de calçado mais resistente e de atenção redobrada à plantação de restos que deveriam estar acomodados no “vidrão”. Por insistência da mais velha da descendência, a aventura de transpor, de novo, o muro delimitador da Estação, ocorreu hoje. Quais “pequenos vagabundos” do séc. XXI, atrevemo-nos a explorar as entranhas expostas do abandono. Curiosamente, à mesma hora em que, há duas décadas, estaria, num qualquer Domingo, a aguardar a chegada das “napolitanas” que me conduziriam ao Tua. Hoje não houve mochila às costas, nem aquisição de bilhete, nem despedida emocionada daquela que viria a ser a mãe dos que hoje me acompanharam… Mas houve outra despedida… À própria estação, com emoção a rodos, e uma desesperada tentativa de não deixar transparecer a dor que me corroía a alma. Enquanto o abandono persistir, não volto a pisar aquele chão que fez parte, durante seis anos, da minha “Odisseia”… Há locais que mereciam melhor sorte que serem entregues à solidão e ao aprisionamento por detrás de umas portas de cuja memória resta apenas a silhueta. Há linhas paralelas consumidas pela vegetação e pela oxidação… Linhas que me conduziram, luzidias, ao inenarrável percurso que querem submergir… Hão-de consegui-lo, mas não apagarão as memórias de um indefectível defensor da manutenção da Linha do Tua… “Podem roubar-me a comida, mas jamais conseguirão roubar-me a fome”… A melhor forma de tratar a dor é a ingestão de um analgésico. Foi nesse sentido que decidi dispersar a atenção, dirigindo-me a terras do “umbigo do mundo”. Sob a ameaça de um céu que alternava os tons de azul com algodões sujos, recolhi o resto do clã e partimos rumo a leste, onde a terra assume tons avermelhados. Rendida a homenagem ao amigo que decidiu partir, no santuário arbóreo que lhe serve de último repouso, uma breve passagem na Mamoa que terá servido para idênticos fins para amigos de antepassados. À medida que a aldeia de Limãos se aproximava, avistavam-se, aqui e acolá, caçadores e os seus respectivos canídeos, justificação para o desfile de viaturas aparentemente abandonadas na berma da estrada. Antes da entrada em Morais, uma breve paragem para apreciar um parque de merendas que, de tão bem arranjado, transmite a sensação de não estarmos à entrada de uma aldeia perdida no tempo, Sobreda. A povoação de Morais surpreende pela relativa grandeza. A última vez que por lá tinha estado foi num tempo em que os princípios de Baden Powell me faziam ser “explorador júnior” no Agrupamento 602. Hoje fomos surpreendidos por uma qualquer festividade, daquelas que fazem parar o trânsito para dar passagem aos mordomos portadores da rosca. Apreciado o ajuntamento, foi hora de retomar a estrada em sentido contrário. Nova passagem no Santo Ambrósio, com a miudagem a insistir para descermos a Banrezes. Não era dia… O céu ameaçador aconselhava prudência. Convencimento conseguido… Uma derivação por estradas interiores, de encontro a Castelãos e a Vilar do Monte, antes da subida à serra e de um breve encontro com velhos amigos de anteriores campanhas eleitorais. E era hora de regressar às origens para mais uma patuscada, desta vez, na companhia do novo afilhado, estrela-mor, por estes tempos, da constelação a sete que já faz de mim um padrinho quase a tempo inteiro. Poderá parecer muito, mas “entchim-me de beijos e de tchi-corações” e não há nada no mundo que pague os sorrisos que me arrancam. E, para lá da impagável amizade, ainda tenho direito a ser presenteado, pelos novos papás babados, com um “lombinho d’adobo” fora de época, que faz as delícias das minhas papilas gustativas. Não há-de esta alma penada gostar tanto de regressar às origens?