«Quem pega na bússola vê
oito direcções de mundo,
oito métodos de estar.
O oitavo é o Nordeste.
ALGURES A NORDESTE - A.M. Pires Cabral
Já por aqui disse que sou feito de xisto. Mas há gente feita de um xisto especial, gerado, quem sabe, por um metamorfismo assistido por um qualquer diabo que veio ao nascimento (ao enterro, logo se verá...). Veio mais um prémio literário para um filho da terra, um filho que sabe, como poucos, gravar na eternidade das pedras o pulsar e o sentir de um povo. Há filhos assim...
«...a vinha está morta e não está:
perdura viva em mim.
Isto, bem entendido, enquanto eu próprio
for algo em que algo possa perdurar.
Depois disso, perdurará naquilo
em que eu mesmo perdure.
E a partir daqui perde-se a conta.»
VINHA MORTA - A.M. Pires Cabral
Bem Vindo às Cousas
Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
Equívocos históricos de uma futura coutada
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Kings Cross, exclusões, Goleman e emoções
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Um tchizquinho de saudades
domingo, 18 de outubro de 2009
Coutada transmontana
Já lá vão dois a três anos desde que li uma reportagem, salvo erro no DN, que apontava para a tomada do lugar do homem e das suas marcas, na região transmontana, pelas fauna e flora selvagens. A substituição de terrenos agrícolas por incultos criava a oportunidade para a flora se renovar, ganhando terreno às culturas e criando condições propícias para o rejuvenescimento de espécies animais, favorecendo a cadeia alimentar onde, para haver predadores, é condição essencial a existência de presas.
Confesso que, na altura, fiquei possuído por um híbrido "pessioptimismo". Por um lado, nessa notícia encontrava eco para as negras estatísticas demográficas, bem como para o queixume proveniente dos resistentes escritores que fazem do solo pergaminho e do arado caneta. Por outro, retirava conclusões positivas acerca da optimização ambiental e via renascer as possibilidades de observar a fauna transmontana sem o recurso ao cativeiro. Fiquei um pouco como o "touro no meio da ponte"...
Depois, esqueci-me da notícia até ter assistido a uma reportagem televisiva sobre a brama dos veados. Afinal, a população de Cervus elaphus estava mesmo a aumentar. Mas Montesinho ficava, mais as suas fantásticas pinturas, lá mais para a região setentrional do distrito... Ficou, desde logo, registada na minha agenda uma próxima e urgente visita aos meus amigos do peito Alípio e Zelinda, lá para os lados de Lomba, uma casa onde um minuto possui sessenta segundos da mais pura e impagável amizade (daquelas amizades que nos enchem o peito de um ar tão distinto, tão distinto, que quase nos sentimos embriagados por excesso de oxigénio).
Entretanto, a azáfama quotidiana conduziu, de novo, os ditos Cervus elaphus ao esquecimento. Até ter surgido um espécime perto da minha segunda terra, a já tão celebrada por mim Lamas! É verdade! No pretérito dia 12, Manuel Cardoso, o macedense autor que deu "um tiro na bruma" fantástico e revelou um magnífico "segredo da fonte queimada", registou, para a posteridade, um exemplar que pesará duas vezes e meia mais que eu e terá um quarto da minha idade. Nada mais, nada menos, que perto da sua habitação, lá para os lados de "entre Lamas e Latães" (um local onde os seus guardiães canídeos se aprestaram para fazer tatuagens nos meus membros locomotores - valeram-me os ditos para me transformar em Usain Bolt e para me recordar de deixar um aviso da próxima vez que me aventurar para lá do Facho...).
Ora, se há veados numa área excêntrica, significa que têm razão as estatísticas do ICN que apontam para um aumento das populações de veados e do consequente incremento na sua área de dispersão pelo distrito de Bragança (30000 hectares é uma superfície considerável). Inversamente, a leitura sobre a dispersão humana será o que se sabe... Por outro lado, aprecio, como pouca gente o fará, a vida selvagem... E umas costeletazinhas de veado, especialmente quando tenho noção que já não estarei a contribuir para uma qualquer extinção...
Percebo agora o porquê da existência de 20 alcateias na região transmontana, descontando daqui o inegável valor das tentativas de preservação do Canis lupus signatus por parte do Homo sapiens sapiens... Diminui a gente, aumentam os incultos... Estes, por sua vez, favorecem os herbívoros, os quais hão-de servir de "pasto" aos predadores. Incluindo-me eu entre a espécie supra-predadora, vou começar a ter mais atenção nas minhas incursões ao mundo natural. Ainda bem recentemente tive a grata surpresa de avistar, bem perto, por sinal, um exemplar de Vulpes vulpes. Mas, como a esquiva raposa faz jus ao epíteto e não representa ameaça de monta, fiquei quieto e sossegado. Ao descer pela encosta onde pasmam os quantos sobreiros que fui verificar, por entre a vegetação que nada tem a ver com o facto de sermos os maiores produtores mundiais de cortiça, comecei a reparar nuns quantos remeximentos que não faziam parte da paisagem à qual estava habituado em anteriores visitas.
Analisados, visualmente, os dejectos deixados como presente, mais a "hiroximização" do terreno, a coisa era obra de Sus scrofa, vulgo javali. Confirmadas as provas documentais junto do meu inseparável amigo de aventuras agrícolas, foi-me transmitida a vulgarização de vida selvagem por estas bandas. «Atão, já num há quim queira amanhar a terra. Fica pr'áqui tudo ó Deus dará, prós bitchos cumerim. Um destes dias inda m'entra um porco-espinho pur casa adentro a pedir-me um cibo de caldo!»... E foi numa outra conversa, com outro amigo de lides agrícolas que fiquei a saber do ressurgimento de texugos (santa ignorância, pensei que os "teitchugos" fossem histórias de outros tempos).
Se juntar a tudo isto a já conhecida presença de corços, mais as notícias que dão conta da saída dos Ursos-pardos da restrita Cantábria, surgindo relatos de avistamentos do lado de lá da fronteira galega, um destes dias voltaremos ao tempo em que os monarcas, nas cartas de foro, incluíam alíneas de lhes serem ofertadas mãos de urso, na eventualidade de um ser abatido numa caçada. Para quem possa eventualmente estranhar, sim, já tivemos Ursus arctos na nossa região (pelo menos, provavelmente, até meados do séc. XIX). Dentro desta euforia, pela proliferação de vida selvagem, amenizada pela tristeza da desertificação humana, o que, para mim, era sublime, seria a detecção de algum lince ibérico.
Seria sinal que os coelhos e as lebres abundariam e que, provavelmente, voltaria a tomar um café na Estalagem do Caçador. Até lá, vão-nos diminuindo o número de deputados, vai-se nascendo em ambulâncias e vão avariando aparelhos de TAC que demoram uma eternidade a ser reparados. Mas já temos "Magalhães pós putos", o início das obras no túnel do Marão, rede de fibra óptica e novos serviços hospitalares. Mas vamos começando a não ter gente, a ter taxas de mortalidade que são o dobro das de natalidade, freguesias que vão a Plenário e deputados por Penafiel. Porque é que há balanças? Ainda por cima, desequilibradas? Um destes dias voltaremos à "terra-tenência" de Zamora... A não ser que se vão levantando umas vozes. Acalma-me o espírito saber que as há... sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Cousas anómalas da interioridade
domingo, 27 de setembro de 2009
O primeiro dia do resto das nossas vidas
Há 52 anos não havia eleições. Mas existia algo a abalar o território nacional. A irupção dos Capelinhos não deixava margem para se pensar que, meio século após, seríamos detentores do vulcânico poder de decidir sobre a "morfologia territorial" que advirá destas Legislativas. Escrevo isto porque, a poucos momentos de me dirigir à Junta de Freguesia, ainda não descortinei a posição do PI (Partido dos Indecisos) no boletim de voto. Se há meio século havia fenómenos da tectónica, há 41 anos tinha renascido um pouco da chama da esperança, a partir do momento em que Marcelo Caetano tomou as rédeas do monolitismo que caracterizava a cena política portuguesa. Soou, segundo as crónicas, a ventos de mudança... A verdade é que (e peço desculpa pelo abuso linguístico), revelou-se um "não é merda, mas cagou-a o gato"... Essa é a sensação com a qual parto para a missão de colocar um cruz num papel. E não é por medo de ser atingido pelo H1N1 depositado em qualquer caneta pública... O estado a que vi chegar este país faz-me suspeitar que, com ou sem mudanças, haverá mais do mesmo. Particularmente no que à minha região diz respeito. Trás-os-Montes não sofrerá nenhuma metamorfose... Será, talvez, mais abandonado... Ou mais esquecido... Haja, ou não, A4, IP2 e IC5... Apanágio dos tempos e da história... Deve ser por isso que me sinto estranhamente deprimido. Porque, mais logo, seja qual for o resultado, não terei razões para festejar. Como dizem na minha terra adoptiva, um diz "mata!", outro "esfola!" e vem um terceiro a dizer "atirem-no ao mar!". Quanto a Trás-os-Montes, não se pode matar o que morto está... Mas pode ressuscitar-se! Assim queiram as gentes...
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Inconformismos
sábado, 5 de setembro de 2009
Neologismos e genuinidade transmontana
O advento das novas tecnologias trouxe a inevitabilidade: a profusão de neologismos. Não coloco em causa se, num mundo de facilitismo, será mais correcto questionar alguém acerca do seu endereço de correio electrónico ou simplificar a questão com a redução a e-mail ou, simplesmente, mail… De idêntica forma, torna-se mais fácil afirmar que escrevo num blog (ou num blogue, na versão aportuguesada), ao invés de o fazer em relação a uma página pessoal e, neste caso, transmissível a quem tenha paciência para a ler. Afinal, um blog nada mais é que um anglicismo resultante da contracção de weblog, ou seja, “um diário de bordo na rede”. Até aqui, tudo bem… Se há uma estratosfera, que haja uma blogosfera… Confesso que prefiro esta forma à oficialização de termos “electrónicos”, tal como foi feito pelo Governo Francês em relação a “courriel” como substituto de “courrier électronique”… Feita a transposição para a realidade portuguesa, não me estou a ver a dar o meu “correiel”… Mas regressemos aos neologismos… Não me provocam prurido alguns dos que vão grassando pela língua portuguesa. Outros há, no entanto, que possuem a capacidade de arranhar o meu canal auditivo. Para lá do célebre “pilhão” (ainda bem que não “hablamos castellano”), surge agora o “depositrão”. Ainda por cima, instalado na minha cidade!... Suspeito que, um destes dias, haverá uma qualquer adulteração de nomes de vulgares utensílios do quotidiano… Como passará a denominar-se um recipiente do lixo? Ou uma sanita? Também são “depositrões”, mas “depositrão” há só um… Fica o desafio linguístico à imaginação… Mas a suprema verborreia em termos de atentado linguístico vem da proliferação de “ódromos”… Até agora, assustava-me mentalmente com a moda dos “sambódromos” ou “fumódromos” do lado de lá do Atlântico. A dita chegou ao lado de cá, precisamente aos meios eruditos universitários, com a criação dos “queimódromos”. Quando pensava que a província transmontana estaria a salvo, eis que surge a novidade de existirem exemplares de raça mirandesa provenientes do concelho de Macedo a disputarem um prémio num concurso de chegas de bois. E onde decorreu? Num “CHEGÓDROMO”???!!! Ora bem… “Dromos” é um sufixo, radical grego, que exprime a ideia de corrida. Estará muito bem aplicado em autódromo, hipódromo ou velódromo. Na realidade, são recintos onde ocorrem corridas. Atentando nos exemplos dados, há corridas de samba? Já se viu fumo a correr? E quem ganhou a última corrida de queimas? E nunca vi nenhuma corrida de chega de bois… Cá para mim, tal prova desenrola-se num lameiro ou num qualquer recinto vedado onde um par de touros tenta disputar a primazia pela força. Na verdade, há, por norma, um que corre… Mas é para fugir, não para receber a bandeira de xadrez. Transmontanamente falando, “bou ó campu ber a tchega de beis”, não vou ao “tchigódrumu”… Como estamos em período de debates eleitorais, porque não anunciar o próximo como decorrendo num “debatódromo”? Razão tem o arquitecto-filósofo Paul Virilio no seu “Cibermundo – a política do pior”. Este “apóstolo céptico” defende que a actual sociedade tecnológica está a reduzir a Humanidade à uniformidade, transformando o Homem num ser alienado. A sociedade de corrida em que vivemos metamorfoseou a democracia num poder “dromocrático”… Viva a “dromocracia”, os “chegódromos”… e os “depositrões”! E viva também, enquanto subsiste, a tipicidade transmontana…
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Velhotas espertalhonas, um vírus espertalhão e outras cousas
Há uns meses atrás fui tomado por uma onda de espanto a propósito d'"A Filha do Cabra" e da representatividade que uma peça de teatro pode ter na quebra do isolamento. Desta vez, fui surpreendido por uma onda de emoção ao assistir à forma característica e muito transmontana como um conjunto de valorosos actores e actrizes amadores expôs a sua alma à reportagem da SIC. Quando menciono uma onda de emoção estou a referir-me, concretamente, à emoção propriamente dita, com sorrisos e uma lagrimazinha de orgulho de permeio. É a minha peculiar forma de sentir o que brota do mesmo "mar de pedras" que me serviu de alicerce...Mais que uma via de fuga à realidade do quotidiano marcado pela árdua vida campesina, as "Velhotas Espertalhonas" vão além do carácter lúdico de um evento teatral. Transmitem, em jeito de comédia, como lidar com a "chico-espertice" de quem, sem qualquer tipo de escrúpulos, se aproveita de alguma da ingenuidade gerada pelo esquecimento atrás de montes e planaltos. Se a moda pega, teremos, um destes dias, as grandes companhias teatrais a levarem a palco uma qualquer sátira sobre como nos precavermos contra vírus BPN ou BPP... E outros... Que não o famosíssimo H1N1... Esse, parece que veio para ficar, mesmo que pareçam, como em casos anteriores, mais as vozes que a as nozes. No entanto, como cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, é de aplaudir a iniciativa do Centro de Saúde em enviar uma equipa de enfermagem num périplo pelas diversas aldeias do concelho, levando às populações a informação técnica que, inúmeras vezes, anda arredia.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Cousas depreciativamente depressivas
Estou possuído por uma espécie de embriaguez pré-período eleitoral. Lanço, publicamente, um repto: arranjem-me notícias de Macedo onde não seja mencionada, de alguma forma, a acusação de “falta de democracia” na elaboração das listas para as autárquicas! Creio que será o único antídoto eficaz para lidar de modo mentalmente mais pacífico com as acusações a que já fiz referência num post anterior. Ainda que as mesmas não sejam infundadas, que importância têm para a gravidade de factos que assolam a província transmontana? Num recente estudo da Comissão Europeia acerca da pobreza, a Região Norte foi considerada a mais pobre do país. Num âmbito mais abrangente, está incluída no grupo das 30 mais pobres da UE (considerando 25 países). Isto quando as duas maiores fortunas do país se encontram nesta mesma região! Sinto náuseas… Mais grave e aterrador é que Trás-os-Montes é a Sub-Região mais pobre da UE (considerando 27 países)!!!
Apetece-me largar as raízes de vez e mudar-me, de armas e bagagens, para a Eslovénia, para a Letónia ou para o Chipre! Vêm os analistas (aquela classe que sabe de tudo um pouco, um pouco de tudo e nada de nada) afirmar, peremptoriamente, que tal se deve ao desperdício de Fundos Comunitários. Quais fundos? Será que se referem ao PRODER? Aquele programa que tentei aproveitar para revalorizar terrenos incultos e que, de empurra em empurra, de obstáculo em obstáculo, de ignorante em ignorante, me constrangeu a mandar a persistência para aquela parte, tal a forma como fui vencido pelo cansaço de engenheiros e doutores “alapados” numa poltrona de improdutividade em que a regra é “deixem-me descansar até à chegada do próximo ordenado”… Dizem-me as más línguas que foi aprovado um projecto para Trás-os-Montes. Um?!?! Gostaria de conhecer o “sortudo“... Sempre contribuiu para não sermos vergados à vergonha de assistirmos à devolução da totalidade dos Fundos… Pelos vistos, não só somos pobres, como mal agradecidos…
Mesmo que, e ainda segundo as más línguas, o rio Douro (que também é transmontano) “desperdice” 55% da produção eléctrica nacional sem recebermos nada em troca. Deve ser por isso que se mantém a pretensão de passar o “desperdício” para 55,5% com a construção da hidroeléctrica do rio Tua… Se já soava a irreversível, mais se agravou a sensação com o debate parlamentar sobre a Petição “Movimento Cívico pela Linha do Tua”. A Oposição, mesmo que hipocritamente, defendeu a manutenção de um dos paraísos transmontanos, com algumas tiradas que são de registar. Saliente-se aquela em que um senhor deputado afirmou que “nem a linha, nem os comboios sabem nadar, tal e qual acontecia com as gravuras de Foz Côa”. Pois não sabem, mas vão ter que aprender. Ai vão, vão!
“A via férrea deixou de ter utilização, deixou de ser útil para as pessoas que ali vivem e trabalham, que optaram pelo transporte rodoviário”. Esta intervenção, pasme-se, foi tida por um senhor deputado eleito por Trás-os-Montes! É de lhe se tirar o chapéu! Será que das 5.000 pessoas que assinaram a dita petição estão excluídas todas aquelas para quem a ferrovia se transformou em inutilidade? Será que o Presidente da Câmara de Mirandela tem razão quando afirma que esse deputado foi eleito pelo círculo de “Mirandela para cima”? Ou será que esse senhor deputado não se considera representante dos 5.000 assinantes desvairados? Ou terá sido eleito pelos votos da EDP? Apetece-me recorrer ao quase homónimo do senhor deputado (quase porque tem mais o “de Camões” na nomenclatura) : «A dor acostumada não se sente»…
Mas sente-se a dor derivada do facto de a dita Sub-Região mais pobre da UE27 ter eleito um deputado que, dificilmente, voltará a sê-lo na próxima legislatura. Porque nos reduziram para três o número de deputados a ser eleitos pelo círculo de Bragança. Um destes dias igualamos o distrito de Portalegre… Bem vistas as coisas, o melhor seria nem elegermos nenhum. Um dos candidatos cabeça de lista (bem na pole position para nos representar(?)…) é de Penafiel e exerce a sua profissão na Invicta Cidade. Vai defender o quê? Os Vinhos Verdes de Trás-os-Montes?… Perante isto, será assim tão importante a tão propalada “falta de democracia”? Temos é “falta de deputados”, “falta de cuidados”, “falta de riqueza”, “falta de escrúpulos” e, um destes dias, “falta de tudo”… Menos do orgulho em ser transmontano (e macedense)… Por mim falando, certo é… Protestarei até que a voz me doa… Ou até sermos transformados num qualquer Kosovo mesmo à beirinha de Zamora… “Quem tu dixo?”…
domingo, 24 de maio de 2009
Escolas que vale a pena fechar???

Não discordando de Mota Andrade, a propósito do encerramento de Escolas Primárias (aquelas que adoptaram a rara designação de EB1), não posso deixar de manifestar a minha estranheza pelas consecutivas políticas de "terra queimada". Dá-se por um lado, tira-se por outro. Deve ser penoso viver em algumas regiões transmontanas... Aliás, não deve, é! Remetendo-me exclusivamente ao meu concelho, posso imaginar as agruras de fixar residência em freguesias como Soutelo Mourisco ou Burga, só para citar dois exemplos, um a norte e outro a sul. É certo que deverão existir algumas compensações, caso contrário já seriam uma espécie de neo-banrezes ou neo-carvas. Mas também não é difícil levantar a suspeição para que as eventuais compensações não suportem a permanência de gente, a muito breve prazo. A cada incursão às profundezas da realidade concelhia, as rugas nos campos são inversamente proporcionais às equivalentes nas faces dos que resistem à desertificação. Diminuem as escolas, diminui a população, à medida que aumenta o abandono e o envelhecimento, reflectidos nas ruínas fruto das sementes do tempo. E aumenta, de igual forma, a proliferação de flora selvagem... Pelo menos, deve ganhar-se na produção autóctone de oxigénio... Começo a perceber a adiada promessa do heli do INEM. Para quê um helicóptero se, um destes dias, fica sem local disponível para poder aterrar? E, da maneira como se mantém a tendência para o envelhecimento da população, para a desertificação e para a baixa taxa de natalidade, não me espanta que, em poucos decénios, a província transmontana se transforme num "admirável mundo novo" pautado por coutadas para fazerem as delícias dos que agora só lá vão para conseguir uma "cruzita no papelinho"... Exceptuando Mirandela, Macedo e Bragança, que se situam no eixo central do distrito, receio pelo futuro dos restantes 9 concelhos do distrito... Venha de lá a A4 e o IC5... E que, do lado de lá da fronteira comece a vir bom vento e bom casamento...
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Cousas do novo Código da Vinci de D'Ana Brown Jorge
A Irmandade de Sancto Benedicto de Olissipo persiste em adiar a revelação do Segredo... Após mais de cinco séculos de intermináveis lutas pela sua posse, o Deão Corrigia de Campus, num assomo de coragem, decide partilhar com os esquecidos transmontanos o segredo do helix pteron... Logo o Grão-Mestre Σωκράτης, vulgo Sokrates, instruíu a substituta do infame Campus, Hanna Georgius, para a promoção da política do "dourar a pílula", com o claro intuito de demonstrar ao povo do distrito sem auto-estradas que a teoria evolucionista de Darwin deveria ter as suas excepções.
Contudo, a aproximação do crucial momento em que os pretensos membros da raça asinina se aprestam para depositar uns papelinhos dotados de quadrículas para assinalar com uma cruz, conduziu a uma inusual incursão de Hanna Georgius ao Reino do Esquecimento. Rapidamente o mesmo se transformou no Reino de Torga, sendo invadido de promessas de não encerramento de unidades hospitalares e da dotação de melhores meios, entre os quais o helix pteron projectado por Da Vinci. Um descuido reprovável permitiu ao centro de espionagem da Ordem dos Hospitalários Macedenses ter acesso ao Segredo tão habilmente guardado durante séculos.
De imediato, foi convocada uma reuniâo de emergência com as cúpulas da clandestina organização dos Hospitalários Macedenses. Na mesma foi decidido investigar as consequências imediatas de mais um possível engano, alicerçado em mais uma promessa adiada. No entanto, após aturadas investigações, nomeadamente através dos serviços secretos das várias células espalhadas pelo mundo, foi possível a constatação de que o projecto já avançou para o terreno na Irmandade do Reino Nipónico. Os triviais helicópteros do século XX foram há muito abandonados e em magna assembleia da Irmandade de Sancto Benedicto de Olissipo foi idealizada a transformação do Reino Esquecido num projecto-piloto para a avaliação da eficiência dos novos médicos e enfermeiros voadores.
Até lá, será reaberto à circulação o troço da Linha do Tua entre Carvalhais e Bragança. Por falta de carris e restantes estruturas de suporte ao transporte ferroviário, e para aproveitamento das trincheiras já abertas há mais de um século, foi aprovado, como forma de agradecimento à paciência dos transmontanos, aplicar as verbas destinadas ao Túnel do Marão na aquisição de equipamentos de transporte que estão na vanguarda dos serviços primários de saúde.
Caso haja discordância dos mais resistentes, a Irmandade deixou em aberto duas alternativas...
A outra alternativa é demasiadamente mórbida para ser mencionada... Será que valeu mesmo a pena o Martim Gonçalves de Macedo ter sido um herói?... Terá João Afonso Pimentel, o alcaide de Bragança por alturas de Aljubarrota, sido um traidor à pátria ou um visionário da sua época, quando tomou o partido de Castela? A mais de 600 anos de distância, já pressentiria o ostracismo a que seria votada a sua região ao longo dos séculos vindouros? Ou já teria conhecimento dos procedimentos da Irmandade? Já existiria na altura algum projecto acerca da virtualidade dos helix pteron INEM?... Adeus, até ao meu regresso... Acabei de ser atingido pelo holograma de uma hélice...
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