Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



Mostrar mensagens com a etiqueta Cousas Transmontanas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cousas Transmontanas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de maio de 2009

Cousas d' Ua lhéngua minoritaria an Pertual i de l menistro que bibe an Lisboua

As qualidades de um povo não se medem pela sua quantidade. Já por aqui referi que me "embutchinei" porque um político da nossa praça menosprezou os transmontanos. Assistir à irresponsabilidade de um ministro que deveria pautar a sua conduta pelo inverso, deixa-me os meus neurónios quase "couratchos", só em "truzes e miotes"... Então os que persistem na manutenção da "lhéngua" mirandesa são loucos? Terão sido igualmente "loucos" os deputados da nação quando votaram a Lei nº 7/99, cujo Artigo 2º refere que "O Estado Português reconhece o direito a cultivar e promover a língua mirandesa, enquanto património cultural, instrumento de comunicação e de reforço de
identidade da terra de Miranda."? Estaria "louco" Jorge Sampaio, o Presidente da República de então, quando a promulgou? E o que dizer da "loucura" de António Guterres e do seu Governo ao lançarem tão "louca" lei? Sr. Ministro da Cultura, não sou mirandês, mas faço parte daquele grupo imenso de transmontanos que parecem poucos mas estão espalhados por todo o lado. E que sentem um orgulho imenso em ser diferentes, em manterem tradições únicas como os Caretos em Macedo, as Festas dos Rapazes em Bragança, as Alheiras em Mirandela, os Salpicões em Vinhais, os Pauliteiros em Miranda e outras tantas coisas mais que, como Ministro da Cultura deverá (ou deveria) conhecer. Como só não sente quem não é filho de boa gente, o que este país precisa mesmo é de mais "Astérix's", não na versão de "loucos gauleses", mas, talvez, de "irredutíveis zoelas", mesmo que falem uma "lhéngua" que pouca gente entende... Pouca, mas seguramente distinta... Porque a nossa distinção não termina no isolamento... Plagiando um blog escrito na "lhéngua" dos "lhoucos": «Sr. Menistro,
Se quier falar de l Mirandés (falou hoije, an público, pula purmeira beç) fale! Mas fale cumo un menistro debe falar! Nós nun percisamos de poçones, percisamos de deçisones! PROUA AN SER MIRANDÉS!». Acrescento: "Proa im'ser transmuntano, inda que tchabasco. Semos poucos mas temos cousas mim boas. Sômenistro, quer que l'abonde um cibo? Ou tamém são tchotchos us q'inda cebam u reco?"

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cousas de incontornabilidade transmontana

«Quando estiveres com um grupo de pessoas que não conheças, não digas que és transmontano, porque é natural que os outros, não o sendo, se sintam inferiorizados.» Almirante Sarmento Rodrigues (transmontano de Freixo de Espada à Cinta) para Adriano Moreira (transmontano de Macedo de Cavaleiros) - excerto de um artigo de Edite Estrela (transmontana de Carrazeda de Ansiães), JN - 17.02.2002, sobre outro transmontano (de Macedo de Cavaleiros): Raul Rego.
Vem tudo isto a propósito de mais uma distinção atribuída a Adriano Moreira, uma figura com tanto de ímpar, como de polémico, no panorama da política portuguesa (ex-Ministro do Ultramar, ex-deputado, ex-presidente partidário, ex-muitas coisas mais e delfim da ainda mais polémica figura de Salazar). Não surpreende a atribuição do Prémio da Cultura 2009 por parte da Igreja Católica. Surpreenderia muito mais se o galardoado fosse Mário Soares ou, a título póstumo, Álvaro Cunhal. Mas não estou aqui para julgar o mérito ou demérito do premiado (ainda que estivesse, quem sou eu para julgar...). A referência aqui trazida reduz-se à singeleza de manifestar o meu apreço pela distinção a um conterrâneo, ao seu percurso e à sua visão única manifestada em obras como «Política Ultramarina» ou «Saneamento Nacional». Contudo, trilhos políticos à parte, são deliciosas, "transmontanamente" falando, algumas passagens da sua biografia «A Espuma do Tempo - Memórias do Tempo de Vésperas», recentemente editada . Mesmo considerando a óbvia conotação ao Estado Novo, não deixam de ser sublimes alguns episódios, demonstrativos, quiçá, de um carácter vincadamente transmontano. Como aquele em que Salazar, discordando de algumas das suas reformas, se lhe dirige nestes termos: «Peço-lhe que seja mais suave e que abrande o seu reformismo, mudando a sua política». Ao que Adriano Moreira retorquiu: «Será então talvez melhor mudar de ministro». Nutro uma imensa admiração pelo conterrâneo de Grijó, ainda que discorde de algumas posições por ele assumidas. Talvez sejam mais aquelas com as quais me identifico... Contudo, uma há que gostaria de, um dia, perceber. A mesma é representada pelo amargo de boca que me ficou após a doação do seu espólio à cidade de Bragança. Porquê a Bragança? Porque não a Grijó ou a Macedo, a terra ou o concelho que o viram nascer? Será pelo facto de Macedo não estar dotado de um Museu?... Terá a cidade de Bragança maior visibilidade? Ou existirá algum tipo de dívida de gratidão à capital de distrito?... Sei lá... Ou saberei?...

domingo, 1 de março de 2009

É mim bom... Quem tu dixo?


Bai-se por uns guiços ó sequeiro que está ó pé du sardeiro. Amanha-se um tóro p'ra serbir d'strafogueiro, põe-se-lh'ua pinha e tchisca-se-lhe u fogo c'us lumes. Cum as brasas feitas é só pôr a tchitcha ássar. Peis num há nada c'mum cibinho de lombo de reco d'adôbo na grelha. Quando num u há, mim boa é u'alheira e um salpicão cum bô carólo de trigo. E c´mu ninguém s'astrebe a botá-los abaixo c'ua pinga d'auga, bai-se pur a outra pinga, q'é milhor e num fai tão mal (se num se escurritchar a garrafa até ó fundo)...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Pequenas homenagens


Na minha memória de infância cabem uma série de figuras típicas macedenses. Umas mais que outras, é certo... Não deixo de recordar, com algum sorriso de menino de permeio, o "Charula", o "Mudo", o "Licha", o "Naita", a "Cobrinha"... Entre outros... Mas o que me traz aqui com este rol de recordações é a notícia que, na passada semana, me informava que uma idosa de 80 anos tinha sido atropelada no Largo Manuel Pinto de Azevedo. Infelizmente, a dita idosa acabou por falecer, vítima do mencionado acidente. Pouca gente a conheceria, estava instalada na resignação de um lar, não possuía descendência nem actos relevantes que a transformassem num ícone macedense. Mas, para este Cavaleiro Andante, era a Lucília. Simplesmente, a Lucília, ex-vizinha de muitos anos... Na última época natalícia tinha estado com os meus pirralhos e tinha-me mandado muitos beijinhos, manifestando o desejo de me rever. Fiquei de tal forma sensibilizado que havia prometido a mim mesmo que numa próxima ida a Macedo lhe faria uma visita. Contingências da vida... Já não o poderei fazer... E já não voltarei a ter as moedas de "25 paus" que a Lucília me dava quando ia à Chenop pagar-lhe a luz. Ou quando lhe fazia companhia nos velhos tempos em que a cabine telefónica em frente à farmácia Central era um elo de ligação com o mundo exterior. E também não me voltarei a revoltar porque os gatos dela devoravam os meus pintaínhos...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Cousas da Terronha


Já não era sem tempo... Parece, finalmente, ter sido feita justiça ao trabalho desenvolvido pela "Associação Terras Quentes". Ter a Terronha de Pinhovelo classificada como IPP poderá não passar, como em muitas outras situações, de uma declaração de boas intenções. Mas é um passo, mesmo que pequeno. Acima de tudo, represente a oportunidade de se poder visitar condignamente um dos raros locais arqueológicos que o concelho possui. Porque, verdade seja dita, na ocasião que tive, há uns meses atrás, de me aventurar pelo caminho de terra batida que ao antigo povoado dá acesso, deparei-me, mesmo com um todo-o-terreno, com a contingência de fazer uma boa parte do percurso com tracção aos dois membros inferiores, tal a proliferação de espécies arbustivas. Poderá não passar de uma sugestão utópica, mas anseio por ver a Terronha com um tratamento semelhante ao que se pode apreciar na Citânia de Briteiros, salvas as devidas proporções, em tamanho e em representatividade de momentos históricos. E, não pedindo muito, poque não temos uma Sociedade Martins Sarmento a financiar, que tal reconstruir uma das habitações? Ou, não sendo tão ambicioso, que tal proceder a uma limpeza do terreno para que, pelo menos, se possa apreciar sem grandes obstáculos, a configuração do povoado e das muralhas que o suportariam defensivamente? Sugestões de um lírico... Mas de um lírico que, mesmo à distância, sente como talvez poucos, o pulsar macedense.

domingo, 12 de outubro de 2008

Cousas da saúde e derivados

Já lá vão uns anos desde que alguém me transmitiu a ideia de que o hospital macedense era um projecto megalómano que, com o decurso dos anos, se transformaria num "elefante branco". Na altura, protestei de forma veemente, apelidando esse alguém (que por acaso faz parte do meu restrito círculo de amizades) de "profeta da desgraça". E não é que o (então) rapaz já tinha uma enorme capacidade de visionário? Por muito que me custe deglutir sapos, retiro o chapéu a quem teve o engenho mental de adivinhar o que o futuro reservava. E aqui este "jovem" (que também já foi rapaz), na sua "santa ingenuidade", assente na crença de que Macedo poderia ombrear com as vizinhas Mirandela e Bragança, foi "vendendo o peixe" de que a sua vila (agora cidade) possuía uma infraestrutura hospitalar capaz de oferecer benefícios para todos os macedenses. E, dada a sua centralidade no distrito, capaz de absorver as necessidades dos concelhos limítrofes. A realidade do presente é, no entanto, aziaga. Com o advento do Centro Hospitalar do Nordeste, parece inegável que a Unidade Hospitalar de Macedo se transformou numa espécie de "patinho feio". Ou são as cirurgias de ortopedia que são transferidas para outras unidades, ou é o laboratório de análises clínicas que perde a sua validade, ou as urgências que passam a funcionar noutro quadro. Ou seja lá o que for... Que não é, seguramente, compensado pela alternativa que poderá representar o hospital macedense como centro de esterilização. Honestamente, seria mais lógico esterilizar as mentes dos seres pensantes que estão a roubar (ou a deixar roubar) a enorme mais-valia que representava o agora cada vez mais "elefante branco". Ainda querem os senhores deputados por Bragança incentivar a vinda de médicos para o Nordeste Transmontano? Mas os senhores, por acaso, já ouviram a opinião dos médicos? Estarão mesmo convencidos de que, com as condições que (não) criam, haverá alguém em seu perfeito juízo a querer enterrar a sua vida num espaço cada vez mais ermo? Depois admirem-se por sermos um dos distritos com maior incidência de AVC's... Valha-nos a crise financeira para nos irmos esquecendo da crise na saúde... E já nem a Selecção consegue animar a malta...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Macedo faz-me tão bem


Mais não seja por retemperar forças com umas belíssimas alheiras fora de época. Seria injusto caso me limitasse a remeter-me para os prazeres gastronómicos. Na verdade, Macedo faz-me bem por motivos bastante superiores a umas alheiras (não que estas não constituam um óptimo complemento). A começar pelos preparativos de mais uma viagem que atravessa montes e vales, pintados por cores únicas. Já subi e desci o Marão uns centos de vezes e consigo sempre descortinar algo novo e único. Nem que seja uma pedra eremita para a qual nunca tinha direccionado o meu olhar. E, quando entro na província transmontana propriamente dita (que o Marão é serra dividida), não deixo de me perder com os aromas que, apesar de familiares, me servem de reconforto à alma. Da mesma forma, à medida que me aproximo de Macedo, não deixo de sentir a envolvência única dos tons que marcam a deslumbrante paisagem que acompanha o serpentear do caduco IP4. Finalmente, assemelhando-se a uma "revisão da matéria dada", é sempre com uma renovada emoção que reencontro os "meus" locais e a "minha" gente. Pode soar um pouco estranho, mas existe sempre a sensação de que é a primeira vez que chego à terra que me viu nascer. A realidade é que permanece tudo como se o tempo tivesse sido vítima de algum acidente nos seus ponteiros: as mesmas ruas, as mesmas casas, as mesmas pessoas. No entanto, ou os meus olhos sofrem de algum traumatismo amnésico, ou até a Serra de Bornes me parece sempre diferente... Cousas de um macedense sempre em busca de um regresso às origens...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Cousas do descanso


Os ares macedenses revitalizam até a mais penada das almas. Mesmo considerando a habitual invasão do mês de Agosto, não deixam de ser revigorantes as incursões às maravilhas que marcam a paisagem concelhia. No decorrer de quase três semanas, foi-me possível redescobrir os encantos representados pelos reencontros que pautam o período de férias. Sejam os mesmos com amigos que já não se viam há muito tempo ou com a família que se mantém sempre disponível para mais uma "merenda". Contudo, existe mundo para além das pessoas que, de uma forma ou de outra, marcam o percurso das nossas vidas. Não há período de descanso de Verão que não seja marcado pelo desfilar de música "popular" (para não utilizar a adjectivação mais comum...). Mesmo a contragosto, reconheço que, no meu caso particular, uns dias de Agosto passados em Macedo não seriam os mesmos sem os acordes, mesmo que ouvidos à distância, de Quim Barreiros e demais artistas em tudo semelhantes. É típico, dizem uns. Piroso ou pimba, apelidam-no outros. Seja como for, Agosto é mês de arraiais, de "tunning", de discotecas ambulantes, de poliglotas, de festas com carácter mais ou menos "popularucho". Mesmo que possa incomodar, é sabido que, sem a presença massiva destas manifestações "culturais", o calendário seria distorcido e saltaríamos de Julho para Setembro...
Como não sou adepto de grandes ajuntamentos, aproveito, na maior parte do tempo, para me refugiar em locais onde me transformo num autêntico asceta. Quando não me recolho ao conforto familiar do sofá, onde aproveito para colocar a leitura em dia (ou, neste mês, para assistir, fora-de-horas, às transmissões olímpicas), invisto o meu tempo a deambular pelos caminhos que pouca mais gente percorre. Foi dessa forma que, numa gorada tentativa de descobrir a Fraga dos Corvos, me perdi em plena Serra de Bornes. Apesar do contratempo e de alguma atrapalhação, aproveitei a ocasião para mais uns registos fotográficos. Já em Vilar do Monte recebi preciosas informações para a próxima incursão.
Coroada de êxito revelou-se a excursão, na companhia dos meus "pirralhos", à Terronha de Pinhovelo. Tendo efectuado um reconhecimento prévio, a aventura foi fascinante, particularmente para os "pequenos arqueólogos". De tal forma que já me solicitaram novas expedições. Especialmente, depois de lhes aguçar o apetite com uma visita ao Museu Arqueológico e de terem devorado a edição nº 5 dos "Cadernos Terras Quentes". Por mencionar o Museu Arqueológico, ainda que insignificante, deixo aqui um voto de louvor à iniciativa, à sua localização e às instalações. Bem como à simpatia de quem nos recebe. Porém, como não há bela sem senão, os "pirralhos" protestaram de forma veemente contra o parco espólio constante no dito museu (apesar das minhas explicações para a infância das investigações arqueológicas no concelho). Da minha parte, lamentei a ausência na exposição da moeda visigótica de Witiza (sei que está em boas mãos).
Ainda em termos arqueológicos, um lamento enorme em relação ao estado deplorável em que se encontra o único registo de megalitismo no concelho: a Mamoa de Santo Ambrósio. Entristeceu-me profundamente verificar tal estado, mesmo tendo sido informado das limitações com que se depararam os arqueólogos que procederam às escavações.
E, como nem só de pretendentes a Indiana Jones se fazem umas férias macedenses, não poderiam faltar as aventuras "azibescas". O local está, a cada ano que passa, mais aprazível. Em Setembro, fora das multidões, aproveitarei, seguramente, para uns momentos mais calmos nas suas imediações. E não deixarei de aproveitar a permanência para um passeio na nova atracção turística que representam as "charretes".
Como um bom transmontano tem que ser "bom garfo", nada como aproveitar uma tarde domingueira para "marfar" um bom leitão assado em forno a lenha na magnífica envolvência das centenárias árvores que marcam a paisagem do cabeço onde se situa o Santuário da Senhora do Campo. Pena, pena, é só ter o Azibo no horionte do campo visual. Porque, caso estivesse mais próximo, seria caso para se dizer que se estava muito perto do paraíso. A intervalar o repasto, umas voltas mais por estradas de terra batida. Uma nota para quem resolveu (e bem) construir a sua vivenda fora do bulício "citadino", entre a Senhora do Campo e Latães. Deveria ter mais cuidado com os seres canídeos que se revelam demasiado ameaçadores para quem está de passagem...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cousas de uns dias de descanso


Como diria o ex-seleccionador nacional: "E o burro sou eu?"... Neste caso particular, sem descartar a probabilidade de, em algumas circunstâncias, ter algumas atitudes que se assemelhem ao retratado, o dito foi apanhado desprevenido, por entre as minhas deambulações estivais por terras macedenses. Por tal, desta vez (pelo menos), o burro não sou eu. Subjectivamente, óbvio é...

Porque, caso alguma alma desprevenida tenha tido o ensejo de apreciar um tolo, numa corrida desenfreada em chinelos de dedo, debaixo de um calor infernal, pelas margens da Albufeira do Azibo, com o objectivo de captar para a posteridade uma assustada ave, seguramente que optaria por considerar que o dito tolo era mais asno que o sobredito do retrato. "Anyway", valeu a pena. Não apenas pelos registos fotográficos conseguidos. O mergulho retemperador que se seguiu à louca corrida à Obikwelu foi recompensa bastante. A única desdita reside na invasão ocorrida às águas da albufeira por uma extensa família de arbustos aquáticos. Na minha ignorância, desconheço se a presença dos magotes arbustivos é sinónimo de saúde aquática. Na minha sabedoria de nadador-amador, fugidio de idênticos magotes, mas de veraneantes invasores das magníficas praias do Azibo, "enlouquece-me" não poder repetir os mergulhos de anos anteriores, afastado da "civilização" representada por plantações de chapéus-de-sol. Talvez o busílis da questão resida na tentativa de obter a exclusividade de uma área onde os meus ouvidos não sejam massacrados por gritos histéricos e por areia esvoaçante. Parece que, infelizmente, criei "maus" hábitos no decorrer da minha adolescência, quando frequentava a "barragem" (ainda não era "albufeira"), deslocando-me às "escadinhas", ora de um lado, ora do outro, alternando entre umas pedaladas por Vale de Prados ou umas hippies boleias pelo IP4.

Todavia, verdade seja dita, com ou sem invasões, o Azibo persiste em manter-se como um local único. A qualquer amante da natureza apraz verificar a proliferação de "vida" no ambiente da albufeira. Bastam uns minutos de "papo para o ar" para apreciar a magnificência do voo das aves de rapina. Um pouco mais de atenção às margens permite apreciar o bailado das limícolas. Ou a paz de espírito que representam as cegonhas. Ou ainda a maior paz que transmitem os peixes juvenis que se acercam de águas menos profundas. No entanto, não há bela sem senão: circulam, de igual forma, uns "moscardos" que me presentearam com umas "bolotas" no ventre e no dorso que, para além do desconforto propriamente dito, não há "fenistil" (passe a publicidade) que lhes faça frente.


Como nem só de "barragem" vive Macedo, resolvi efectuar umas incursões por algumas das aldeias do concelho. Entre maior ou menor abandono, pode verificar-se um interesse pela recuperação de algum património. Deixo aqui a magnífica visão obtida a partir da Terronha de Pinhovelo. E o agradecimento aos idosos que, pacientemente, aturaram as minhas questões sobre a sua localização. Senti um arrepio agradável ao inspeccionar o local habitado por presumíveis ancestrais macedenses. Contudo, os acessos encontram-se num estado deplorável e o povoado coberto por um extenso matagal. Fica aqui o registo da minha estranheza, já que no site da Câmara Municipal surge a informação de que o local arqueológico é visitável. Só se for por tolos como eu...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

(Mais) Cousas do S. Pedro



Mais um ano... 25 anos... O tempo é implacável. Ainda me recordo do arcaísmo em que decorreram os primeiros certames da Feira de S. Pedro. Como macedense de gema, sinto orgulho na vitalidade que atingiu a "festa". Contudo, não há bela sem senão. Já me tinha referido à inércia (ou, antes, à timidez) do público transmontano quando presencia espectáculos, a propósito do Pedro Khima. Como até gosto de uns pés de dança, particularmente quando se trata de músicas de inspiração latina ou africana, a minha pirralha (que herdou esses genes paternos), convenceu-me a assistir ao espectáculo dos Irmãos Verdades. E não é que o ritmo africano não contagiou o público, tal como seria de esperar? Como até me sinto um alienígena na terra-mãe, foi a minha vez de convencer a descendência a perder a inibição e a lançar-me na aventura de bambolear ao ritmo frenético da kizomba. Obviamente que, quem por perto estava, não perdeu a oportunidade de, ainda que timidamente, acompanhar os dois estranhos que dançavam sem se importunarem com os olhares de espanto que sobre eles pendiam. A verdade é que, ainda hoje, não deixo de sentir algum constrangimento quando circulo pela terra que me viu nascer. Mas daí a assitir a um concerto de braços cruzados sem manifestar a mínima emoção, vai uma grande distância! Será que o "povo" só se desinibe com uns canecos em cima? Ainda hoje voltei a pensar nisso: à hora do almoço, reparei que havia um programa emitido em directo a partir de Bragança. E não é que os adolescentes que a apresentadora ia tentando entrevistar ou se afastavam, ou não conseguiam falar ou, os que falavam, apesar do desafio, não conseguiam olhar para a dita apresentadora ou para a câmara? Que raio de bicho mordeu esta gente? Parece que se sofre de um qualquer complexo de inferioridade! Ou será de interioridade? "Pôrra"!!! Somos poucos, mas bons!!! E parece que a minha gente tem dificuldades em acreditar nisso!...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Cousas da Feira

Ou é impressão minha, ou Macedo está um pouco parado no tempo. Regressei, por uns dias, às origens. É verdade que, apesar de as temperaturas não serem propriamente desagradáveis, as previsões de uma onda de calor não passaram disso mesmo. Aliás, permaneço em amena cavaqueira com o teclado, coberto por um manto de nuvens ameaçadoras. Não fosse a presença de um permanente concerto de aves (os meus insuportáveis despertadores matinais), e diria que estava em época antecedente às vindimas. Mas não... Estamos em Julho e, apesar dos meus planos de um ida à barragem antes da invasão de Agosto, parece que os ditos não passarão disso mesmo.
"Regressando" à Feira de S. Pedro. O cartaz, diga-se em abono da verdade, está bem composto e elaborado com o intuito de agradar a todos os gostos. Na Quarta-feira, levei os catraios a assistir ao concerto do Pedro Khima. Como, felizmente, a meu ver, estão habituados a assistir a outros concertos, estranhei a sua desilusão final. Após questionados sobre os porquês da ausência de sorrisos indiciadores de satisfação, as suas respostas reflectem, de uma certa forma, a interioridade. Para ser honesto, não gostaria de ser o Pedro Khima. Esforçar-me, através da entoação dos temas mais conhecidos, para obter como máximo aplauso o permanente entrecruzar de braços da assistência, é desmotivante. Confesso que me senti um verdadeiro alienígena, ao mesmo tempo que "abanava o capacete" na companhia da minha descendência, enquanto os vizinhos do lado desesperavam por não terem a coragem (e será que é preciso coragem?) de fazer aquilo que os acordes ditavam. Que raio de timidez colectiva é esta? Como bem disse um grande amigo meu de infância, num encontro fortuito no final do concerto, "Macedo não merece este tipo de assistência". O que merece Macedo, afinal? Talvez, gente que seja ela própria...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Cousas do S. Pedro

Depois das festas sanjoaninas, vêm as que honram o santo das chaves e da meteorologia. Parece que, a crer nas previsões, a semana da Feira de S. Pedro vai trazer consigo temperaturas de escaldar. Boas notícias para os vendedores de refrigerantes e cervejolas. Esperemos por mais um sucesso, nesta que é a edição "bodas de prata"

segunda-feira, 16 de junho de 2008

domingo, 18 de maio de 2008

Cousas da Serra de Bornes



Observar ao longe o gigante adormecido e não refrear a vontade indómita de lhe penetrar nas entranhas... Não resistir ao apelo do verde que o cobre e de me embrenhar pelos caminhos florestais que lhe rasgam o dorso...
Acompanho o desenho do IP2 sentindo ao mesmo tempo que o gigante cresce no horizonte. Faço o desvio para a estrada que leva a Alfândega e subo, serpenteando por entre veredas e montes, olhando, atrevidamente, para os precipícios que se abrem do lado direito. Estaciono e vagueio ao sabor do anormal vento fresco de Maio, redescobrindo uma paisagem que me é familiar desde criança. Continuo a subida, detendo-me, aqui a ali, sempre que um quadro diferente se pinta aos meus olhos. Decido invadir o estradão de terra que conduz às "antenas". A cada metro da íngreme subida, vencida de forma lenta, que a viatura não é para estas andanças, há pormenores distintos que obrigam a mais um "disparo" da câmara. Desde o local onde se encontram as antenas da RTP, observo um mundo onde não consigo descortinar se lhe assiste um fim, tal a abrangência do horizonte. Acendo um cigarro, mas logo desisto quando me surpreendo com a pureza do ar que posso respirar sem monóxido de carbono. Circulo, vagarosamente, por entre as torres que destoam no ambiente, parecendo que cheguei a um qualquer mundo alienígena. Sou despertado do meu torpor pela interrupção que provoquei num qualquer ritual entre um par de perdizes. Com o vento anormalmente cortante a pentear desmesuradamente a vegetação (e o meu desprotegido par de orelhas), decidi regressar ao conforto do bafo quente de uma lareira que, a esta altura, já deveria estar a aguardar pelos primeiros dias frescos de Outono para o concerto único que gera o crepitar da lenha que lhe dá vida. Ouvi de novo o concerto em época que deveria ser quase estival, olhando ao longe, o gigante protector que espero voltar a visitar proximamente... Até lá...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Afinal, Macedo... Bem... É Macedo... Lindo!!!



Mais uma preciosidade "perdida" na imensidão do YouTube...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Mais Cousas Preciosas do YouTube



Desconheço a localização das filmagens mas bem haja quem as colocou em circulação. Já não me recordava da "cantiga triste" de um carro de bois a chiar. Regressos à infância...

terça-feira, 15 de abril de 2008