Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Uma região cousadamente doente...

Por muito que procure (e não encontre) um arco-íris no meio do nevoeiro, ainda não me convenci que, ou sou obstinado, ou crente, ou possuo duas orelhas virtuais de tamanho superior às que tenho... Traduzindo: persisto numa incessante busca de novas macedenses que me abram um sorriso de uma dita à outra. Esbarro sempre numa qualquer parede de notícias desagradáveis e que, não diminuindo o meu orgulho transmontano, provocam que me questione seriamente se valeu mesmo a pena o Martim Gonçalves de Macedo ter dado uma "cachouçada" no Sandoval, aquando da Batalha de Aljubarrota... Tenho cá uma séria suspeita de que o dito cavaleiro que ressuscitou um pouco da história macedense, caso soubesse o que se passaria 600 e tal anos depois, teria ficado a assobiar para o ar enquanto o dito Sandoval dava a mocada final no futuro D.João I...
Vivemos no país dos enganos. O que agora se promete (e assume), passa, repentinamente, obtidas as benesses num só sentido, a fazer parte de uma certa procrastinação governamental. Ou, como diria um certo presidente de um clube: "o que é verdade hoje, amanhã é mentira". Então não é verdade que o protocolado relativamente ao helicóptero para Macedo não passou de uns rabiscos desenhados a traços de boas intenções? De adiamento em adiamento, pode ser que caia no esquecimento... O Orçamento/2009 não contempla verbas para aquisição de meios aéreos de socorro. Temos que "gramar a pastilha" e resignarmo-nos ao rebuçado agridoce que representa a abertura de (mais) um concurso público para aquisição do tal veículo voador (mesmo que não haja verbas contempladas no orçamento para tal!). A triste sina, já aqui referenciada, é que o Hospital de Macedo vai perdendo, paulatinamente, valências. Ganhando, em contrapartida, a tal possibilidade de ter o Centro de Esterilização. Mas esse, não precisa de hélices...
De qualquer forma, neste país da treta (ou da teta, para todos os que estão sempre prontos para mamar à custa dos outros) anda tudo em bolandas às voltinhas com um tal plano tecnológico que inclui um tal de Magalhães. Regressando às presumíveis orelhas de asno a que já fiz referência, ainda me convenci que se referissem ao regresso de Pinto de Magalhães para colocar um ponto final na especulação bancária. Mas não! Era outra coisa! Acreditei poder ser o Fernão ressuscitado a querer servir a coroa portuguesa. Mas também não! É um computador "p'a putos"! Dizem os do plano tecnológico, 100% nacional! Até ter visto uma reportagem na qual, entre outros países, surgia a desenvolvidíssima Nigéria com idêntico espécimen! Mais um engano... Estou com "engania" (uma espécie de azia provocada por exposição prolongada a enganos)... Vou procurar um anti-ácido e volto daqui por uns dias...

sábado, 20 de setembro de 2008

Cousas das Convulsões do Mundo

O concelho de Macedo anda nas bocas do mundo geológico. Como atento observador dos eventos que pululam por terras macedenses, já não é a primeira vez que vejo a referência "umbigo do mundo" associada ao concelho. Por motivos estritamente particulares, já tinha tido a oportunidade de me debruçar sobre a importância que o Maciço de Morais detinha para a compreensão das convulsões pelas quais passaram as placas tectónicas até ser assumida a configuração continental que hoje conhecemos. Apraz-me assistir ao reconhecimento dessa mesma importância, numa forma que extravasa o reducente mundo científico, particularmente o daqueles "malucos" que entram em êxtase a olhar para pedras. A verdade incontornável é que, por muito que as novelas tragam mais mediatismo à "terra esquecida", no restrito (e muitas vezes fechado) universo da ciência, o concelho de Macedo tem uma seta de inegável valor cravada bem no seu centro (um pouco desviado a leste, é certo, mas fica mais bonito escrever "centro"). Mas, sendo objectivo(?), ainda que estes assuntos contribuam para o incremento do meu orgulho macedense, que contibuição oferecem para diminuir os efeitos da taxa de juro acima dos 5%? Pois isso provoca convulsões nos bolsos infinitamente superiores ao do movimento das placas continentais! Pode não ter efeitos imediatos tão devastadores como um terramoto na China, mas que é díficil manter o equilíbrio, especialmente o orçamental, lá isso é. Pelos vistos, este país não fica soterrado sob pedras, mas debaixo de dívidas. E como já acreditei mais que somos um povo de "velhos do Restelo", sempre disponível para vir para a televisão com a monótona tirada de "o negócio vai mal", começo a desejar a chegada de um qualquer D. Sebastião, mas assumindo a forma de um Infante D. Henrique... Contudo, ainda que tal fosse possível, estou cada vez mais céptico: já não temos as colónias para sustentar as loucuras orçamentais (agora são elas que nos colonizam) e a União Europeia já aprendeu a não dar ouvidos à "chico-espertice" de quem a tentou convencer que a Ferrari produzia veículos agrícolas... Pode ser que se descubra petróleo ao largo de Sesimbra ou Peniche. Ou que as Berlengas se transformem numa jazida de pedras preciosas. Ou que sejamos os pioneiros da colonização lunar... O problema é que já nem caravelas temos...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Cousando pela Causa das Cousas


A olivicultura transmontana não está de luto, mas acerca-se a passos largos de tal desdita. Reconheço que santos da casa não fazem milagres. De tal modo que não vou enveredar pelo facilitismo de lançar para aqui soluções com carácter verborreico. Na minha "santa ignorância" agrícola limito-me a observar os factos e a conjuntura em que os mesmos ocorrem. De cada vez que procuro obter notícias sobre a agricultura transmontana, obtenho sempre um quadro pintado cada vez mais a negro. Ou é o abandono dos campos, ou são as implicações negativas do custo dos combustíveis. Ou são as "indisposições" do santo padroeiro de Macedo a ditar as suas leis. A Associação de Olivicultores aponta para quebras que variam entre os 35 e os 75% na produção de azeite. Seja pela geada, pela trovoada ou pelas trombas-de-água acompanhadas de granizo, a realidade é que há olival a morrer. Ainda que se trate de futurologia catastrófica, não me admira que voltemos a ser apelidados de bárbaros, tal como Plínio o fez, por consumirmos banha em vez de azeite. Que seja daqui por muitos séculos que, da minha parte, quero continuar a degustar saladas e umas "batatecas" devidamente regadas com um fio de azeite de "3 décimas". E, já agora, porque não regadas, noutro sentido, com uma boa vinhaça. Entretanto, vou desejando que este tipo de profecia da desgraça não ultrapasse a fronteira da pura ficção.
Como nem tudo vai mal no "Reino da Dinamarca" (nem que seja pela lição em "futebolês" que levámos dos vikings...), outras ficções há que trazem bons ventos a terras transmontanas. Não é que uma novela rodada pela Terra Quente fez disparar os índices turísticos? E não é que "A Outra" fez descobrir "a outra" terra a gentes habituadas aos encantos da capital e dos "algarves"? Tenho que confessar que a azia que me provocava o enxame da chamada "ficção nacional" diminiu (pouquíssimo, é certo). E, caso a dita ficção continuar a representar uma lufada de ar fresco que sirva como tampão ao constante esquecimento a que este "reino maravilhoso" está votado, então, operarei uma metamorfose e transformar-me-ei num apoiante incondicional. Sem, contudo, envolver essa transformação a minha faceta de "não telespectador" de certos canais, particularmente após o repasto nocturno. Radical, sim (e por vezes), mas nem tanto...
Radicais parecem estar a ficar os voluntários dos Bombeiros macedenses. Quem trabalha, possui o inalienável direito à retribuição pelos seus serviços. A quem o faz, inúmeras vezes (se não, sempre), por amor à causa, é devida a justiça de lhe serem proporcionadas condições que recompensem os "pedaços de vida" que perdem. Parece-me que é injustificável a necessidade de recorrer aos protestos por não receber o que é devido, particularmente nas situações em que as verbas já foram disponibilizadas. Mais injustificável me parece o que vem a lume na imprensa sobre as condições deficientes em que "sobrevivem" os soldados da paz macedenses. Que não haja camaratas femininas, ainda vá lá que não vá (antes que seja acusado de machista, diria o mesmo caso a falta fosse para o lado masculino). Fico surpreendido, e incrédulo até, que um bombeiro tenha que recorrer à sua própria casa para um merecido banho, após um fatigante combate a um incêndio. Mas outro combate está na ordem do dia: o da insegurança. Não há telejornal no qual não tenha honras de abertura o quotidiano de criminalidade em que este país está mergulhado. Se não são assaltos a bancos, são a ourivesarias, a postos de abastecimento de combustível, ou, se calhar, um dia destes, à casa de qualquer um de nós (a mim não, porque já fui visitado em triplicado). Enquanto persiste a moda do "termo de identidade e residência" (mesmo que tal pesada pena seja aplicada a alguém que resolveu "espetar três balázios" nas barbas de quem estava numa esquadra policial), os agentes transmontanos vão treinado na carreira de tiro móvel. Só desconheço os verdadeiros motivos pelos quais treinam. Será que agora já podem disparar contra os meninos bem comportados e mascarados que andam para aí a divertir-se ao Carnaval e a assustar gente com "canos serrados" de faz-de-conta? É que, se não podem, não deveriam estar, antes, a treinar o preenchimento das burocracias associadas ao dito "termo de identidade e residência"? E, já agora, para quê a instalação de um campo de tiro em Macedo? Ou é necessário desenferrujar, de vez em quando, as armas que deveriam servir para a segurança de todos nós? Isto deixa-me confuso. A sério que deixa... E tal é a confusão que me recuso a continuar a onda de disparates... Vou antes tratar de dar as devidas voltas na fechadura de segurança e activar o alarme. E, como ainda escrevi mais isto, não me admira que seja bafejado com a sorte do tal "termo de identidade e residência"... Só para terem a certeza que não perderam mais um contribuinte que paga umas "balazitas p'ós treinos"... Triste país do fado... O que vale é que gosto disto...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Regresso do Escárnio e Maldizer

Como já há muito tempo (!) que não trazia aqui a temática da Linha do Tua ("chiça", que o "gajo" é chato!)...
A novidade (será que é mesmo novidade?) é que a dita está suspensa entre o Cachão e o Tua. Para obviar a tal, recorreu-se a táxis de 8 lugares. Dizem por aí que os mesmos andam às moscas. Pudera! Mas haverá algum turista que pretenda efectuar 60 quilómetros por estradas em extremo mau estado, na ausência da magnífica paisagem proporcionada pela indescritível viagem sobre carris? Um bem-haja às duas passageiras que afirmaram não terem receio de viajar no combóio!
Os "deuses" agrícolas estão de candeias às avessas com quem retira o "ganha pão" do manuseamento das terras. Entre mais uma amena avaliação do estado da agricultura transmontana, concluíram que a elevada carga do preço dos combustíveis não era coisa bastante e decidiram-se pelo envio fora de época de uma "escarabanada" para os lados de Grijó. A carga de água até que podia ter vindo sem "pedra". Mais inundação, menos inundação... Mas lá que custa assistir à injustiça de ver um ano de produção ir por água abaixo, lá isso custa. Confesso que igual sorte não gostaria de ter tido...
Sorte é o que parece vão ter os alunos do 5º ano de Macedo. E não é que, num projecto pioneiro, vão passar, a partir deste ano lectivo, a ter aulas de Educação Sexual? Apesar de ter feito menção a "sorte", pensando bem na questão, já não estou tão seguro de tal caracterização. Terá sido avaliada a receptividade dos "papás" a tão "arrojado" projecto? E, caso o tenha sido, qual terá sido o feedback obtido? Ou a minha alternativa forma de pensar "à macedense" me engana, ou tenho sérias desconfianças que estará em fase embrionária uma qualquer situação de "mosquitos por cordas"... « "Tadinhas" das criancinhas... Ainda estão em idade de "Doraemons" e já lhe querem dar educação sobre o "pecado"? »
E "prontos"... Mais Centro Escolar novo, menos greves dos Bombeiros Voluntários... Mais projectos da Rede Natura, menos dívidas das Câmaras Municipais do distrito... Vai-se fazendo o quotidiano de uma terra que me corre no sangue...
Ah! Começou a rolar a bola! E o Clube Atlético começou com um empate em Amares, logo seguido da "expulsão" da Taça de Portugal... Coisa pouca: este ano não daria tanto prazer regressar ao Bessa...
Ah (em duplicado)!! O próximo fim-de-semana (6 e 7 de Setembro) vai ser de arromba para os apreciadores de música tradicional: decorre o IX Festival de uma iniciativa à qual já tive o privilégio de assistir. E (mesmo que não sejam de confiar as minhas opiniões), asseguro que vale a pena. Por mencionar tradicional, decorrerá, em simultâneo, o "I Encontro Turístico de Automóveis Antigos". Não deixa de constituir uma ementa apetitosa... Pena decorrer o "Red Bull Air Race" mesmo aqui ao lado...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

As ditas e habituais cousas da semana


A abrir as hostilidades, um lamento: habituei-me (mal, pelos vistos) a matar saudades de uma das minhas terrinhas do coração (Lamas, antiga "de Podence") através do "ecosdelamas.blogspot.com". Vou estranhando a ausência de posts desde o "longínquo" 1 de Junho. Sinceramente, desejo que o autor do blog não tenha sofrido algum contratempo de maior e que seja apenas algo que afecta a maioria da gente, ou seja, a falta de tempo.

Saindo das hostilidades e entrando no campo das congratulações, satisfaz-me verificar que, apesar de atravessarmos a malfadada época de incêndios, os dados disponíveis até 14 de Julho são animadores: poucos fogos e de reduzida dimensão. Que a prevenção já aqui mencionada tenha as suas consequências. Fico satisfeito, de igual forma, ao tomar conhecimento da disponibilização de novos meios de comunicação aos bombeiros do distrito e, particularmente, no que directamente mais me diz respeito, aos Voluntários de Macedo. Que sejam o meio de evitar tragédias como aquela que vitimou, há uns anos, uma figura à qual presto aqui a minha homenagem, o "Celeirós".
Desconhecendo se é pelo aproximar de um período de férias, que me permitirá revisitar amigos e velhos conhecidos, hoje não estou virado para a "paródia e maldizer". Por tal interregno de "pimenta", tenho que endereçar, por esta via, os parabéns à ACIMC pelos seus 20 anos. Gostaria, certamente, de poder efectuar uma breve viagem no tempo e regressar à louca época em que larguei o "carimbo" de "teenager". Como tal não é possível, fica a pontinha de inveja em relação a quem, globalmente bem, tem dirigido os destinos da Feira de S.Pedro (e não só).
Uma nota final para três freguesias do concelho, por motivos distintos. A primeira delas, Talhinhas, por ser muito mais velha que a anteriormente mencionda ACIMC: comemora, neste ano, os seus 750 anos. Bonita idade, sem dúvida e à qual desejo que chegue a aludida ACIMC, porque nós, a bem dizer, nessa altura faremos parte da história dos longínquos séculos XX-XXI. De seguida, uma nota de apreço à perseverança de Lamalonga: não é para todos aguardar 30 anos pelo término, e respectiva inauguração, do edifício da Junta de Freguesia. A finalizar, um bem haja a Morais pela iniciativa da recriação da malha do trigo. E agora... Venham de lá uns bons mergulhos na "barragem", que bem estou precisado...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Cousas de 2 Semanas




O pulmão da cidade está a ser objecto de uma intervenção, com o intuito de minimizar os potenciais riscos de incêndio nesta época estival tão martirizante para as florestas nacionais. Prevenção deveria ser um termo aplicado a outros quadrantes do quotidiano deste país à beira-mar plantado. Todavia, pelo andar da carruagem, parece já não haver prevenção que valha a este rectângulo que enferma de uma combustão acelerada, traduzida nos constantes indicadores negativos, quando nos comparamos com os restante membros da UE. Louve-se a atitude da Câmara Municipal e das restantes entidades envolvidas para contrariar o flagelo que representam os incêndios. Incendiária poderá ser a pretensão de alguns bares macedenses, ao solicitarem o alargamento do funcionamento nocturno. A crer na RBA, dos cinco que pediram o licenciamento, dois foram excluídos. Virá polémica, na certa... Polémica já existe com a construção da Barragem do Baixo Sabor. Os ambientalistas continuam na sua legítima onda de protestos. O Governo e a Associação de Municípios do Baixo Sabor insistem nos argumentos económicos. Uns e outros têm razão. Mas, afinal, onde está a razão? Neste caso, como, aliás, será extensível a qualquer querela, existe a razão de um lado, a do outro e a correcta... Razões políticas à parte, por muito que me custe o desaparecimento do "único rio selvagem da Europa", não temos, em Trás-os-Montes, o Parque do Douro Internacional? E a Paisagem Protegida do Azibo? E não estão ambos num contexto de barragens (com objectivos distintos, é certo)? E qual foi a biodiversidade gerada em ambas as situações? Na minha ignorância, verifico que foi imensa! Basta consultar os sites dos referidos parques... E mais polémica advém das declarações do presidente do INEM à Antena 1. Não é que o "iluminado senhor" garante que já não é necessário o célebre helicóptero para a região transmontana, e que deveria ficar sedeado em Macedo? Pois fique sabendo o dito "iluminado senhor" que, segundo dados oficiais, o helicóptero do INEM estacionado em Matosinhos possui a maior fatia de serviços de emergência no distrito de Bragança? Porque será? Seguramente, porque Sua Excelência deve desconhecer o isolamento e a falta de meios a que está votada esta (pouca) gente (votante). E os compromissos assumidos por Correia de Campos nos protocolos que estabeleceu com as autarquias do Nordeste Transmontano? Será que a desculpa é que ele já cá não está (salvo seja...) e, entretanto, houve um inesperado surto de desenvolvimento nas condições de saúde transmontanas? Não me diga!!!... Bem-haja a sensatez de Mota Andrade!!!

No momento em que se fala da eventualidade do prolongamento da via ferroviária até Puebla de Sanabria, passando pelos concelhos de Macedo e Bragança, surge mais uma voz a contestar a construção da Barragem do Tua. Desta vez, foi Francisco a querer partir a "Louçã". Pareceram-me acertadas as suas declarações e, afinal de contas, sempre ganhou com a espectacularidade da viagem que fez no Metro não-Lisboeta, entre o Tua e Mirandela. Aproveite, por favor, para convidar os seus parceiros de Assembleia para fazerem o mesmo e verificarem, in loco, o crime que está prestes a cometer-se. E, já agora, convide a senhora Manuela Ferreira Leite e os senhores José Sócrates, Paulo Portas e Jerónimo de Sousa para, em vez do debate no monótono S.Bento, efectuarem um "tu-cá-tu-lá" a bordo de uma "verdinha", rodeados por uma paisagem sem os ares baforentos da capital...

terça-feira, 24 de junho de 2008

As Cousitas da Semana

Há semanas assim. Em que as notícias escasseiam e as que surgem não dão azo a grande maldizer. De qualquer forma, para não perder o treino, fiquei a saber que a Câmara de Macedo foi autorizada a pedir um empréstimo à banca, no valor de 1,7 milhões de Euros. Abriu-se uma excepção na lei das finanças locais. Veremos onde vai ser aplicado este montante. Certeza, certeza, é que não servirá para compensar os habitantes da isolada Argana que, por uns dias se viram recuar no tempo, ao terem que viver à luz de candeias. E de candeias às avessas andam os presidentes do INAG e da Câmara de Mirandela a propósito das compensações pedidas pelos autarcas do Vale do Tua pela construção da barragem de Foz-Tua (parece que vai mesmo avançar...). E como de avanços se constrói a história, a Associação Terras Quentes, em cooperação com a Câmara de Macedo, procedeu a um levantamento do património histórico do concelho. Reconforta ter noção de que, afinal, apesar de sermos um concelho jovem, não deixamos de possuir a particularidade de termos uma história única, muito para além de lendas de cavaleiros e mouras encantadas. No domínio das artes, parece que temos um macedense (de Talhas) a dar cartas em terras de Sua Majestade, na área do bailado. À semelhança de outras áreas, é preciso recorrer à emigração para sermos notados na pátria-mãe.
Pátria-mãe que anda um pouco cabisbaixa por termos uns "meninos" (também eles, na sua maioria, emigrantes) que se esqueceram que o futebol também se joga de cabeça (e com cabeça). Afinal, tratou-se, apenas, de mais uma desilusão. E por cá continuaremos no nosso fantástico país do fado... Triste...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O maldizer das Cousas

Há uns anos atrás fui acometido por um acesso de fúria momentânea quando verifiquei o "presente" que um senhor agente tinha, "amavelmente", deixado no pára-brisas do meu carro. Estava a prevaricar, é certo. No entanto, as viaturas que já estavam estacionadas num local onde tal não é permitido, não tinham sido objecto da "amabilidade" do dito agente. Daí à manifestação da raiva iminente, foi um pequeno instante. O senhor agente aguardava na esquina. Dirigiu-se a mim naquela postura de sobranceria que, infelizmente, muitos conhecem e solicitou os documentos. Questionei sobre o motivo pelo qual só o meu carro estava multado. A resposta, em jeito de justificação mal dada, resumia-se à explicação de que os proprietários dos restantes veículos prevaricadores eram macedenses. Boa!!! Amavelmente (sem aspas), pedi-lhe que verificasse o meu BI e, após a sua devolução, agradeci a atenção, aceitei o critério pelo qual "só os de fora" é que eram multados, rasguei o "presente" e, sem mais palavras, segui o meu caminho. Parece que os anos alteraram o critério. A crer nas críticas da ACIMC, muito preocupada com as ondas de assaltos a casas comerciais que têm ocorrido em Macedo. E consternada pelo elevado número de contra-ordenações cujo motivo reside no mesmo "crime" que eu próprio cometi. A verdade é que, nas oportunidades que tenho de circular por Macedo, nem me apercebo da presença dos senhores agentes, a não ser pelos enigmáticos "presentes" que aparecem do nada a decorar os automóveis "mal" estacionados. Ainda recentemente, numa situação particular, necessitava de encontrar um agente na via pública e, depois de algumas voltas, não restou outro remédio que não deslocar-me à esquadra onde, obviamente, encontrei o que precisava. Esqueci-me, no decorrer desse episódio, de me deslocar em direcção a qualquer uma das saídas de Macedo. Porque, verdade seja dita, são raras as ocasiões em que não me deparo com mais uma "operação stop". E, verdade, verdadinha, como já aqui abordei, a dita onda de assaltos tratou-se de casos isolados. Por isso, outra coisa não me resta que acreditar (mesmo!) que os assaltos foram levados a cabo, mas um de cada vez. Por tal, isolados... Tal como os "presentes", apesar de proliferarem pela cidade, surgem isoladamente em cada um dos pára-brisas...
Vamos ter mais uma praia no Azibo! Desta vez, mais próxima de Macedo. Como Vale de Prados fica mesmo aqui ao lado, pode ser o pretexto para, finalmente, relembrar os velhos tempos em que me aventurava de bicicleta até à "barragem". Só espero que, pelo caminho, não apanhe com alguma bola transviada proveniente do futuro campo de golfe (a verdade é que desconheço a localização concreta do dito campo, mas apeteceu-me rir comigo próprio com a imagem de apanhar uma bordoada - que as bolas de golfe são mesmo duras - enquanto me divertia a pedalar).
Uma das minhas "meninas dos olhos", a linha do Tua, reabriu. Confesso que a resignação vai, gradualmente, tomando conta de mim. Reconheço que, mais acidente, menos acidente, hão-de acabar por encerrá-la em definitivo. Até lá, dou pulos de contente sempre que me apercebo que ainda não desligaram a "máquina". E, sempre que as minhas articulações o permitirem, insistirei na repetição do tema até à exaustão. Se necessário fosse, não recusaria uns tostões do TGV para a manutenção de uma emblemática obra de verdadeira engenharia...
Ah!... Para esquecer os lucros astronómicos da Galp, para anestesiar a mente em relação à alteração de uns "dinheiritos" para as forças armadas por não haver verbas disponíveis parecendo existirem para aquisição de Mercedes (passe a publicidade) para quem tutela a pasta, para entorpecer os sentidos em relação à minha contribuição para reduzir nuns minutos a viagem de comboio entre Lisboa e Porto, para não falar de pessoas despedidas da Petrogal com chorudas indemnizações que a seguir são contratadas pela Galp a peso de ouro, para não chorar pelas cerejas que este ano não houve e para não pensar que amanhã tenho que ir atestar o depósito do meu carro: A SELECÇÃO ESTÁ NOS QUARTOS-DE-FINAL!!! A sério, de vez em quando, sabe-me bem ser "tuga" (acho que este é o carimbo que alguns intelectuais - esses mesmo que ficam incontactáveis, ocasionalmente, por 90 minutos - colocam nos "fanáticos da bola"). E cumpro, religiosamente, o ritual de assistir aos jogos de "jersey" com o símbolo das quinas. E canto o hino. E emociono-me. E perco, por dois períodos de 45 minutos, as estribeiras. Nos 15 intermináveis minutos do intervalo, tem que vir a companhia da "mini" e duma lasca de presunto ou duma rodela de salpicão, com umas azeitonitas, cujo tratamento não foi verificado pela ASAE, e por um "carolo" de pão do "Ti Luís". Depois desse breve intróito, segue-se o normal desfilar de não-frases que desafiam qualquer gramática de Língua Portuguesa, mesmo que seja uma daquelas que jamais utilizarei, provenientes do "acôrredo ôtôguiráficô"...

domingo, 8 de junho de 2008

A Semana - Cousas de Maldizer e Escárnio ("p'ra bariar")

Mais um acidente na Linha do Tua. Onde reside a novidade? Segundo o JN, passou a ser assunto de polícia. Antes do dito acidente, a dresina que efectua a viagem de rotina de verificação passou pelo local sem ter sido detectada qualquer anomalia. Não me venham convencer que se trata de mais uma ocorrência acidental... Aliás, caso a PJ não estivesse já a investigar as causas do acidente, correria o risco de ser processado por levantar falsas suspeitas. Mas lá que é estranho, é estranho. Sou um defensor, entre muitos, da manutenção da Linha do Tua, por motivos que já aqui explanei. Por isso, a minha voz não se calará em relação a um crime prestes a ser cometido. Podem roubar-me a comida, mas não me tirarão a fome...

Para não sair da temática dos acidentes, a última semana de Maio foi madrasta para uma família de Limãos. Obviamente, entristece-me a perda de uma vida humana e os ferimentos graves noutra. Presto aqui uma homenagem à senhora que, em circunstâncias trágicas, perdeu a sua vida. Não a conhecia, mas sinto como se fizesse parte da minha família. Porquê? Pela revolta que sinto invadir-me. O acidente ocorreu muito perto de Macedo, na N216. Parece que três ou quatro minutos bastariam para deslocar as vítimas à urgência básica do Hospital de Macedo. No entanto, seguindo as novas normas, foi necessário aguardar 25 minutos pela chegada da viatura médica de emergência e reanimação, vinda de Bragança. Desconheço se o tempo bastaria para salvar uma vida. E se bastasse? Que terceiro-mundismo é este onde os tecno-burocratas substituem as comuns práticas de salvamento de vidas? Honestamente, por bom ou mau nadador que seja, prefiro nem me imaginar a afogar-me na Albufeira do Azibo. Porque, a avaliar por este triste acidente (e incidente), o mais provável é que, nessa circunstância, enquanto me abafava com a água a penetrar-me as goelas, ouviria alguém da margem a gritar: "Aguenta-te aí mais 25 minutos, que já chamámos a VMER!"... Triste país este que me deixaria ser repasto dos lúcios...

Mudando de assunto... A alguma satisfação que senti pela manutenção do Clube Atlético nos nacionais de futebol, foi substituída pela tristeza da descida de divisão do Macedense no campeonato de futsal. Foi à beirinha da praia, mas a última braçada não foi suficiente. Apraz-me saber que o futuro não é para recear, mas sim para ousar. Um responsável técnico do Macedense, perante o infortúnio, declarou que o próximo objectivo é estar na I Divisão daqui por dois ou três anos. Não faz descer o preço dos combustíveis, mas não deixa de ser uma lição. Afinal, o objectivo das quedas é, mesmo, aprendermos a levantar-nos...

Do futsal, para o futebol propriamente dito. Começou o Europeu e vencemos a Turquia. Fantástico! Especialmente para os onze "maluquinhos" vestidos de vermelho a correrem atrás de uma bola e que não se preocupam se a gasolina (ou o gasóleo) está a 1 € ou a 20€. Não que eu não seja um incondicional adepto da dita selecção das quinas. Sou capaz de sofrer como poucos no decorrer de um jogo de Portugal, especialmente numa fase final de um Europeu ou Mundial. Um golo, seja de um Pepe-mix-corridinho-samba, ou do detentor da mais portuguesa das tatuagens, Raúl Meireles, provoca em mim o mesmo efeito. A manifestação calorosa de um "GOOOOLLLOOO!!! TOMEM LÁ, TURCOS!!!" ecoa pelas redondezas como o ribombar de um trovão. Mas lá que me indigna assistir às centenas de carros a circular nos festejos do primeiro degrau de uma escadaria que pode (será que pode?) conduzir-nos ao Olimpo de Campeões Europeus, lá isso indigna. Parece que a parte final do hino foi adulterada e, ao invés de "contra os canhões marchar, marchar", se assiste, dado o desperdício de combustível em tão profanas (e irresponsáveis?) manifestações, a um renovado "a favor das gasolineiras, circular, circular"... Desta vez, deixei-me estar quieto e sossegado em casa, enquanto desfilava, pelos écrans televisivos, uma manifestação de fervor nacional, extensiva a todo o país (especialmente nas ditas grandes cidades). O pára-arranca a que assisti no "Marquês de Pombal" fez-me pensar, seriamente, no gasóleo que poupei ao ter-me limitado a dispender o combustível da minha voz. E nessa poupança incluo os termos vernáculos que (também) se difundem via cordas vocais sempre que anulam um golo a Portugal, ou quando o Cristiano Ronaldo ou o Nuno Gomes resolvem verficar se a tinta dos postes ou da barra é resistente. Nesse aspecto, também sou "tuga" e, em abono da verdade, até que sinto um orgulho inenarrável em sê-lo... Quarta-feira, haverá mais "filhos da mãe", "caca", "que se lixe" ou "membro fálico". Em versão hardcore, seguramente... Verdade, verdade, sou filho da mãe como os outros. E tenham a oportunidade, um dia, de assistir a um jogo na companhia dos mais altos dignatários deste país. Sairão de lá a dizer: "F......" ou, na sua versão traduzida, "Que se lixe"...

Vamo-nos aos próximos, sem necessidade de um banho checo... Tenho dito...

terça-feira, 27 de maio de 2008

(Mais)Semana - (Mais)Cousas do que já sabemos



"Ibéria-A louca história de uma península"... "Península-A louca história de um ibero"... Foi mais ou menos assim que fiquei após o espanto inicial causado por uma notícia da Rádio Cardal (de Pombal) que anunciava a presença de uma companhia de teatro macedense no Festival de Teatro de Pombal. Ora, para satisfazer a natural curiosidade da possível existência na minha cidade de um elenco teatral com o sugestivo nome de "Peripécia", nada melhor que uma busca extra na net. Não, não é verdade que me transformei num ibero louco, mas estive lá próximo, porque fiquei sem saber se a dita companhia fica "sedeada" ou "sediada" em Vila Real ou em Macedo de Cavaleiros. Fiquei, sim, a saber que é constituída por três membros, dois dos quais espanhóis. Ibéria por Ibéria, pelo menos um deve ser transmontano...
Estive próximo de sair dos carris, mas tal não se verificou. Dos ditos já saíram, há uns anos, os comboios que passavam por terras macedenses. Adianta o DN que o troço entre a estação de Macedo e a do Azibo vai ser recuperado. Mas, quem vai entrar nos carris são as bicicletas, de acordo com o Plano Estratégico de Ecopistas. Mais vale uma má ideia, a ideia nenhuma. O que, neste caso não se aplica, já que a ideia é bem vinda. Já que nos tiraram o comboio e o mesmo fizeram aos carris, que limpem o entulho entretanto acumulado... Mas, o mais agradável desta notícia é a inclusão do antigo edifício da estação no plano de recuperação. Pelos vistos, vamos ter mais uma unidade hoteleira... Compense-se o fecho da estalagem...
Nem de propósito... Acabo de olhar para o Mensageiro e os Sr.Presidente da Câmara afiança que há interesses privados na abertura de mais duas unidades hoteleiras na cidade. Não há fome que não dê em fartura.
Terminado que está, por esta época, o planeta futebol indígena e enquanto se aguarda por mais um Europeu e uns Jogos Olímpicos, sou surpreendido por dois factos que, para mim e na minha ignorância, são inéditos: temos uma equipa de futsal infantil que se sagrou vencedora regional da taça da Associação de Futebol de Bragança; e existe a Associação de Desportos de Combate de Macedo de Cavaleiros. E tem uma campeã e uma vice-campeã nacionais, nas respectivas categorias, na disciplina de kickboxing! Obviamente, os parabéns das "Cousas" e... o redobrado cuidado com o qual passarei a circular pela cidade. Não vá o diabo tecê-las...
Para o final, a agrura dos combustíveis. Não pelos combustíveis em si. A RR adianta que há agricultores a abandonarem os seus campos agrícolas por ser insuportável o peso do preço do gasóleo agrícola. Já o JN apresenta uma reportagem acompanhada por uma fotografia que faz recuar aos velhos tempos da charrua puxada por mulas. Pois, a força animal não provém dos combustíveis... Veja-se o lado positivo: pode este aumento representar uma alavanca para a recuperação de uma espécie em vias de extinção, o burro. Porque, verdade seja dita, há uma outra, à qual, cientificamente, se dá o nome de homo sapiens e que os nossos governantes em conjunto com as "Galps", "BPs", "Repsois" e afins, querem transformar em homo asininus. Aparentemente, esse não está em risco de extinção, mas as suas finanças, definitivamente, sim. Um destes dias, sofremos uma metamorfose e recuamos até ao tempo dos caçadores-recolectores...


quinta-feira, 22 de maio de 2008

A Semana - Cousas de Escárnio e Maldizer





É facto consumado. Vai haver golfe em Macedo. Neste momento, dada a resignação, resta aguardar que os depauperados bolsos que vão pagar a infraestrutura, ainda que seja à custa dos 109 milhões de euros de lucro da Galp no 1º trimestre, sejam ressarcidos num futuro próximo com o retorno, para o concelho, do investimento anunciado de 3 milhões de euros. Parece, porém, que o arranque da obra está atrasado. Como de incumprimentos vive este país, somos o país dos atrasos. Ou, nalguns casos, dos atrasados... Talvez...

O Sr. Secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, afiança que o problema do atraso reside na integração de alguns buracos na paisagem do Azibo. Sugiro que aproveite os buracos orçamentais da maioria das famílias portuguesas. Reduzirá, seguramente, em 18 o número de inscritos nos Centros de (des)Emprego...

Ao dar uma vista de olhos ao JN, deparo-me com a notícia que me arrasou o orgulho macedense no último mês: o encerramento da Estalagem. Por isso, não resisto a trazer aqui, de novo, o tema. Deixo um apelo às entidades com responsabilidades neste país e, em particular, aos Srs. Presidentes da Câmara de Macedo e da Região de Turismo do Nordeste Transmontano: não deixem fechar as portas à única unidade hoteleira de 5 estrelas do distrito ou, como no título do JN, a estalagem de presidentes e artistas. Por último, e porque a semana não foi profícua em notícias, satisfaz-me a evolução das infrestruturas concelhias a nível do ensino. O projecto de construção de um pólo escolar para albergar os alunos do 1º ciclo, proporcionando-lhes condições que as actuais escolas não têm, é um passo para o futuro. No entanto, fico a aguardar que não apaguem a pouca história de Macedo e preservem, de algum modo, as escolas do "Toural", do "Trinta" e da "Praça". Esta última já foi objecto de um trabalho interessantíssimo. Pode ser aproveitado o exemplo para o restante par.


quarta-feira, 14 de maio de 2008

A Semana - Cousas de Escárnio e Maldizer


Em tempo de Semana Académica, serviu a dita de bode expiatório para os assaltos verificados em Macedo. Nas palavras do comandante do grupo territorial de Bragança da GNR, trata-se apenas de casos isolados. Ainda que o "isolamento" se tenha circunstrito a 4... Caso fossem 8, tratar-se-iam, seguramente, de casos isolados, ou seja, um de cada vez... Parece que o progresso chegou, de vez, à cidade interior...
Ironias à parte, parece mesmo que o progresso está de armas e bagagens a mover-se para a região transmontana. Já tinha sido aqui aflorada a "plantação" do parque eólico da Serra da Nogueira, bem como a abertura do concurso para a auto-estrada Amarante-Bragança. A novidade desta semana reside no projecto para a chegada da Banda Larga aos municípios integrantes da Terra Quente (o concelho de Macedo é um género de hermafrodita regional - é meio Terra Quente, meio Terra Fria). Avaliando as coisas pela vertente positiva, estamos prestes, ainda que em projecto, a deixar de ser uma cidade de província. Vejamos: já temos ensino superior (cada vez menos, é verdade), temos rali, parapente, temos barragem. Estamos quase a ter energia eólica, auto-estrada, banda larga... Até já temos assaltos (ainda que isolados)...
Mas, segundo os dados divulgados pela AIICOPN, a Câmara de Macedo inclui-se entre o restrito grupo daquelas que saldam as suas dívidas de obras públicas num prazo que decorre entre os 3 e os 6 meses. Como o Porto consta desse, como disse, restrito grupo, mais um sinal de que nos aproximamos a passos largos de constituir uma cidade cosmopolita... Ou estamos ricos... Ou, deixando o maldizer um pouco de lado, até podemos ter uma Câmara que gere bem as suas contas. À custa de quê ou de quem, já seriam contas de outro rosário... (Tinha que vir a alfinetada...).
Pior que uma alfinetada é ter tido conhecimento (uma vez mais, pelo Semanário Transmontano e, ainda uma vez mais, pela pena de João Branco) dos verdadeiros motivos que retiraram água da "Maria da Fonte". Não é que os habitantes da Cortinha do Moinho e do Prado de Cavaleiros, qual regresso a tempos medievais, despejavam os seus bacios transformados em modernas sanitas para o curso do ribeiro que atravessa a cidade? Vieram os desarranjos intestinais para quem teve a ousadia de saciar-se na Maria da Fonte ou na Fonte do Cipreste... E cortou-se o abastecimento de água às ditas. Pudera!... Mais a sul, concretamente nas "aberrações" que se construíram ao fundo do Jardim, quiseram imitar os conterrâneos de norte e, vai de criar "afluentes" para o dito ribeiro. Para uma cidade galardoada com o ECOXXI...
O "Expresso" faz menção a Macedo! Por motivos pouco ou nada agradáveis: somos um concelho doente. O risco relativo de internamento dos residentes do concelho supera 40 a 57% a média nacional! Traduzido em números, situamo-nos na fasquia da taxa de internamentos anuais de 12.212,4 a 13.766,4 por cem mil habitantes. E não vale a pena mudar para a capital de distrito, porque está incluída no mesmo pelotão. Contudo, mudemo-nos para Vinhais, que se inclui no restrito grupo de 5 concelhos que possuem a taxa mais baixa da país, onde o valor médio se situa nos 8.750,8 por cem mil habitantes.
O que precisamos, mesmo, é fazer do quotidiano, não uma espécie de magazine, mas um pouco do nome do grupo teatral que fez uma recente aparição em Macedo: os ALCÓMICOS ANÓNIMOS... Nota 20!

terça-feira, 6 de maio de 2008

A Semana - Cousas de Escárnio e Maldizer




Só para contrariar o maldizer, comecemos por dizer bem. O jornal Barlavento do "longínquo" Algarve faz menção à manutenção da bandeira azul na praia fluvial do Azibo. Indo mais longe, refere que "é a primeira vez no Programa Bandeira Azul que uma zona balnear fluvial é galardoada cinco vezes consecutivas". Cá bem no fundo, senti um eritrócito a estremecer de orgulho no meu sangue transmontano. Como no melhor pano cai a nódoa, a fazer fé nos valores apresentados no Semanário Transmontano, está previsto um investimento de 3 milhões (sim, 3 MILHÕES!) de euros no novo campo de golfe do Azibo. Estou perfeitamente de acordo com a implantação de uma infraestrutura para a prática de um desporto, ainda considerado de elites, no meu concelho. Mas, 3 MILHÕES de EUROS??? Não sou um apaixonado do golfe, apesar de já o ter praticado e de ter iniciado o meu contacto com o dito desporto (?) sendo caddie (um amigo convenceu-me - e era verdade - que se ganhavam uns trocos extra de fim-de-semana em pura diversão). Mas, mesmo não sendo um apaixonado, enquadro-me no grupo dos que concordam que qualquer investimento público é bem vindo para uma região com poucos atractivos comparativamente com o litoral, isto se exceptuarmos os de carácter natural. Porém, por valores deste calibre, haverá, seguramente outras prioridades. E, a crer nos números apresentados (e aí, confesso que sou um leigo), é possível a construção de "quinze bons campos de nove buracos", segundo o cronista Manuel Bandeirinha. Assim sendo, gastem lá os cerca de 350.000 € num campo de 9 buracos e apliquem os restantes 2.650.000 €, por exemplo, para comprar o excedente de produção de batata do Nordeste transmontano... Os agricultores agradecem e eu neles me incluo.

Por "falar" de investimentos... Parece que vem aí a "plantação" do parque eólico da Serra da Nogueira. Mesmo com as possíveis contestações ambientalistas (que serão, provavelmente abafadas pelo presidente da PENOG, Carlos Pimenta. Lembram-se dele?...), é um investimento bem vindo, em especial para um país que não é auto-suficiente em termos energéticos. E, afinal, sempre que passo no Alvão, as hélices até que não destoam muito na paisagem. No máximo, e dependendo da localização, apenas teremos que nos habituar a uns pirilampos maiores que o habitual a piscar a norte...

Para o fim fica o 25 de Abril. E as polémicas declarações da Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros na Rádio Onda Livre. Sinceramente, não percebo a celeuma: a revolução dos cravos não significou a liberdade de expressão? Mesmo que na Constituição esteja vedado o uso de símbolos de extrema-direita... As declarações de Sílvia Garcia são normais, baseadas no direito de auto-expressão e enquadradas num problema gravíssimo que afecta a nossa sociedade: a Educação (ou a falta dela...). Não ouvi, nem li, que a Sra. Vereadora tenha apelado à repressão nem à castração de liberdades individuais. Não ouvi, nem li, que tenha sugerido a ressuscitação da PIDE. Não ouvi, nem li, que tenha dito qualquer expressão com qualquer conotação a políticas fascistas. Li, sim, declarações que revelam uma grande maturidade com a percepção de que este país, em termos educativos, já não está de tanga: recuou até aos tempos em que o primeiro Australopitecus ganhou a bipedia e desceu das árvores. E não, não precisamos do Salazar. Precisamos de gente que não se aproveite politicamente de expressões que considera infelizes e que se preocupe com a infelicidade que é estarmos (todos) a contribuir para uma geração ainda mais "rasca" do que a antecessora e que mereceu esse "elogio" de um anterior governante...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A Semana - Cousas de Escárnio e Maldizer

A semana não foi fértil em notícias. Se exceptuarmos que o MATA (Movimento Anti Tradições Académicas) diz que continua a existir impunidade relativamente às praxes (a propósito da absolvição do Piaget num processo movido por uma ex-aluna)... Parece-me sugestivo o nome do dito movimento: MATA (???)... Mas não estou aqui para comentar esta forma de um verbo que, por sinal, não me agrada. Estou, antes, porque, é esse mesmo verbo, dando ouvidos aos comentários de fim-de-semana, que estão a aplicar a um dos ícones da minha cidade: a Estalagem do Caçador. Nos longos anos que levo ausente da minha localidade de nascimento, sempre que refiro a minha origem, logo vêm à baila a "estalagem" e a "barragem". Não creio que tal se deva ao facto da coincidência da rima... Deve-se, antes, a serem dois locais que constituem uma forma única de viver. Plagiando o guia "Hotéis Rurais com Encanto", "aqueles que procurarem alguma coisa diferente encontrarão aqui um refúgio de paz e tranquilidade no meio de uma terra agreste e selvagem, que parece ter sido abandonada por Deus e pelos olhos dos homens." Palavras para quê?

terça-feira, 22 de abril de 2008

A Semana - Cousas de Escárnio e Maldizer


A Comissão Permanente da CCDR-Norte (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte) foi eleita. A primeira novidade reside no facto de, apesar de estar prevista na lei, a constituição destes órgãos não passava, até à data, de mais um "mito burocrático". A segunda novidade é que um dos vogais (e único representante do distrito) é o Presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros. Fica o desejo de que os interesses de toda a Região Norte e, particularmente, os do Nordeste Transmontano sejam defendidos com firmeza e determinação. E que a defesa dos mesmos não inviabilize o progresso que se espera para a cidade de Macedo. Não será essa a razão, seguramente, para que se mantenha, desde há bastantes meses a esta parte, um dos acessos à cidade para quem vem da Serra de Bornes, num estado lastimável. Escuso-me à referência relativa à rotunda criada para acesso aos Merouços, pelo teste que representa aos veículos que tenham que ser inspeccionados na vertente dos amortecedores. Ou, apesar de não constar do circuito do Rali TT Serras do Norte, nada me admira que sirva, pelo menos, de pista de treino...
Foi prometido, pelo anterior Ministro da Saúde, um helicóptero para Macedo de Cavaleiros para fazer face ao encerramento de alguns SAP. Fico a saber que, para além desse meio, estavam previstas duas ambulâncias SIV (uma para Macedo, outra para Mirandela) para o mesmo efeito. Vem agora a nova Ministra, numa visita "solidária" ao Centro Hospitalar do Nordeste, afirmar que os célebres processos burocráticos atrasaram a vinda dos ditos meios. Para breve (mesmo sabendo qual o conceito de "breve" para os nossos governantes) o Nordeste estará dotado dos meios adequados. Até lá, sinto-me, como transmontano, burlado...
E, por falar em burla. Parece que mais um idoso foi burlado em cinco mil euros. O dito senhor da aldeia de Malta, ou não vê atentamente as notícias ou, num claro acesso de "riqueza fácil" deixou-se cair no conto do vigário. Para mais não sirva este caso (e já é o segundo noticiado em pouco tempo), que contribua para que os "velhinhos" (e isto é escrito em tom carinhoso) não se deixem arrastar pelas tentativas de gente sem escrúpulos que sabe, de antemão que, no país que vivemos, a punição passará sempre pela impunidade...

(Imagem - Copyright "Semanário Transmontano")
Impunes não podem ficar as Estradas de Portugal pelo desleixo a que têm votado a EN102 na freguesia de Grijó. Segundo as palavras do Presidente da Junta de Freguesia, as silvas são cortadas pelos veículos que vão passando. A existência do troço do IP2 não justifica a vergonha com a qual se depara quem decide circular pela estrada nacional entre Macedo e Grijó. Abandonados mas nem tanto...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Mais Linha do Tua - Cousas de Escárnio e Maldizer


Copyright Ricardo Taveira

Não tencionava escrevinhar mais sobre este tema. Não que o dito tenha deixado de me dizer respeito. Pelo contrário: sou um dos quase 3.000 signatários da petição Tua Viva e, para além disso, vou consultando, diariamente, a evolução do "contador". Todavia, no decorrer dos serviços noticiosos da estação televisiva que todos (ainda) pagamos, surgiu, estranhamente, a notícia sobre a dita petição. Sendo a estação pública, haverá algo na manga do género "complot anti-pretensões da EDP"?...
No desenvolvimento desta notícia, somos informados de que, amanhã, dia 16 de Abril, se reunem os autarcas de Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Alijó para "concertar posições para negociar compensações pela construção da barragem". A crer nas notícias veiculadas no site da RTP, o único autarca que se manifesta, abertamente, contrário às pretensões da EDP é o Presidente da Edilidade Mirandelense, José Silvano. (Deixo de lado as rivalidades históricas entre Macedo e Mirandela para aplaudir esta atitude de verdadeira raça!). O que lamento, a ser verdade, são as afirmações atribuídas, no mesmo site, a Artur Pimentel, Presidente da Câmara de Vila Flor: "Nós temos sempre pena das pessoas que nos são queridas e morrem, mas temos de olhar para o futuro e o futuro é a barragem não é a linha do Tua". Sr. Presidente, com o devido respeito, que comparação infeliz! Ou, mesmo que não creia em tal suposição, ainda não deve ter passado pela verdadeira fatalidade de perder uma pessoa querida que morre. Sou um acérrimo defensor da manutenção da Linha do Tua. Mas não apenas, como diz, por ser "um saudosista da linha do Tua". A Linha do Tua representa muito mais que saudades: representa património, história, suor e lágrimas. Mas, caso acredite no progresso a qualquer custo, porque não experimenta, em nome de um qualquer futuro, explicar aos seus munícipes a destruição, por exemplo, da magnífica Fonte Romana ou do Arco de D.Dinis? Ou ainda a Igreja de S.Bartolomeu? Ou, quiçá, a escadaria de acesso aos Paços do Concelho?... E, já agora, proponha-lhes, de igual forma, o encerramento do fantástico Parque de Campismo (não faça isso, porque também sou saudosista, passei lá momentos inolvidáveis da minha juventude)...
Menos chocantes são as afirmações atribuídas ao Sr. Presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, Eugénio de Castro "lembrando que há mais de cem anos a construção da linha do Tua foi em si uma grande ofensa ao ambiente". Provavelmente, terá sido um atentado ao «ambiente de isolamento» em que viva (e ainda vive) o Nordeste Transmontano...
Saudosista, pela resignação patente, é a iniciativa - ainda assim, de louvar - da NEPA (Núcleo de Estudos para a Protecção Ambiental da UTAD) : «Fo[Tua]grafia» - Registo da última Primavera intacta na Linha do Tua, efectuado por fotógrafos profissionais. Mais não acrescente, deixará para a posteridade o registo de um ambiente único, inalienável e insubstituível. Este reparo em forma de lamento fica na esperança de que, daqui por uns largos anos, ainda seja possível registar Primaveras intactas na percurso da Linha do Tua. E, preferencialmente, sem o recurso a imagens subaquáticas...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Linha do Tua II - Cousas de Escárnio e Maldizer


Após uma breve interrupção para cometer um "crime" (idêntico ao que cometia nos degraus das "napolitanas")... E regressando à História...
Caso os notáveis Abílio Beça e Clemente Menéres regressassem ao mundo dos vivos, certamente que dariam umas traulitadas a todos aqueles que hoje se encarregam de, ainda que de forma indirecta, denegrir o esforço e a persistência que colocaram na empreitada de ver o Nordeste Transmontano servido por transporte ferroviário. E muitas voltas no túmulo devem dar caso, no "Mundo Desconhecido do Além", chegarem as novas de que o distrito de Bragança é o único representante no restritíssimo grupo dos que não possuem um quilómetro que seja de auto-estrada e que, para além disso, pretendem transformá-lo no único sem ferrovia... Até El-Rei D.Luís se deve estar a questionar do porquê da jornada empreendida a 29 de Setembro de 1887 para a inauguração oficial da Linha que hoje querem submergir. Intrépido deve estar El-Rei D.Manuel I por ser conhecedor de que a próxima travessia do Tejo não envolve a demolição dos Jerónimos...
Na última semana, ao consultar a imprensa regional, deparo-me, no Semanário Transmontano com a notícia de que o "ABANDONO DO LARGO DA ESTAÇÃO CHOCA POPULAÇÃO".Segundo o desenvolvimento da notícia, da autoria de João Branco, "O largo da estação, lugar bastante movimentado enquanto a linha férrea esteve activa, é hoje um espaço votado ao abandono. E descaracterizado. Postes de luz estendidos no chão, encostados à parede da estação, uma roulotte e algumas carrinhas, onde mora gente, são a imagem que vê quem, vindo de Mogadouro, decida entrar Macedo por este local." Não me surpreende tal facto.
Acedendo a "vagabundeando.blogs.sapo.pt", pode facilmente apreciar-se o que se passa no troço desactivado entre Carvalhais e Bragança. E, no que particularmente diz respeito à minha cidade (ainda me custa pronunciar tal vocábulo, porque persisto em preferir Macedo de Cavaleiros como uma vila jovem e donzela), muito me custa ler os relatos das aventuras e desventuras de uns jovens (salvo erro, de S.João da Madeira) acerca da sua alucinante incursão pedestre pelo trilho abandonado. No mínimo, provoca dores de alma... Nas vezes que circulo na avenida paralela à D. Nuno Álvares Pereira, "deleito-me" por conduzir num piso que me faz lembrar a antiga N 15. E fico chocado por assistir ao abandono e degradação de um local que deveria ser um marco na História Macedense. Porque não, por uma vez, seguir o exemplo da capital de distrito e reabilitar esta zona?...

Linha do Tua - Cousas de Escárnio e Maldizer

A Linha do Tua deixou-me marcas indeléveis. Não serei exemplar único no mundo daqueles nos quais corre sangue transmontano. E, creio, em todos os que experimentaram, por uma vez que tenha sido, a "montanha-russa" do Tua. Venho assistindo, como todos, aliás, às insistentes notícias na comunicação social acerca da já tão famigerada Linha do Tua. Se não é pela mais que provável barragem, surge um qualquer acidente ou, de forma mais recatada e regional, a ocupação dos terrenos anexos à antiga Estação da CP de Macedo de Cavaleiros, transformando-a num apeadeiro de campismo ou caravanismo mais ou menos selvagem.
A Linha do Tua faz parte da História de Portugal - e, perdoem-me a presunção, faz parte da minha História. Senão, vejamos: o meu primeiro acampamento escutista foi feito nos terrenos ao lado de uma ponte ferroviária próxima de Vale da Porca (aquela que se pode apreciar no conjunto de fotos identificada como "Ponte I"). Nessa altura ainda circulava o comboio a vapor que nos fazia zarpar das proximidades do rio, quando o dito se aproximava, com o receio de sermos incendiados pelo "cavalo de fogo"; a minha primeira viagem de comboio decorreu entre Macedo e os Cortiços; ao longo dos meus anos de estudante, mercê da titularidade de um Cartão Jovem da CP, aproveitava as Linhas do Douro e do Tua para as minhas deslocações de fim-de-semana. É-me, de todo, impossível, esquecer a azáfama na Estação do Tua para conseguir o melhor lugar nas "napolitanas" encarnadas para uma viagem que tinha início cerca das 11h00 e terminava perto das 14h00 em Macedo. Eram três horas de pura adrenalina, um misto de ânsia na chegada e de receio que um qualquer dia as barreiras erguidas a força de braços e suor no séc. XIX cedessesm. Nunca cederam... Pelos vistos, as cedências apenas ocorrem quando existe a clara intenção de encerrar, em definitivo, o que resta deste pedaço de História... Coincidências ou ironias de um saudosista... Jamais me esquecerei dos aromas das carruagens, da paisagem abismal até perto de Mirandela, da forma como transformava os degraus de acesso à carruagem enquanto fazia aquilo que, nos dias de hoje, é considerado crime - fumar um cigarro, acompanhado pelas brisa e paisagens deslumbrantes. A aproximação a Mirandela incrementava a ânsia de chegar... Carvalhais... Romeu... Cortiços... Grijó... E a recta que antecedia a inalcançável "Estação"...